terça-feira, março 16, 2010

Contos de Machado de Assis - Volume 4

Dissimulação e vaidade
Organizado por João Cezar de Castro Rocha

O tema dos contos reunidos no volume 4 da série organizada por João Cezar de Castro Rocha é a dissimulação e vaidade. Como já comentei antes, nos volumes anteriores, foi interessante a opção do organizador por colocar os contos em ordem cronológica pois possibilita que o leitor acompanhe a evolução do escritor.

O primeiro conto, por exemplo, data de 1868 e o último de 1906. É visível a evolução de Machado tanto no uso da linguagem, da qual foi mestre absoluto, como da abordagem. Nos primeiros contos, por exemplo, é bastante cartesiano ao condenar a vaidade e a dissimulação, muitas vezes recorrendo ao castigo para os personagens e à condenação moral. Nos últimos contos já coloca o tema em uma região cinzenta, onde fica difícil condenar o personagem.

Em Galeria Póstuma, por exemplo, a dissimulação do personagem é plenamente justificada. Joaquim Fidélis, um velho amigo particularmente querido morre. Seus amigos mais íntimos encontram um diário do falecido e começam a lê-lo. Não conseguem terminar e seu sobrinho, depois da saída dos amigos, descobre que Fidélis faz uma descrição de cada um deles apontando suas características, tanto positivas quanto negativas. Nestas últimas é de uma sinceridade cortante. São comentários que temos de nossos amigos mas que guardamos para nós mesmos. Ao colocar no papel, na forma de um diário, e ser lido por outra pessoa fica a impressão de uma pessoa dissimulada. Mas seria Fidélis um dissimulado ou apenas um observador da natureza humana?

Demorei para pegar o gosto pela obra de Machado, mas enfim cheguei lá. Não há um conto ruim em todos o volumes da coleção e o talento reconhecido no romance fica também evidente como contista. Machado foi realmente um escritor completo.

segunda-feira, março 15, 2010

As Seis Lições - Ludwig von Mises

Em 1958, logo após a queda de Perón, o economista austríaco Ludwig von Mises esteve na Argentina para um ciclo de palestras sobre a conjuntura mundial, particularmente sobre capitalismo, socialismo, intervenção econômica, inflação, política e investimento externo. Mises foi sobretudo um defensor ardoroso da liberdade econômica como forma superior de relacionamento humano e única forma de se atingir prosperidade.

O resultado das 6 palestras encontram-se transcritas em 6 capítulos, cada um abordando um assunto, com extraordinárica clareza pois suas palavras foram dirigidas principalmente para os estudantes universitários argentinos e não para economistas.

A primeira lição aborda o capitalismo, não sob a ótica que se difundiu a partir do marxismo, mas de sua existência real. Sua principal mensagem é que em um mercado competitivo não é o industrial que determina o que será produzido, mas o consumidor; este é o verdadeiro patrão capitalista. Outra visão que explora foi da importância do capitalismo para dar suporte ao extraordinário aumento populacional do século XIX que provocou um êxodo sem precedentes para as cidades européias. As primeiras empresas capitalistas surgiram da necessidade de se produzir para obter riquezas para sustentar uma massa de indigentes que ameaçavam colocar toda a estrutura do recém criado estado-nação em colapso.

O desenvolvimento do capitalismo consiste em que cada homem tem o direito de servir melhor e/ou mais barato o seu cliente.


A segunda lição trata do socialismo e sua grande falácia, o da luta de classes. Para Mises não existe a separação entre trabalhadores e patrões pois são os trabalhadores que pagam os salários dos próprios trabalhadores ao adquirir produtos comercializados. O economista observou com propriedade que para ser realmente grande, uma empresa teria de produzir para as massas, o que significava que seu público em potencial eram seus próprios trabalhadores. O socialismo nada mais é do que a tentativa de limitar o poder do consumidor e colocá-lo nas mãos de planejadores sociais, normalmente dentro da estrutura de governo dos estados.

As investidas contra o capitalismo __ especialmente no que se refere aos padrões salariais mais altos __ tiveram por origem a falsa suposicão de que os salários são, em última análise, pagos por pessoas diferentes daquelas que trabalham nas fábricas.


