domingo, outubro 04, 2009

O Vermelho e o Negro - Stendhal

Stendhal nasceu em Grenoble, França, em 1783. Viveu com intensidade os anos posteriores à revolução francesa, o que se refletiu em sua visão anti-monárquica e anti-clerical, tornando-se abertamente republicano.

Publicou O Vermelho e o Negro em 1830, quando a França passava pelo período da restauração, o retorno da monarquia depois do período napoleônico. Este é um dos eixos de sua obra: uma visão crítica da alta sociedade francesa da época. Através de seus personagens, descreve uma corte sem ideais, onde o principal sentimento é o tédio, vivendo com o medo de uma nova revolução.

Este possível revolucionário, que surgiria para guilhotinar o que sobrou da monarquia, é personificado no herói do romance, Julien Sorel. Um pobre filho de carpinteiro que por seus conhecimentos de latim, aprendidos com o cura local, emerge como o professor dos filhos do prefeito de uma pequena província francesa. Interessante que o conhecimento de Julien não é autêntico, seu talento está em decorar trechos inteiros em latim e repeti-los, muitas vezes sem atentar para o que está declarando.

Surge então o segundo eixo do romance, as relações de um jovem ambicioso que passa a freqüentar uma sociedade que sempre desprezou. Seu sonho é retomar o papel de Napoleão, algo que na época jamais poderia ser admitido publicamente.

Na casa do prefeito, Julien torna-se amante de sua esposa e através deste amor Stendhal realiza sua crítica à moral religiosa. A sra de Renal procura na Igreja as forças para resistir ao amor profano pelo jovem professor, mas acaba fracassando sempre diante do amante. Seus conselheiros são os padres e um destes acaba por selar o destino de Julien no final da obra.

Depois de deixar a casa dos Renal e passar um breve período em um monastério, acaba por tornar-se secretário particular de um rico marquês, onde vive seu segundo grande romance, agora com a filha deste, a orgulhosa Mathilde. Agora, é a moral aristocrática que se impõe entre Julien e a concretização de um novo amor. Sua amante luta contra o orgulho ao ver-se apaixonada por alguém fora de seu nível social.

Ao longo do romance, Julien divide-se no fascínio e o ódio pelas classes dominantes da França. Chama atenção o fato do jovem ter sempre se recusado a manter qualquer relação com os mais pobres, inclusive sua família. Ainda em casa da Sra de Renal, recusou uma ligação com um linda camareira que lhe daria uma segurança financeira para toda vida. No fundo, Julien lutava contra um orgulho exacerbado que possuía em seu íntimo, um orgulho que direcionava sua ambição e o fazia sempre desprezar todas as suas conquistas, tanto no plano social quanto no amor. Julien queria sempre mais.

É este sentimento, mesclado com sua amoralidade, que o levará à brutal queda da parte final do romance. Diante de um tribunal formado por padres e nobres, Julien encontra os que considera razão de sua desgraça e de sua infelicidade. Passa a fazer o papel que aqueles esperam dele, o da ameaça popular, o da revolta do mais pobre diante da abastança e da falta de ideais das elites francesas.

Stendhal escreveu um clássico que mistura os sentimentos sempre em conflito dos amantes, o medo de uma sociedade recém restaurada de uma nova revolta popular, a tensa relação entre um emergente e a alta sociedade, a corrupção moral do clero e os perigos de uma ambição guiada por um orgulho sem limites.

2 comentários:

Tayná disse...

Olá! Acabei de ler "O Vermelho e o Negro" e simplesmente amei o livro. Certamente é um dos melhores que já li.

Gostei dos seus comentários sobre essa obra. :)

Ainda estou tentando descobrir por que o título é esse, você tem alguma idéia?

Abraços.

Anônimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!