sexta-feira, novembro 27, 2009

Aquecimento Global e evidências de fraude

Nos últimos dias começou a pipocar na internet as informações sobre os tais e-mails que evidenciam que pelo menos alguns cientistas estavam escamoteando dados para confirmar suas previsões alarmistas sobre o aquecimento global. Além de tomar posições ativas para silenciar qualquer tentativa de debate sobre o assunto pressionando revistas científicas a não dar espaço para os céticos. Os grandes jornais estão ainda evitando o assunto talvez porque tenham aceitado rápido demais e sem espírito crítico a tese do Aquecimento Global. Acho que Olavo de Carvalho está mais que certo em sua regra número 1 para se entender o mundo atual:

O que quer que venha rotulado como consenso da opinião mundial, aprovado unanimemente por vários governos, pelos organismos internacionais, pela grande mídia, pela indústria do show business e pelos intelectuais públicos mais em moda, ou seja, pela quase totalidade dos "formadores de opinião", é suspeito até prova em contrário.


O papel dos cientistas que deturpavam estatísticas que contrariavam sua explicação para a realidade não é novo. O próprio Karl Marx utilizou de manipulação de dados para escrever O Capital. No longo período que levou para concluir o primeiro volume de seu tratado de economia, surgiram evidências que ao invés da classe operária ficar cada vez mais pobre, como previa em sua teoria da mais valia, ela começava a ter ganhos efetivos com a industrialização. O alemão ignorou todos estes dados e passou a selecionar apenas o que estava de acordo com suas idéias. Este fenômeno de comprimir a realidade dentro de uma idéia que se tem dela foi magistralmente descrito por Julien Benda no seu indispensável livro A Traição dos Intelectuais.

Cabe aqui também a advertência no mesmo sentido do injustamente esquecido Gustavo Corção. Para quem não conhece, Corção foi um engenheiro que depois de anos dentro dos laboratórios descobriu que a vida era muito mais ampla que a técnica e tornou-se uma das mais importantes vozes chamadas conservadoras no Brasil. Escreve ele na introdução de O Século do Nada fazendo uma ligação com os pescadores da Galiléia, primeiros apóstolos, e os engenheiros da primeira metade do século passado:

O que havia de comum entre os primeiros apóstolos e o engenheiro de 1937 ou 38 era o bom senso de quem sabe que o homem não pensa só com a cabeça, mas também com as mãos. Nós outros, engenheiros ou pescadores, sabemos assim, por várias vias, que o homem deve ser dócil e obediente à realidade das coisas. O "intelectual", ao contrário, é aquele refinadíssimo indivíduo que acha certa vulgaridade no real, e por isso prefere pensar a conhecer, isto é, prefere jogar com os entes da razão que ele mesmo fabrica ou compõe.


Não sei se o homem está aquecendo o planeta ou não, acredito que ninguém saiba. O que me parece cada vez mais claro é que o suposto consenso sobre o assunto é uma enorme falácia e fará muito bem que o tema seja colocado em discussão e os céticos possam ser ouvidos com seriedade e não tratados como porta vozes dos "interesses dos poderosos" ou coisa do gênero, como se não houvesse muita grana e poderosos por trás dos alarmistas que se pretendem cientistas.

5 comentários:

Aranha disse...

Thomas Mann já foi desmascarado mas a mídia não tá nem aí. O gráfico de taco de hoquei foi comprovado como sendo uma fraude eletrônica. O cara é um criminoso e a teoria do aquecimento global é uma grande farsa. Inclusive já se convenceram que a terra parou de esquentar (mais não tornam público isto).

Alexandra disse...

Deixa ver se eu entendi direito... emails circulando pela internet têm mais fundamento do que estudos científicos?

Olha, eu nem duvido que cientistas possam fazer uma pesquisa mal feita ou torcer a evidência, tem profissional ruim em qualquer meio. Mas geralmente, não demora muito para desmascararem o tal cientista pois o meio acadêmico é muito competitivo e o que os acadêmicos procuram é poder disprovar alguma coisa, provar que o outro tá errado e que ele é que tá certo. Mas o conhecimento sempre avança e realmente algumas perguntas são difíceis de responder... Mas que nós estamos destruindo o planeta - quer seja através da poluição, destruição da diversidade, manipulação genética das plantas, ou aquecimento global - disso eu não tenho a menor dúvida.

E não dá pra comparar os acadêmicos de hoje com os do século XIX. Se um aluno meu escrevesse um trabalho igual se escrevia naquela época, ganhava no máximo um D ou C, isso se não fosse reprovado por plágio.

Marcos Guerson Jr disse...

Alexandra,

Usando suas próprias palavras: acho que você não entendeu direito. Em nenhuma linha aqui se fala que emails circulando pela internet tem mais fundamento que estudos científicos, embora isso não seja impossível. O que estes emails mostram é que ALGUNS cientistas, de renome diga-se de passagem, utilizaram "truques" para falsear estatísticas e procuraram silenciar vozes discordantes. Os cientistas envolvidos admitem a veracidade dos emails e tentam se explicar. Um tal de Phil Jones, chefão de East Anglia tenta explicar dizendo que os cientistas utilizam a palavra truque em um sentido diverso de truque. É razoável sua explicação? Leia o email e tire suas conclusões:

" I’ve just completed Mike’s Nature trick of adding in the real temps to each series for the last 20 years (ie from 1981 onwards) amd [sic] from 1961 for Keith’s to hide the decline."

Este Michael Mann é da Universidade da Pensilvania, talvez tenha ouvido falar dele, eu nunca.