A terceira lição refere-se ao intervencionismo e suas consequências negativas para justamente o público que diz procurar defender, os cidadãos de um país. Normalmente é um dos fatores que induz ao surgimento da inflação, assunto da quarta lição. Mises percebeu que a inflação não era um produto natural da economia, mas uma política deliberada adotada por governos que procuravam sustentar seus gastos públicos crescentes sem recorrer ao aumento de impostos. Era uma estratagema que empurrava para um futuro próximo a irrealidade das próprias contas públicas deficitárias dos governos. Vencer a inflação era apenas uma questão de vontade política, o que foi posteriormente comprovado na década de 90, particularmente na América Latina.

... num sistema desprovido de mercado, em que o governo determina tudo, todas essas outras liberdades são ilusórias, ainda que postas em forma de lei e inscritas em uma constituição


A quinta lição trata de investimento externo e a sexta trata de política e idéias. Mises percebeu que as democracias caminhavam cada vez mais para a influência dos diversos grupos de pressão sobre o poder político e que o homem comum estaria cada vez mais isolado e sem representação. A política não existia sem idéias anteriores e chamava atenção para a necessidade de se combater as más idéias pois estas eram capazes de trazer imensos sacrifícios à humanidade.

..já não existem partidos políticos autênticos, no velho sentido clássico, mas tão somente grupos de pressão.


As seis lições podem ser definidas como um manifesto em defesa da liberdade econômica, um conceito muito mais amplo do que simplesmente capitalismo. Não é a toa que Mises chama atenção para o fato, sem refutá-lo, de que o termo “capitalismo” foi cunhado por seu principal crítico, Karl Marx. O autor confirma a definição e defende a acumulação de capital como o principal fator de progresso material da humanidade e o motivo para que o crescimento populacional fosse possível.

Existem dois méritos evidentes no curto livro, menos de 100 páginas. O primeiro é a extraordinária clareza com que Mises consegue apresentar suas teses e conceitos do liberalismo sem recorrer a definições econômicas. Tudo que o leitor precisa para acompanhar o raciocínio do austríaco é bom senso.

O segundo mérito foi a percepção que o aumento da intervenção do estado na economia era uma crescente e que graves consequências traria para o sistema como um todo. A perda da liberdade econômica não aconteceria isoladamente pois todas as liberdades estavam relacionadas. Só era possível se falar em liberdade política ou social se acompanhada de liberdade para decidir o que adquirir e o que produzir.

Mises não prova suas teses, coisa que fez em outros livros, esses bem mais profundos e com evidências econômicas que sustentam suas idéias. O que faz em As Seis Licões é apresentar sua linha de pensamento e serve como uma importante introdução à sua obra que tanto influenciou economistas do fim do século XX.

sexta-feira, março 12, 2010

Amor a Tarde(1972) - Eric Rohmer


Frederic, bem casado, com um filho pequeno e outro a caminho, que leva uma vida sossegada com uma rotina bem construída. Gosta de passear por Paris na hora do almoço e imaginar romances com as mulheres que vê nas ruas, tudo no mundo das idéias. Considera-se apaixonado pela esposa e jamais deu um passo na direção da infidelidade; na verdade, julga-se incapaz de trair.

Uma das coisas que o cristianismo ensinou foi que é o homem que não teme o pecado o mais vulnerável. Um dia uma ex-namorada de um amigo aparece em sua vida e tornam-se amigos. Frederic começa a gostar de um pequeno jogo de sedução entre eles, talvez envaidecido pela atenção de uma linda mulher.

Quantos homens não passam por dilemas semelhantes? A fidelidade, sem tentação, é muito mais fácil. E quando estamos diante de uma possibilidade de fato de cair que nossa virtude é posta realmente à prova. O homem prudente foge das tentações. Frederic confia em si mesmo e este sempre foi uma porta de entrada para o mal no coração dos homens.

Não é difícil advinhar que logo ele se encontra no dilema da traição. Em um diálogo memorável, pergunta à Chloe se era possível um homem amar duas mulheres ao mesmo tempo. Não foi a primeira vez que escutei a mesma pergunta na minha vida. O que quer Frederic? Uma resposta ou uma justificativa?

