sexta-feira, abril 23, 2010

Mosaico da Economia - Eliana Cardoso

Um dos problemas de criar uma grande expectativa por um livro é terminar sentindo uma enorme decepção. Este foi o caso desta obra da economista Eliana Cardoso.

Quando escutei uma matéria sobre o livro na rádio CBN no fim do ano passado, inclui o livro em minha lista de leitura. A impressão que tive era que se tratava de mais uma obra que procurava explicar com simplicidade os conceitos econômicos, utilizando o panorama nacional e internacional para mostrar na prática o que é a economia. Algo no estilo do excelente "Economia sem Truques".

Enganei-me redondamente. Não sei o que Eliana Cardoso tentou fazer neste livro. Se procurou usar a clareza, foi muito mal sucedida, pois achei suas idéias uma tremenda confusão. Teve horas que defendeu o livre mercado, sua citação mais frequente era Keynes, ignorou a participação do governo americano na bolha imobiliária, reclamou dos gastos públicos brasileiros, defendeu a distribuição de renda. Afinal, o que ela defende? Liberalismo ou intervencionismo?

Mas tudo isso poderia ficar para trás, pois muitas de suas análises foram até interessantes; outras, nem tanto.

O problema começou, de verdade, com sua intenção de usar a literatura e a poesia para chamar atenção de suas idéias. Como leitora, é uma grande economista. Em Orgulho e Preconceito consegue ver Lizzy como uma espécie de feminista moderna lutando contra os dois vícios do Sr Darcy sem perceber que a moça era tão orgulhosa e preconceituosa como ele. Coisa que a própria Lizzy admite no romance.

Para piorar ainda mais, quis usar seu livro para afirmar seu ateísmo e desprezo pela religião. Para ela, o culpa das instituições brasileiras não funcionarem e não termos o progresso econômico desejado é de São Tomás de Aquino!

Aproveitou o livro para fazer também a defesa do ideário da esquerda festiva americana com a defesa do aborto, liberação das drogas (menos o cigarro, claro), agenda verde, escola para bandido e tudo mais que tem direito.

Foi um destes livros que li por insistência. Na esperança que algo o salvasse.

Não vi nada.

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