sexta-feira, agosto 28, 2009

Quanto mais eu penso...


Quando até Josias de Souza, um petralha de primeira, fica indignado com a decisão de ontem do supremo, alguma coisa deve estar errada. Quanto mais eu reflito, mas me convenço que havia indícios mais do que suficientes para abrir processo contra Antonio Palloci e votação apertada indica que não estou sozinho nesta, 4 membros do supremo tiveram a mesma visão.

Para mim, o caso é o mais grave de todo o governo Lula. A investida da alta burocracia do estado contra um indivíduo é algo que mais do que me deixar indignado, me provoca enorme desconforto. Será que as pessoas já se convenceram que o estado é nosso tutor? Que não há nada de errado contra o que aconteceu? Não estou nem levando em consideração a pessoa de Francenildo, poderia ser qualquer um, poderia ser um milionário, poderia ser o Daniel Dantas. Não uso posição social para qualificar um indivíduo, sua dignidade está em si mesmo, em sua essência. Ficou evidente na discussão de ontem que o estado investiu pesadamente contra um indivíduo com a única intenção de desqualificá-lo e livrar a cara de um ministro com cara de boa gente e queridinho da imprensa. Como não havia indícios suficientes?

Cada vez mais a sensação de impunidade toma conta da sociedade. Em 1992, o depoimento de um motorista e uma secretária foram suficiente para impedir um presidente corrupto. Fica claro que tudo aquilo foi um pretexto. Collor não foi impedido por ser corrupto, a corrupção foi apenas o motivo para tirá-lo do cargo; o que houve foi uma luta política que o povo, mais uma vez, foi massa de manobra. Sim, meus caros. Todos aqueles caras-pintadas, todo aquele movimento, foram instrumento para grupos políticos removerem um presidente indesejado do poder. Um presidente que foi eleito defendendo uma plataforma liberal que contrariou poderosos interesses pois ao mesmo tempo que desmontava o estado paquiderme, investia pesadamente contra os monopólios. Não tenho simpatia nenhuma pelo senhor Fernando Collor, até porque se tratava de um irresponsável, mas cada vez creio mais evidente que fomos enganados; Collor foi derrotado em um embate eminentemente político.

Fico pensando agora, depois do mensalão e do caseiro. Qual as chances de um indivíduo sem interesses políticos testemunhar contra figuras do governo? Vendo o que aconteceu com Francenildo, a secretária de Marcos Valério, até mesmo a ex-secretária da receita, é possível acreditar que um testemunho adiantará de alguma coisa?

Por fim fica o resultado, justo ou não, do que aconteceu ontem. De um lado um ministro da fazenda, um assessor de imprensa e um presidente de banco. De outro um caseiro. De que lado ficou o "partido do povo"? De que lado ficou o "governo popular"? Longe de defender luta de classes aqui, coisa que jamais fiz, fica evidente que quem clama fazer esta defesa só o faz até onde vai seu interesse. Quando este interesse desaparece, o povo que se ferre.

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