sexta-feira, janeiro 15, 2010

A Inglesa e o Duque (2001)- Eric Rohmer


Nunca tinha visto um filme de Eric Rohmer, aliás, sempre tive um verdadeiro pavor de filmes franceses e europeus em geral. A maioria dos poucos que vi eram simplesmente bombas incríveis. Eram tão ruins quanto as críticas positivas que recebiam, os chamados filmes de arte.

Pois A Inglesa e o Duque é um filme de arte sem a menor dúvida. O filme é uma verdadeira pintura. Ao invés de fazer uma reconstrução de época, Rohmer optou por criar cenários digitais reproduzindo pinturas conseguindo efeitos incríveis, como confundir atores com a paisagem, como se fosse realmente um quadro. Algumas cenas começam com os personagens estáticos, até que alguém entra e dispara os movimentos, as telas ganham realidade.

E a estória? Bem, a estória é excelente. Uma aristocrata inglesa, vivendo em Paris, vivencia o terror jacobina após a revolução francesa. Boa parte do filme é o confronto dela, uma realista ferrenha, com o duque do título, um nobre que aderiu à revolução. Ela tenta mostrar a ele o absurdo do que estavam vivendo, como podia ideais tão nobres servir de causa para tanta selvageria? Em sua visão, os revolucionários eram bárbaros sem limites. Já o Duque, primo do rei, acreditava que eram defensores do principal valor de uma nação, o povo. Várias vezes afirma que o rei e a aristocracia eram traidores deste valor.

O Duque é o aristocrata que acha que pode conciliar com o revolucionário para formar um meio termo virtuoso. Faltou-lhe o entendimento de Grace Elliot que visualizava que acabaria na guilhotina pois não era possível acordo com o terror. Ela é capaz de ver o grande horror que o afastamento de Deus provocaria no mundo e que nada seria como antes. Os diálogos entre o duque e a inglesa são a representação do confronto de um mundo que partia e um que surgia radioso, portador dos valores mais profundos e puro.

A Revolução Francesa foi a verdadeira porta da caixa de Pandora. Marcou o início do maior fragelo da História humana, o surgimento da mente revolucionária.

Cada vez mais pessoas passaram a acreditar que:

  1. São capazes de entender e explicar a estrutura da sociedade, geralmente através de alguma simplificação grosseira que as fazem perder o contato com a realidade.
  2. Acreditam que sabem como o mundo deve ser e que existe um hiato entre suas utopias e o mundo como eles acreditam que é.
  3. Que este hiato deve ser vencido pela concentração de poder nas mãos de pessoas ou instituições que estejam na vanguarda deste novo mundo redentor.
Estes são os princípios básicos da mente revolucionária que tão bem Rohmer retratou em seu filme. Não é por acaso que características do horror socialista já se apresentavam na Revolução Francesa.

Um chefe de patrulha pergunta a Gracie porque ao invés de expulsar um suspeito que tinha batido em sua casa não tinha alertado a patrulha. Ela responde que não desejava entregar ninguém. Na resposta do guarda temos o sinal dos novos tempos: era obrigação de um bom cidadão delatar os suspeitos. A delação é uma das formas de controle no pesadelo totalitário.

Outra característica: o poder dos medíocres. Quando é presa pela primeira vez isto fica patente na atitude dos dois cidadãos que lideram uma revista em sua casa e posteriormente de um dos juízes de seu processo. São pessoas que não possuem a menor concepção do que seja justiça e se tornam a expressão visível do controle social, uma das criações da mente revolucionária. Não é o ministro que deve ser temido em um governo revolucionário, mas o guarda de trânsito.

Na Revolução Francesa os revolucionários acabaram destruindo a si mesmos, mas esta foi a primeira experiência. Aprenderam com o tempo e terminaram no totalitarismo moderno, sempre em mutação e sempre se fortalecendo. Muitos acreditam que não precisam lutar contra os revolucionários porque eles se destroem sozinhos; não percebem que apesar de ser verdade, em parte, este processo é fonte de força, de aprimoramento do mal.

Gracie Elliot foi uma das primeiras pessoas (o filme é baseado em seu diário) a perceber o que devia saltar aos olhos: a mentalidade revolucionária é uma expressão aboluta do mal pois é baseada no principal pecado humano, o que origina todos os outros, o orgulho. O revolucionário nada mais é que um vaidoso que não vê limites para sua atuação e tem completa convicção do que acredita. Nada é pior para um homem do que acreditar realmente em suas idéias.

O resultado são os milhões de mortos que ficaram pela História e o morticínio está longe de acabar.

3 comentários:

Anônimo disse...

fragelo?

Anônimo disse...

Pelo amor de deus um revolucionário, luta pelas suas convicções sempre....é loucura dizer que as mortes são culpa de revolucionário.
emquanto lutarmos por nosss ideais estaremos coonvictso que estaremos fazendo algo melhoor apra a humanidade.Eesse filme é uma msotra disso cada um timha sua sugestão e lutava e soofria quando alg osaai de maneiira que não gostavam....

Marcos Guerson Jr disse...

c.q. d.