Apareceram cientistas para desmascarar esta gente, são chamados de céticos e até outro dia você se referia a eles como meia dúzia financiados pelas grande empresas poluidoras ou coisa parecida. Então eu te mandei uma lista de mais de 50 cientistas, todos de renome, que refutavam a tese do aquecimento global antropocêntrico, lembra? Veja que nos emails, os apologistas do aquecimento tentam bloquear o acesso dos céticos a revistas científicas. Você acha isso razoável?

Cuidado com as certezas, elas muitas vezes fecham nossos olhos para a realidade do mundo. Acho importante para um professor colocar as coisas em dúvida para conseguir um conhecimento mais seguro sobre elas. Acho que foi Santo Agostinho que ensinou que uma prova importante de humildade é nos perguntarmos "e se estivermos errados?" e pensar um pouco sobre o assunto. Eu tento fazer isso, mas confesso que ainda tenho muito pouco sucesso. Tento me consolar dizendo para mim mesmo que pelo menos reconheço que tenho que buscar uma postura mais humilde e procurar realmente colocar em dúvida o que acho das coisas. De qualquer forma, acho que não devemos lutar contra a verdade, por mais que ela seja dolorida e mostre que estivemos enganados.

Não rejeite a priori o que foi escrito no século XIX, ou qualquer outro. Em qualquer época existiram acadêmicos fajutos e verdadeiros gênios. Achar que por ser atual um acadêmico é necessariamente melhor do que o precedeu é um preconceito, tudo que um verdadeiro acadêmico deve evitar. Você realmente daria C ou D para Newton, Kant ou Leibniz? Cuidado com a soberba...

Alexandra disse...

Em nenhum momento eu disse que o acadêmico atual é *melhor* do que o acadêmico antigo. Acho que não me expliquei direito. O que eu quiz dizer é que a *maneira* como escreviam, o procedimento, era bem diferente de hoje em dia. As disciplinas ainda estavam se professionalizando, não havia ainda um standard quando se tratava de documentar evidência então muitos trabalhos na época, por exemplo, eram escritos sem nota de rodapé alguma, o que torna super difícil hoje em dia saber no que muitas das afirmações eram baseadas.

Por outro lado, muitos dos intelectuais da época faziam trabalhos que hoje já não é possível pois as pessoas hoje já não têm a educação de base que um membro da elite européia da época tinha. Ou até mesmo o tempo pra se dedicar da mesma maneira. Dá até uma certa inveja quando ouvimos falar de historiadores que levavam os manuscritos pra casa. Era outro mundo. Eu só quiz apontar que a metodologia naquele tempo era outra e não que um fosse melhor do que o outro. Como vc tava usando um exemplo do Marx como evidência para o comportamento de cientistas de hoje...

Quanto ao debate entre os cientistas, eu acho que até já comentei aqui - para falar a verdade, eu não tenho certeza absoluta que a terra está "aquecendo" em sentido literal. Mas eu vejo com meus próprios olhos que o clima tá mudando. Essas mudanças talvez não sejam óbvias nos climas tropicais mas são bem presentes nos países mais nórdicos. Deve ser por isso que muitos ambientalistas são dos países nórdicos pois aqui ninguém precisa de um cientista pra dizer que o clima tá mudando...

Para falar a verdade, eu ando meio crítica da ciência como um todo pois eu acho seu método reducionista incapaz de avaliar apropriadamente tudo que tenha a ver com a biologia e o mundo natural. Passei a pensar assim depois de ler uns estudos sobre nutrição mas isso é papo pra outra hora...

A situação do aquecimento globa, câmbio climático, é bem complexa e portanto sempre vai haver quem discorde. Mas não muda o fato de que somos seres biológicos que depende da biosfera em que vivemos e que só podemos manipular a natureza até determinado ponto. A tecnologica moderna e a vida urbana faz com que muitas pessoas esqueçam esse fato básico e nos dá a falsa impressão de que estamos em controle. Nos falta humildade e é essa falta de humildade e respeito pelo que é maior e mais importante do que nós - a vida em si - que me preocupa.

Mas não se preocupe, se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos todos no meio acadêmico foi a ser crítica. Meus alunos me agradecem por ensiná-los a questionar tudo. Mas também temos que entender pq estamos questionando.

Marcos Guerson Jr disse...

Não tenho dúvidas que o clima no mundo tem se alterado, a questão é que sempre foi assim! Se não fosse um grande aquecimento global ocorrido há milhões de anos atrás, não haveria vida na terra. As últimas medições apontam para um resfriamento e não mais para um aquecimento. O grande problema é que as teorias catastróficas atuais foram originárias de simulações computacionais a partir de modelos que não são de domínio público. Na verdade se tornaram caixas pretas de alguns cientistas alarmistas. Começa a surgir um movimento para que estes programas se tornem open source para que se possa criticá-los pois esses mesmos modelos não apontavam o resfriamento que está acontecendo em algumas áreas do globo. Portanto, acho que tem muita coisa a ser estudada em termos de mudanças climáticas.

Pessoalmente, acho muita pretenção do homem achar que ele é o responsável por estas mudanças.

Se deixarmos o aquecimento global antropocêntrico de lado e falarmos de poluição aí acredito que encontraremos maiores concordâncias de pensamento. Que no último século o homem judiou do meio ambiente não tenho dúvidas nenhuma. Felizmente essa tendência se reverteu devido a uma maior conscientização e as leis ambientais, principalmente nos países democráticos. Embora aja exageros como querer taxar papel higiênico e recomendar fazer xixi no banho, a gestão ambiental é uma realidade e as empresas estão se adequando a ela. Aliás, chamo atenção para a questão da democracia e desenvolvimento como fatores positivos para a proteção ambiental. Acho que os ativistas deveriam começar a reforçar estes dois pontos como condição para preservação do meio-ambiente. É fácil ficar cobrando dos países democráticos, difícil é exigir de ditaduras de partido único.