domingo, dezembro 06, 2009

O Rei Lear - William Shakespeare

O Rei Lear está velho e cansado. Sem um filho homem, resolve dividir seu reino entre suas três filhas e viver uma "aposentadoria", dedicando-se à caça e vivendo as custas das três. o problema é que sua capacidade de discernimento não é mais a mesma, junto com a velhice, perde rapidamente a prudência, aquela virtude que orienta os atos para os fins justos.

Sua desgraça começa na hora da partilha onde contenta-se com elogios vazios feitos por suas duas filhas casadas e não consegue compreender que a recusa da filha mais nova em se casar era a prova de amor que tanto queria. Cordélia, uma das maiores criações do bardo, é deserdada e casa-se com o rei francês, o único que a aceita sem dote.

Em qualquer obra de Shakespeare, é impressionante sua capacidade de transladar para os palcos uma visão ampliada da natureza humana. Em Rei Lear, seu talento chega à maturidade. A quantidade de dramas humanos representados por uma grande quantidade de personagem é impressionante. Temos vingança, inveja, luxúria, desejo de poder, angústia, honra, coragem, sacrifício, amor, calúnia, orgulho, vaidade e tantos outros. Não há um personagem principal na peça, todos tem seu momento de brilho, seu diálogo inspirado. Rei Lear é um tratado sobre a miséria e redenção do homem.

Abrindo o livro ao acaso, deixo esta passagem, nas palavras de Lear:

Oh, não vamos discutir necessidades! Nossos miseráveis mais miseráveis sempre têm alguma coisa que é supérflua às suas necessidades miseráveis. Se concedermos à natureza humana apenas o que lhe é essencial, a vida do homem vale tão pouco quanto a do animal.

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