Para facilitar, ou complicar, Chloe deixa claro que a decisão é inteira dele e que ela não pretende criar a menor complicação para sua vida. Que ele poderia procurá-la quando desejasse.

Sob esta premissa simples, Eric Rohmer aborda um tema recorrente em sua obra, a fidelidade. Só depois da morte deste grande cineasta francês fui começar a conhecer sua obra, segundo dica da revista Dicta. Até hoje não me deram uma só furada!

Cruzada contra o pensamento?

A pesquisa científica, conforme estudada a partir de Descartes, começa com a identificação de um problema. O pesquisador intelectualmente honesto tem a vontade de descobrir a verdade sobre as coisas, entender o mundo como ele de fato é. A história do século XX foi marcada pela inversão deste pressuposto. Cada vez mais, intelectuais passaram a usar a pesquisa para encontrar elementos que provem sua tese. Parece a mesma coisa, não é. Quem estudou um pouco sobre a vida de Marx, comecem por Rumo a Estação Finlândia, sabe que ele deparou-se com informações que contrariavam sua teoria econômica; simplesmente ignorou-as. Mais do que isso, chegou a alterar dados encontrados em anuários ingleses sobre produção industrial. Era a submissão do intelectual à sua própria vaidade. Marx não poderia admitir, principalmente para si mesmo, que estava errado.

Como deve proceder então um pesquisador sério? Não pode afirmar nada a priori? O método científico prega que a primeira coisa que um pesquisador faz é identificar, dentro de uma área de estudo, um problema. Algo que a explicação não o satisfaz ou que não consegue encontrar uma resposta. Identificado o problema, deve formular a pergunta que quer responder.

Uma das coisas que me chamam a atenção no acompanhamento que faço do mundo moderno, é a falta de tempo do homem moderno. A tecnologia veio para tornar nossas atividades mais rápidas e mais fáceis. Teoricamente deveríamos ter uma sobra de tempo, um convite à ociosidade. Onde esta equação falhou? A primeira vista a resposta parece estar no fato de assumir-mos cada vez mais coisas para fazer, das inúmeras novas possibilidades que o progresso científico nos trouxe. Durante um bom tempo estive satisfeito com esta hipótese.

Até que comecei a perceber que o homem moderno tem cada vez menos tempo para pensar de verdade. Recebemos estímulos de todos os lados, tudo em direção da ação. Temos que fazer exercícios físicos diariamente, academia, encontrar com os amigos, escrever no orkut e outras redes sociais, participar de grupos diversos, terapia, yoga, etc. Não encontro um chamamento para pensar e refletir, tirando a religião; esta cada vez mais combatida. Será que o homem de hoje está sendo deliberadamente afastado do pensamento?

Tive este insight pensando na campanha anti-fumo. Existem uma grande variedade de vícios que fazem mal ao homem, tais como álcool, maconha, cocaína, ecstasy, etc. Por que os governos da Europa e América colocaram no fumo como inimigo número 1 da nova ordem civilizacional? Uma coisa que chamou-me atenção foi o fato do cigarro, no meio destes vícios todos, ser o único que não atrapalha a capacidade de pensamento. Pelo contrário, para muita gente é um estímulo à meditação. Quando estava no Haiti tinha um colega meu que várias vezes ao dia dirigia-se para um jardim e ficava alguns minutos fumando e pensando na vida. Volta e meia eu me juntava a ele e tínhamos conversas ótimas, muitos problemas ele solucionava ali, nestes momentos de reflexão. Mais ainda, filosofava. Na mais séria concepção da palavra. Estaria aí uma chave?

Comecei a identificar nas propagandas, nas leis, indícios que mostrassem que poderia estar havendo uma tentativa deliberada de afastar o homem do pensamento sério. O refrigerante também está começando a ser combatido. Lembro que costumava tomar guaraná para estudar à noite, uma espécie de pecado nos dias de hoje. O leite também tornou-se um vilão. O cafezinho...

Foi então que formulei a pergunta do título: existiria uma cruzada dos engenheiros sociais para desestimular no possível o pensamento humano? Definido um problema, formula-se uma hipótese, como ensina o método. A minha hipótese é que os governos ocidentais, estimulados ou dirigidos por planejadores sociais, em busca de uma ordem perfeita, está agindo deliberadamente para limitar a capacidade de pensamento do homem de hoje.

