sábado, agosto 15, 2009

Períodos Filosóficos - João da Penha

Este pequeno livro, parte de uma coleção "Série Princípios", retrata os principais períodos filosóficos da humanidade. João da Penha analisa três: o helenismo, a filosofia moderna e a filosofia contemporânea. Em linguagem didática, voltada principalmente para os não iniciados em história da filosofia, o livro tem o mérito de ser claro e conciso. Uma pena, entretanto, que o autor tenha ignorado a filosofia da idade média, talvez um dos períodos mais ricos em termos de pensamento. Talvez por ainda existir na época que escreveu o livro a idéia de que a Idade Média tenha sido um período das trevas, com paralisação do pensamento, à despeito de pelo menos dois grandes filósofos, Agostinho e Tomás de Aquino.

Sobre o helenismo, João da Penha inicia descrevendo os pré-socráticos. A filosofia começou quando o homem deixou de lado a mitologia para explicar o mundo e passou a buscar uma explicação racional. Os primeiros filósofos dedicaram-se à tentar entender o cosmos. Por que existia o mundo? De que era constituído? Como se comportava a natureza? Qual o seu princípio básico? Foram os sofistas que chegaram a conclusão que não era possível conhecer a realidade e dedicaram-se à retórica como forma de convencer o próximo de uma idéia, seja esta falsa ou verdadeira.

Todo grande filósofo surge com uma reação ao consenso existente. Sócrates foi o primeiro desta estirpe. Posicionando-se contra os sofistas, não só acreditava que a verdade era atingível através da prática filosófica, mas que o homem era o principal assunto a ser pensado. Sócrates, Platão e Aristóteles foram talvez os grandes filósofos ocidentais e buscaram mostrar que a filosofia moral exigia a prática, a reforma íntima.

Por fim, o período de decadência grega esteve relacionado com filosofia mais sombrias e pessimistas, voltadas para identificar um mundo ideal como forma de fugir de uma realidade opressora. Assim, surgiram os movimentos do epicurismo e do estoicismo.

A filosofia moderna, inicia com Roger Bacon e relaciona-se com a evolução científica da época. Influenciados por Newton, Galileu, Copérnico e outros, a filosofia moderna separou-se em duas correntes principais. A primeira, acreditava que o conhecimento provinha da razão e seu iniciador foi Renê Descartes; a segunda, que o conhecimento baseava-se na experiência e teve Bacon como seu primeiro expoente.

Coube à Kant realizar uma síntese das duas correntes afirmando que o conhecimento era alcançável tanto pela razão quanto pela experiência, através de juízos sintéticos e analíticos. Hegel veio para mostrar o mundo a partir da idéia e a história como a manifestação da razão, Kierkegaard para criticar a utilização de sistemas para explicação do mundo em uma filosofia marcada pelo pessimismo.

A filosofia contemporânea teria como primeiro expoente Nietzsche, introduzindo a denúncia à hipocrisia da sociedade o niilismo, a inversão dos valores provocadas pelo afastamento da religião. Penha é um daqueles que defende que o filósofo alemão retratou as incoerências dos tempos que se iniciavam e suas contradições.

Marx foi outro nome importante ao defender que o filósofo deveria dedicar-se à transformar a sociedade e não a entendê-la. Sua filosofia centrou-se na abolição da propriedade privada e a defesa do proletariado como a única classe social realmente autêntica e o materialismo dialético como realidade do mundo.

Finalmente, Penha apresenta a fenomenologia e o exitencialismo como a inversão do pensamento de que a essência precedia da existência. Para Husserl e Sartre, primeiro o homem existia e só depois se definia.

João da Penha lança os principais tópicos da filosofia ocidental como um convite, uma introdução à história da filosofia. Uma pena que tenha deixado de lado a rica filosofia da Idade Média, talvez por ter sido inteiramente construída dentro da Igreja Católica e ter colocado a religião relacionada à razão; o que deixou de certa forma seu pequeno livro incompleto.


Um comentário:

Roney disse...

Fui aluno do professor João da Penha á época em que ele publicou PERÍODOS FILOSÓFICOS. Sei da chateação dele por não ter conseguido que seu livro saísse na integralidade em que ele o havia escrito, pois devido a limitações impostas pela editora não foi possível que etapas da filosofia, como o período medieval, fossem incluídas. No mais recente contato que tive com meu ex-professor fiquei sabendo que o livro, depois de 4 edições pela Ática, saírá por uma nova editora, com tudo o que tem direito.