terça-feira, setembro 29, 2009

Silêncio no blog, culpa de Bastiat (quem?)

Andei meio ausente do blog por um bom motivo: as leituras. Além de uma coleção de estórias do Padre Brown, o padre-detetive de Chesterton, estou lendo o livro sobre a II Guerra Mundial de John Keegan, um diálogo de Santo Agostinho (A Grandeza da Alma) e um livro de ensaios de Bastiat. Este último está sendo muito importante para refletir sobre muita coisa que está acontecendo na economia mundial.

Até semana passada, nunca tinha escutado falar deste francês que viveu no século XIX. A dica foi dada por João Luiz Mauad em mais um artigo para o Mídia Sem Máscara. A tese central de Bastiat é que na economia, como muitas outras coisas na vida, existem dois tipos de efeitos, muitas vezes conflitantes. Um é o efeito imediato, o que ele chama "o que se vê", outro um efeito que pode ser a longo ou curto prazo, mas que é imperceptível para os olhos da maioria. O grande problema é quando "o que se vê" é benéfico e "o que não se vê" é nocivo para a sociedade. Políticos estão sempre de olho no primeiro tipo; são estes que lhe darão os votos para continuar suas carreiras. Cada vez mais decisões econômicas são tomadas dentro deste quadro.

Não é difícil perceber que os meios de comunicação aproximam cada vez mais o político do eleitor e as cobranças são cada vez mais imediatas. O grande problema é que a população em geral não sabe o que quer, fruto de uma massificação da educação, poluída de elementos marxistas, e não estou falando de Brasil. O que existe hoje é uma educação em que a quantidade superou em muito a qualidade e cada vez menos se é capaz de raciocinar fora dos lugares comuns impostos pela vitória cultural do pensamento esquerdista. É impressionante como doutores de algumas das maiores universidades do mundo, principalmente nas social-democracias, saem com o pensamento cada vez mais divorciados da realidade. O que dizer então do povo? Um povo que é educado por intelectuais traidores como bem observou Julien Benda? Educados por homens-massas como bem definiu Ortega? O resultado é um ciclo vicioso em que impostura tomou conta do mundo.

Um povo que não sabe o que quer passa a pressionar políticos que sabem muito bem o que querem e precisam deste apoio para sobreviver. Cada vez mais as sementes da destruição da própria sociedade são incorporadas nas fábricas de leis, como dizia Bastiat. A substituição da moral religiosa pela moral laica baseada no ordenamento jurídico é um dos maiores equívocos do ocidente, se não for o pior dele. A sociedade jamais deveria relegar aos políticos a definição do que se deve e o que não se deve fazer pois ela própria é incapaz de fazer esta definição e como sabemos, políticos não caem de marte, são oriundos da própria sociedade doente. Por isso já existe lei no Brasil dizendo que a banana deve ser vendida por quilo e não por cacho ou que não se pode utilizar saleiro em restaurante de determinadas cidades. Nem vou falar dos americanos que não só garantem a menores de idade o direito de abortar como também garantem o sigilo em relação aos pais que ficam privados de saber o que está acontecendo com seus filhos; cada vez mais os assistentes sociais se tornam os "pais" do estado burocrático.

A sociedade em geral está presa ao conceito do "que se vê" e não tem a menor idéia de que existam efeitos imperceptíveis nas leis e decisões políticas. Caberia às elites pensantes iluminar o vulgo e mostrar que muitas vezes são necessários sacrifícios para conseguir efeitos benéficos no futuro, como foi o caso do fim da inflação no Brasil. Infelizmente aconteceu o contrário, o vulgo "iluminou" as elites.

O verdadeiro estadista é aquele que consegue comprometer seu povo com medidas corretas, mas com custos imediatos. O populismo, cada vez mais presente na política mundial, agora com um representante na Casa Branca, apostam no contrário, na satisfação das necessidades imediatas ,e muitas vezes inconseqüentes, e jogam para seus sucessores os custos de concertar a lambança.

Bastiat ainda não tinha visto nada!

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