Paranóia? Pode ser. Mas é uma hipótese. Pode estar certa ou errada, só vou saber se estiver disposto a investigar buscando indícios que a comprovem ou que mostrem que é falsa. É o estágio que estou agora, buscando elementos na realidade e no meu testemunho do mundo que mostrem-me o meu erro.

Não tenho compromisso com a mentira, muito menos com a minha vaidade.

Este é apenas um exemplo das minhas dúvidas atuais. Outro dia fiz uma lista. Tentei escrever rapidamente meu estado de dúvida atual. Em cerca de 20 minutos levantei 50 perguntas. É coisa para mais de uma vida. Tive que selecionar algumas. Pelo menos levantei um roteiro de estudos.

É um começo.

Já sei que nada sei!

domingo, março 07, 2010

O Feijão e o Sonho - Orígenes Lessa

Juca tem uma grande paixão na vida, a poesia. Nada é mais importante para ele do que escrever poemas e seu projeto de vida encontra-se inteiramente voltado para este fim, dedicando-se de corpo e alma. Nenhum outro ofício o interessa, nem mesmo o de professor de uma pequena escola em uma cidade do interior paulista, aliás o único.

O grande problema e dilema de Juca é manter a sua própria família. Juca casou-se, tem filhos. Pouco dinheiro ganhou com a poesia, menos ainda com o jornalismo. Seus filhos passam fome, a esposa tenta fazer milagres com o pouco que tem. A grande questão do livro de Orígenes Lessa é esta: até onde pode ir um homem por seu sonho mais íntimo? Pode sacrificar as pessoas que lhe são mais caras? Deve esquecer o que considera ser sua vocação para viver uma vida burocrática?

Praticamente todo o romance se passa no embate entre o sonhador Juca e sua esposa, a realista ao extremo Maria Rosa. Ela não consegue aceitar que tenha que viver na miséria junto com os filhos para que o marido dedique seu tempo e seu esforço para perseguir seu grande sonho. Ela simplesmente não o compreende, da mesma maneira que Juca não consegue compreender porque a esposa dá mais valor a pagar suas contas no mercado do que uma estátua grega. Em muitos momentos a comunicação é rompida, falam idiomas diferentes.

Juca e Maria Rosa são ampliações do dilema que muitas pessoas sentem em seu íntimo ao longo da vida. Possuem um sonho e a vontade de realizá-lo, no entanto a vida coloca obstáculos a todo momento. Devem ir atá o fim? Ou existe um ponto que devem aceitar e mudar o projeto que cada um tem para si?

Particularmente acho que o homem deve cumprir com todas as suas obrigações para com a sociedade, principalmente as que contraiu por vontade própria. Ninguém obrigou Juca a casar, muito menos a ter filhos. Sustentá-los é uma obrigação sua ou não casasse. O que não se pode é fugir de responsalidades assumidas, mesmo que atinjam o nosso projeto pessoal. Também ninguém deve se anular totalmente, uma família jamais pode ser uma prisão ou um estorvo.

Uma pena que Lessa tenha optado pela solução fácil e feito Juca ter sucesso no fim. Ficou a impressão que valeu a pena ter negligenciado os filhos e a esposa, obtendo a tão sonhada recompensa. O próprio Juca admite no fim que não chegou a conhecer os próprios filhos e era um estranho em sua própria casa. É um preço a se pagar por deixar o mundo real e as pessoas que amamos na procura de nossos desejos, muitas vezes frutos de nosso egoísmo.

sexta-feira, março 05, 2010

Democracia

Outro dia eu estava comentando com um amigo sobre as próximas eleições presidenciais. Entre Dilma e Serra, eu serei obrigado a votar neste último por um simples motivo: ele é uma ameaça menor para a democracia. O PSDB não tem comando nenhum sobre os movimentos sociais, ONGs e sindicatos; o mesmo não se pode dizer sobre Dilma e o PT. Além do que, por princípios, jamais votarei em uma ex-terrorista, sé é possível utilizar este "ex".

