sexta-feira, março 05, 2010

Democracia

Outro dia eu estava comentando com um amigo sobre as próximas eleições presidenciais. Entre Dilma e Serra, eu serei obrigado a votar neste último por um simples motivo: ele é uma ameaça menor para a democracia. O PSDB não tem comando nenhum sobre os movimentos sociais, ONGs e sindicatos; o mesmo não se pode dizer sobre Dilma e o PT. Além do que, por princípios, jamais votarei em uma ex-terrorista, sé é possível utilizar este "ex".

Mas não é sobre Dilma, Serra e eleições que este post se refere. Trata-se de algo mais profundo e mais importante, a democracia. Este colega argumentou que não era partidário deste tipo de regime, que era a favor de uma um governo exercido por uma oligarquia. Parei para pensar. De fato, cada vez vejo menos pessoas dispostas a defender os valores democrático. Em um exercício de dinâmica de grupo, tratando sobre males que poderiam acontecer como a humanidade, a esmagadora maioria dos meus colegas descartou como um mal o fechamento da imprensa por 6 meses; chegaram a dizer que era pouco, se não seria possível fechá-la por 2 anos.

Acho isso tudo muito perigoso. A democracia é um regime instável por natureza, talvez o único que permita o contraditório em seu próprio seio. É possível ser anti-democrático nos Estados Unidos, mas não é possível ser democrático em Cuba. Talvez por isso precise que seja constantemente defendido. Uma das minhas investigações pessoais é sobre este crescente descrédito dos valores democráticos, resultando na proliferação de democracias de fachada ou semi-democracias, entre as quais incluo o Brasil.

A pergunta que me coloquei há algum tempo, e que todos deveriam pensar a respeito, é o que caracterizaria de fato um regime democrático. É possível em estado puro? Uma nação pode ser completamente democrática? Como está a situação hoje? Somos mais democráticos agora do que em 1989, quando o comunismo foi supostamente derrotado?

Estou longe de chegar nas respostas que busco, mas algumas linhas de investigação já se abrem a minha frente. Uma delas é a questão da representatividade. Acredito que para que haja um regime democrático de fato é preciso que toda a sociedade seja representada no parlamento, que deveria expressar a vontade da nação.

Isso acontece hoje?

Com a proliferação da cobertura da mídia em uma sociedade da informação, começo a perceber que a essência da atual representação parlamentar, no Brasil ou mesmo nos países de primeiro mundo, é a capacidade dos grupos de pressão em pressionar parlamentares. É possível identificar representantes de entidades de classe, seguimentos, algumas religiões, sindicatos, professores, alunos universitários, etc. Todos que sejam capazes de usar um megafone e conseguir ressonância na grande imprensa, são as verdadeiras influências nas sombras dos deputados e senadores no mundo inteiro. Todas as camadas da sociedade estão representadas? Aí que começa o problema.

O cidadão comum, por exemplo, não se sente representado no Brasil e cada vez menos nos países do primeiro mundo. O que vale são os movimentos políticos organizados, com a colaboração criminosa de jornalistas ideologicamente comprometidos. Um deputado está mais preocupado em agradar determinados grupos universitários do que alunos em alfabetização; estes não fazem pressão. Hoje não consigo identificar um único deputado no Congresso que possa dizer que está me representando. Uma imensa massa de pessoas, talvez a maior parte de um país, está completamente excluída da vida política, só ganhando alguma importância na época de eleições para legitimar a situação vigente. O resultado é um tipo de totalitarismo totalmente novo, uma ditadura "democrática".

A democracia nunca foi tão elogiada, justamente no momento que serve de justificativa para a concentração criminosa de poder na mão do estado. Não sei onde vamos parar, creio que esta espiral é irreversível. O estado terá cada vez mais poder até chegar a um ponto de ruptura onde sabe-se lá o que pode acontecer, mas isso é outra estória. O fato é que não encontro uma voz na sociedade para defender algo parecido com meu pensamento, embora, isso é importante, conheça um monte de gente que pensa parecido comigo. Se fosse uma voz isolada, vá lá, mas sabendo que meus valores estão em consonância com uma parte considerável da população, como indica diversas pesquisas e censos, por que não conseguimos ser ouvidos? Mais ainda, por que somos tratados como párias sociais?

Tudo isso para dizer que a democracia não está consolidada em lugar nenhum, muito pelo contrário. A hipótese que começo a investigar agora é justamente a que apresentei aqui: uma grande parte da sociedade não encontra representação parlamento; mais ainda, na política nacional. Isto é verdade? Quais as consequências? Até onde poderemos chegar com esta distorção da democracia?

São questões que me coloco e que passo a estudar. Contando com a inspiração de Deus.

Nenhum comentário: