segunda-feira, setembro 21, 2009

Princípios da Natureza e da Graça Fundados na Razão - Leibniz

Princípios é um texto curto mas extremamente rico, onde Leibniz expõe mais uma vez seu conceito de nômadas, mas principalmente mostra a relação de multiplicidade existente na natureza. O mundo físico relaciona-se desta forma com o mundo metafísico, tudo sob a ótica da perfeição divina.

Para Leibniz a substância é um ser capaz de ação e pode ser simples ou compostas. No primeiro caso, temos a substância indivisível, a mônada, aquela que é uno e não possui partes; trata-se das vidas, almas, espíritos. No segundo temos uma reunião de mônadas, a multiplicidade. A natureza seria assim cheia de vida antecipando muito do que a biologia descobriria mais tarde com as células.

As mônadas são as substâncias indivisíveis, que não podem ter partes. Não podem ser fomadas e nem criadas, durando tanto quando o universo. Não podem ter forma, pois neste caso teria necessariamente partes. Possui ações internas de dois tipos:
  • percepções: percepção da substância composta ou externa na simples; e
  • apetições: passagem ou tendências de uma percepção para outra.
Em um corpo orgânico teríamos uma mônada central circundada por infinitas nômadas que custituiriam seu corpo próprio. Cada mônada é o espelho vivo do universo e a conseqüência é que na natureza tudo é pleno, tudo é cheio de vida.

Leibniz discordava nos mecanicistas de que as causas eficientes seriam capazes de explicar sozinhas os movimentos. Para ele, era preciso levar em conta também as causas finais e este seria próprio da alma. A harmonia entre o corpo e a alma seria o equilíbrio entre estas causas, um princípio ativo relacionado a um princípio passivo. O sentimento é a percepção acompanhada de uma memória; os seres capazes desta memória são os animais e possuem uma alma. Quando esta alma é iluminada pela razão e possui também consciência de seu estado interior, temos o espírito a alimentar um ser humano.

Passando para o plano metafísico, o filósofo defende o princípio da razão suficiente. A razão pode explicar porque uma coisa é de uma forma e não de outra, porque é assim e não de outro modo. Na natureza nada seria feito sem a razão suficiente, tudo teria uma razão para acontecer. O homem possui limitações para compreender a razão para tudo pois como parte do universo não poderia nunca explicá-lo totalmente pois a razão suficiente não poderia estar no próprio ser e esta para Leibniz era a maior prova da existência de Deus, um ser perfeito em potência, conhecimento e vontade; um ser que se manifesta de maneira onisciente, onipotente e de absoluta bondade.

O universo não poderia ser perfeito porque o tornaria Deus. Seria o melhor possível, concebido pelo criador para abrigar a maior variedade possível e a maior ordem possível. Para tanto, a suprema sabedoria teria criado as leis do movimento, a lei da natureza. Leis que teriam sempre uma imperfeição para que se diferenciassem do criador.

O mundo seria composto então de infinitas nômadas, de variáveis graus de perfeição mas ligadas da melhor maneira possível. Cada nômada teria em si a imagem do infinito, do universo, mas de maneira confusa, sem conseguir distinguir as coisas de forma a ter um conhecimento perfeito da realidade. Apenas Deus seria capaz de fazer a distinção de tudo. O espírito teria além do espelho do universo, o espelho da própria divindade.

Leibniz mostrava que a razão possuía limites, não poderia prever o futuro, papel exercido pela revelação. O amor de Deus anteciparia ao homem o gosto pela felicidade futura, uma felicidade perfeita mas que estaria acima de sua compreensão.

Princípios da Natureza e da Graça Fundados na Razão mostra a conclusão de anos de filosofia séria praticada por Leibniz. Por trás de cada conceito existem profundas investigações filosóficas mostrando que antes de tudo o verdadeiro pensador tem que ter compromisso com a realidade a sua volta, coisa que buscou até o fim de sua vida.

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