domingo, setembro 06, 2009

Coletivo

Vivemos a época do coletivo. Quem não entendeu isso, não entendeu ainda os séculos XX e XXI. Ao apontar os maiores problemas da humanidade, surgem expressões como o consumismo, a agressão ao meio ambiente, o comunismo, o socialismo, a violência, o terrorismo, a ideologia. Não se enxerga mais que debaixo de tudo existe o homem e suas escolhas. Um homem individual, de carne e osso, que não consegue vencer seus próprios vícios, até porque a luta foi colocada longe dele. Querem melhorar a sociedade mas sem passar pelo homem.

Uma das característica do pensamento socialista de nosso tempo é que a revolução vai do social para o individual. Obriga-se a sociedade a agir de certa forma através de leis e o indivíduo será uma conseqüência; tudo em seu nome, claro. Para proteger o negro adotam-se políticas que por fim acabam por discriminá-lo ao tratá-lo como incapaz. Para proteger a sociedade da corrupção dos políticos, aceita-se que o estado avance ainda mais, deixando mais coisas nas mãos dos políticos. Para defender a suposta liberdade de escolha de uma mulher aceita-se o assassinato de seu filho ainda em seu ventre, sem qualquer possibilidade de defesa. A solução é sempre uma lei, uma medida do executivo. Falar em reforma moral é atrasado e conservador. Todos são muito otimistas em relação ao homem e suas possibilidades mas ao mesmo tempo não se pode deixar que façam suas escolhas. É preciso domesticá-lo.

Pecado? Não existe este tipo de coisa. Vejam os sete capitais. Luxúria deixou de ser pecado para ser um direito como nome de "liberação sexual". Vaidade passou a ser uma exigência do mundo de hoje com o nome de "amor próprio" como ensina qualquer um dos milhares de livros de auto-ajuda espalhados por aí. Gula então, nem se fala, pecado? Mas como? Acídia foi banido pela própria Igreja e substituído por preguiça, afinal o ativismo é uma virtude, ninguém pode ficar parado! Não existe mais a figura do bandido, o homem que fez a escolha errada entre o bem e o mal, agora ele se tornou uma vítima da sociedade em que vive de deve ser recuperado e reintegrado. Toda reflexão moral deixou a esfera do indivíduo e passou ao grupo social. Afinal, a verdade é relativa e portanto não existe o certo e o errado, tudo depende do ponto de vista.

Interessante que as mesmas pessoas que pensam assim se consideram as donas da verdade quando se trata do comportamento social. O homem não deve se preocupar essecivamente com esse negócio religioso, a moral, mas deve respeitar o meio ambiente, ter conciência social, acabar com o capital especulativo internacional, lutar contra a globalização. Lutar contra sua avareza? Sua vaidade? Sua Luxúria? Tudo isso são causas menores, o homem deve precoupar-se com o macro.

Não adiantar argumentar que se o homem melhorar intimamente automaticamente estará fazendo um mundo melhor. Consideram esta uma revolução impossível ou muito demorada. Não é possível que um homem racista deixe de sê-lo por sua própria evolução, é preciso obrigá-lo a deixar de sê-lo pois deeve-se encaixar o homem real, imperfeito, no modelo de novo homem, custe o que custar. Qualquer violação de seu livre arbítreo é tolerado se o resultado for este novo modelo aperfeiçoado, um modelo adequado a nossa época iluminada pela ciência e pelas boas intenções daqueles que pensam o mundo.

Os bem intensionados pensadores de nossa época defendem que os detentores do poder moldem o mundo de acordo com suas idéias libertadores. Não percebem a vaidade que existe em sua própria proposta, a de ter a imagem do mundo ideal, de estarem completamente errados em suas concepções. Posso estar errado também, claro! Mas não quero impor minha visão para ninguém, quero apenas que me deixem em paz para cuidar da minha alma, que já me dá trabalho demais. Isso não quer dizer me isolar do mundo pois já me ensinaram que para cuidar da minha alma devo amar ao próximo. A diferença é que tenho a convicção que sou incapaz de salvar a sua alma, embora possa ajudá-lo, nos limites de seu livre-arbítreo. Mais ainda, que não sei a respostas de suas angustias.

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