Mas não é sobre Dilma, Serra e eleições que este post se refere. Trata-se de algo mais profundo e mais importante, a democracia. Este colega argumentou que não era partidário deste tipo de regime, que era a favor de uma um governo exercido por uma oligarquia. Parei para pensar. De fato, cada vez vejo menos pessoas dispostas a defender os valores democrático. Em um exercício de dinâmica de grupo, tratando sobre males que poderiam acontecer como a humanidade, a esmagadora maioria dos meus colegas descartou como um mal o fechamento da imprensa por 6 meses; chegaram a dizer que era pouco, se não seria possível fechá-la por 2 anos.

Acho isso tudo muito perigoso. A democracia é um regime instável por natureza, talvez o único que permita o contraditório em seu próprio seio. É possível ser anti-democrático nos Estados Unidos, mas não é possível ser democrático em Cuba. Talvez por isso precise que seja constantemente defendido. Uma das minhas investigações pessoais é sobre este crescente descrédito dos valores democráticos, resultando na proliferação de democracias de fachada ou semi-democracias, entre as quais incluo o Brasil.

A pergunta que me coloquei há algum tempo, e que todos deveriam pensar a respeito, é o que caracterizaria de fato um regime democrático. É possível em estado puro? Uma nação pode ser completamente democrática? Como está a situação hoje? Somos mais democráticos agora do que em 1989, quando o comunismo foi supostamente derrotado?

Estou longe de chegar nas respostas que busco, mas algumas linhas de investigação já se abrem a minha frente. Uma delas é a questão da representatividade. Acredito que para que haja um regime democrático de fato é preciso que toda a sociedade seja representada no parlamento, que deveria expressar a vontade da nação.

Isso acontece hoje?

Com a proliferação da cobertura da mídia em uma sociedade da informação, começo a perceber que a essência da atual representação parlamentar, no Brasil ou mesmo nos países de primeiro mundo, é a capacidade dos grupos de pressão em pressionar parlamentares. É possível identificar representantes de entidades de classe, seguimentos, algumas religiões, sindicatos, professores, alunos universitários, etc. Todos que sejam capazes de usar um megafone e conseguir ressonância na grande imprensa, são as verdadeiras influências nas sombras dos deputados e senadores no mundo inteiro. Todas as camadas da sociedade estão representadas? Aí que começa o problema.

O cidadão comum, por exemplo, não se sente representado no Brasil e cada vez menos nos países do primeiro mundo. O que vale são os movimentos políticos organizados, com a colaboração criminosa de jornalistas ideologicamente comprometidos. Um deputado está mais preocupado em agradar determinados grupos universitários do que alunos em alfabetização; estes não fazem pressão. Hoje não consigo identificar um único deputado no Congresso que possa dizer que está me representando. Uma imensa massa de pessoas, talvez a maior parte de um país, está completamente excluída da vida política, só ganhando alguma importância na época de eleições para legitimar a situação vigente. O resultado é um tipo de totalitarismo totalmente novo, uma ditadura "democrática".

A democracia nunca foi tão elogiada, justamente no momento que serve de justificativa para a concentração criminosa de poder na mão do estado. Não sei onde vamos parar, creio que esta espiral é irreversível. O estado terá cada vez mais poder até chegar a um ponto de ruptura onde sabe-se lá o que pode acontecer, mas isso é outra estória. O fato é que não encontro uma voz na sociedade para defender algo parecido com meu pensamento, embora, isso é importante, conheça um monte de gente que pensa parecido comigo. Se fosse uma voz isolada, vá lá, mas sabendo que meus valores estão em consonância com uma parte considerável da população, como indica diversas pesquisas e censos, por que não conseguimos ser ouvidos? Mais ainda, por que somos tratados como párias sociais?

Tudo isso para dizer que a democracia não está consolidada em lugar nenhum, muito pelo contrário. A hipótese que começo a investigar agora é justamente a que apresentei aqui: uma grande parte da sociedade não encontra representação parlamento; mais ainda, na política nacional. Isto é verdade? Quais as consequências? Até onde poderemos chegar com esta distorção da democracia?

São questões que me coloco e que passo a estudar. Contando com a inspiração de Deus.