sábado, dezembro 19, 2009

O Século do Nada -Gustavo Corção

Em 1939 a Polônia foi invadida. Para deter o totalitarismo e preservar a liberdade no mundo, Inglaterra e França foram à guerra, assim como posteriormente os Estados Unidos. Em 1945 Berlin era ocupada e a II Guerra Mundial chegava ao seu fim com a derrota dos nazistas. Os aliados venceram.

Venceram? Venceram o que exatamente? Em 1939 a guerra foi feita para impedir que um país totalitário ficasse com a Polônia. Seis anos depois, as democracias ocidentais comemoravam a cessão de um território bem maior, incluindo metade da Alemanha a um outro país totalitário, um país que tinha participado da invasão da própria Polônia! Este é o ponto de partida das reflexões de Gustavo Corção, se é verdade que a Alemanha tinha sido derrotada, as democracias tinham cometido um terrível equívoco ao se aliar com um demônio ainda mais perigoso, a União Soviética.

É difícil falar de um livro escrito com tanta paixão como este texto fabuloso de Corção. A história trágica do século XX não estava nas tropas de Hitler, estava na revolução silenciosa que se fazia longe do grande público, na guerra cultural que demoliu o pensamento ocidental e levou ao triunfo do socialismo como novo ente de razão da humanidade. A tragédia do século tinha sido a aliança da Igreja com o socialismo resultando na esquerda católica e corrompendo o cristianismo em sua essência. Um casamento que se formou na França ocupada, dentro da resistência francesa e que resultou no triunfo da corrupção moral de toda uma sociedade, ao triunfo da impostura relativista.

A França é o centro da batalha que se travou na Europa pelos espíritos. Foi palco da maior traição do século. Não foram os exércitos nazistas que derrotaram os franceses no campo de batalha e sim a ação da esquerda francesa que levou ao desarmamento no final da década de 30, assim como a deterioração do espírito nacional. Ao final da guerra, a mesma esquerda não só ficava com os louros da vitória, mas conduziu um processo criminoso que levou seus inimigos aos fuzilamentos sumários enquanto os aliados estavam ocupados guerreando com os nazistas.

Corção não deixa pedra sobre pedra, guiando-nos desde o início do século, desde a eclosão do caso Dreyfus na França, da criação da Action Française, no alerta dos papas contra o grande mal socialista, passando pela tragédia de homens como Maurras, Brasillach, a corrupção moral do clero, e tantos outros acontecimentos. Uma história do século XX que passa ao largo dos livros de história, sempre preocupados com os fatos e deixando de lado as idéias que causaram tantas tragédias.

Corção nos convida a romper o jogo esquerda-direita, um jogo criado pela esquerda e que prende os não esquerdistas em uma armadilha mental intransponível. Em um capítulo memorável, nos mostra que esta dicotomia não tem o menor sentido e que envolve em um mesmo saco todos que por algum motivo não concordam com os valores da esquerda, ou mesmo a falta deles. Em suas próprias palavras:

Não, a esquerda propriamente dita jamais lutou contra a injustiça ou pela justiça; mas frequentemente lutou contra os que, por assim dizer. lhe fazem o favor de praticar certas injustiças. É melhor usar o termo próprio: as esquerdas aproveitam as injustiças, vivem das injustiças, para manter manter em movimento os dois cilindros da motocicleta do progresso na direção da luta de classes.


Gustavo Corção foi um pensador raro no Brasil. Foi um verdadeiro intelectual, ocupado em remover as camadas de imposturas que escondiam as verdades mais básicas. O Século do Nada é um verdadeiro manual para entender como a ideologia progressista se desenvolveu levando as trevas ao pensamento humano.

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