sábado, janeiro 30, 2010

Persuasion - Jane Austen

Persuasion foi o último romance escrito por Jane Austen e uma amostra do que poderia ser a maturidade da autora, que faleceu aos 41 anos com toda uma vida criativa ainda pela frente.

É um romance diferente dos demais que li, ainda faltam-me Northanger e Madison Park, pois seu clima é mais sombrio e mais reflexivo. Anne é a filha de um baronete extremamente vaidoso e que aos 27 anos entra naquela faixa que para época já tornava-se "velha" para o casamento. Tudo porque 8 anos antes, rejeitara uma jovem capitão da marinha persuadida por Lady Russel, uma espécie de conselheira da família desde a morte de sua mãe. Pois o capitão volta a seu convívio, agora rico, mas ressentido e amargurado pelo passado.

A ação do romance é muito mais contida, muito mais sutil. É até difícil, de início, perceber Anne como personagem principal do livro. Ao contrário de criações anteriores como Lizzy e Emma, ela é mais uma espectadora, uma ressonância para os demais personagens, do que uma voz ativa na trama. Ao longo do livro ela vai firmando sua personalidade e adquirindo a confiança necessária para se afirmar e buscar sua própria felicidade. O leitor não se apaixona por ela de cara, mas vai se encantando a cada sutileza, a cada pequeno gesto.

A persuasão do título refere-se não só ao episódio que afastou Anne do amor de sua vida, mas de uma série de tramas secundárias e mostra as consequências da pretensão das pessoas em saber o que é melhor para as outras, mesmo, ou principalmente, quando as atenções são boas. Nas últimas páginas, Anne defende a persuasão feita por Lady Russel e principalmente a própria responsabilidade em tê-la aceitado. Era o razoável para época e mostra que nunca se pode saber com precisão se uma determinada escolha é a certa, podemos apenas intui-la fruto de nossa vivência; mas os fatos podem mostrar o tamanho do nosso erro.

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