segunda-feira, novembro 23, 2009

As Virtudes Cardeais

FANZAGA, Livio. As Virtudes Cardeais. Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança. Tradução de José Joaquim Sobral. Editora Ave-Maria, São Paulo, 1ª Edição, 2007.

O Padre Livio Fanzaga nasceu em 1940, em Bérgamo, na Itália. Laureou-se em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma) e depois em Filosofia na Universidade Católica (Milão). É diretor da Rádio Maria e escreveu também As Virtudes Teologais: fé, esperança e caridade.

Foi Aristóteles quem primeiro chamou atenção para a existência de quatro virtudes que seriam os eixos cardeais para as demais. Posteriormente, Tomás de Aquino incorporou-as ao catolicismo e deu-lhes maior amplitude, ligando-as ao campo teológico. Livio Fanzaga mostra que longe de perder a importância, estar virtudes são cada vez mais necessárias em um mundo onde a globalização é uma realidade e se dispõe de meios materiais como nunca antes na história. Infelizmente, estas virtudes se perderam ou encontram-se profundamente deturpadas no entendimento atual.

Fanzaga faz um chamamento para a vida virtuonõsa, reiterando a mensagem dos filósofos clássicos, posteriormente confirmada pelos padres da Igreja, de que apenas uma vida em busca da virtude pode ser a receita para uma vida feliz. O contrário apenas carrega o homem para a infelicidade pois o objeto do vício jamais é suficiente para aplacar os apetites. Não é a rendição aos prazeres que sacia o homem e sim o seu domínio sobre eles. Fanzaga defende também que a virtude orientada apenas para a razão é insuficiente, embora muitas vezes louvável. A ligação com o divino é fundamental para orientar corretamente as virtudes. No caso das cardeais, estas devem estar subordinadas às virtudes teologais (que trata em outro livro): fé, esperança e caridade.

A sociedade na qual vivemos, onde até os cristãos arriscam-se a ser condicionados, não percebe mais a necessidade da formação moral do ser humano, recebida sempre da grande tradição grega da paideia (educação) ... Desde os mais tenros anos da vida é preciso educar o ser humano para o uso da razão, da liberdade e da responsabilidade.

Não é que a maioria dos educadores modernos não percebam a necessidade da formação moral, eles a desprezam. A escola moderna, verdadeiro instrumento de doutrinação do Estado, está preocupada apenas com o ensino da cidadania, o termo bonito que usam para ensinar a devoção ao sistema político existente. Razão, liberdade e responsabilidade ficam longe do que se prega em sala de aula, virtude então nem se fala. Afinal, se tudo é relativo, quem pode dizer que prudência, justiça, fortaleza e temperança tenham algum valor absoluto?

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