segunda-feira, maio 31, 2010

Exercício de filosofia: Santo Agostinho e a Ordem

Seguir e perceber a ordem das coisas, caro Zenóbio, a que se refere cada uma em particular, e ainda mais ver e explicar a ordem do universo, que guia e governa o mundo, é muitíssimo difícil e raro para os homens. Acrescente-se a isto o fato de que embora alguém o possa fazer, não consegue encontrar um ouvinte que, quer pelo método de sua vida, quer por certa situação de conhecimento, seja digno de coisas tão divinas e obscuras.


Estas são as palavras com que Santo Agostinho abre o diálogo "Sobre a Ordem", onde investiga a existência da ordem no universo. Comecei a reler este diálogo seguindo um exercício proposto pelo mestre Olavo de Carvalho no seu curso do filosofia.

Trata-se de "comer" uma obra filosófica, ou seja, incorporar todo o pensamento de um filósofo que você tenha admiração. O exercício é simples, não ler mais do que uma ou duas frases por dia e meditar profundamente sobre elas. Um grande filósofo condensa pensamentos profundos em poucas palavras e muitas vezes passamos por cima na pressa do nosso dia a dia.

Bem, escolhi este livro de Santo Agostinho para praticar o exercício e essas são as duas primeiras frases. Acho que fui muito feliz porque elas realmente são profundas e me levaram a meditar bastante.

Divido algumas conclusões que cheguei:

  1. Existe uma ordem no universo que governa o mundo.
  2. Mundo e universo são coisas diferentes.
  3. Perceber e seguir esta ordem é muito difícil. Agostinho considera, portanto, que é possível não seguir a ordem o que sugere o determinismo não é absoluto.
  4. Ver e explicar a ordem é ainda mais difícil e raro.
  5. É difícil também encontrar um ouvinte pois para perceber esta ordem é preciso tanto ter méritos quanto um certo grau de conhecimento. Isso sugere que conhecimento e evolução caminham lado a lado (uma idéia de Sócrates) e que são exigências para ser digno do saber (a verdade também é uma dádiva, uma idéia cristã). Aqui também há uma possível referência ao Mito das Cavernas de Platão.
  6. A ordem é uma coisa divina e obscura, mostrando que há uma conotação de mistério na Revelação divina.
Vejam quantos pontos importantes Agostinho toca em duas frases. Existe uma ordem no universo? Como se articulam livre-arbítrio e determinismo na existência humana? É possível ver a verdade? Qual a sua natureza? É possível transmiti-la? É possível atingir sabedoria sem evolução moral?

Só estas duas primeiras frases já valeram o exercício e porque Olavo de Carvalho é um dos poucos no Brasil realmente capacitados a ensinar filosofia. Se não for o único.

O perfil ideológico do brasileiro e suas contradições

Muito interessante a pesquisa que o DATAFOLHA realizou sobre a preferência ideológica do brasileiro. Existem duas formas de ver os números, dependendo de como se considera as regiões cinzentas do "centro-esquerda" e do "centro-direita". O que não pode é misturar as duas coisas, hora considerar centro-direita como centro e outra como direita, de acordo como o que se quer demonstrar. É uma técnica de trapaceiro intelectual e é muito utilizada na questão racial no Brasil[1].

Se considerarmos centro-esquerda como esquerda e o mesmo para centro-direita, temos a seguinte distribuição no Brasil:
Esquerda: 20%
Centro: 17%
Direita: 37%
Não sabem: 26%

Não deixa de ser surpreendente que depois da algumas décadas de domínio cultural esquerdista, por parte de intelectuais e jornalistas, ainda tenhamos quase o dobro de brasileiros se declarando de direita em relação aos de esquerda. Não é de hoje que direita significa uma espécie de palavrão por aqui. Em "Vícios privados, benefícios Públicos", Eduardo Gianetti já lembrava que Nelson Rodrigues chegou a escrever que era o único direitista do Brasil!

Eu sempre achei que a maioria dos brasileiros expressassem valores conservadores e fossem incapazes de relacionar estes valores com o que comumente se chama de direita. A maior surpresa para mim é que boa parte dos brasileiros não só expressam o conservadorismo como reconhecem esta expressão.

Como explicar então que não tenhamos um candidato de direita nas eleições deste ano, repetindo o quadro das duas últimas eleições? Como se explicar que o presidente da república venha a público afirmar que felizmente só haverá candidatos de esquerda e isso não ser um escândalo? Pelo menos 37% dos brasileiros não se acham representados em uma disputa eleitoral para a presidência da república; qual a implicação para um sistema democrático?

A situação é tão aberrante, que ser de direita na política brasileira significa ser menos esquerda, ou mesmo de centro. Com explicar que o PSDB seja considerado de direita por 51% dos seus simpatizantes? Ou que Serra seja considerado de direta por 43% dos seus simpatizantes? Considerar o PSDB e Serra como expressões da direita brasileira é algo de surreal.

Se considerarmos os centro-esquerdas e centro-direitas de centro, temos os seguintes números:
esquerda: 12%
centro: 38%
direita: 24%
não sabe: 26%

Novamente, a direita tem a vantagem sobre a esquerda de 2 para 1. Isso tudo, repito, depois de anos de massacre cultural sobre a direita. Como pode este sentimento resistir tanto tempo no espírito das pessoas?

Pessoalmente só vejo uma explicação. A verdade está ao seu lado. Só assim para entender porque um sentimento permanece vivo depois de tanto massacre midiático e praticamente sem vozes ou espaço para defesa. O que temos defendendo os valores conservadores na mídia brasileira? Reinaldo Azevedo na Veja, Olavo de Carvalho no Diário do Comércio e em seu site e pouca coisa mais. É ou não é um feito e tanto?

Fico só imaginando se estas vozes fossem multiplicadas, se os espaços dos jornais e revistas fossem realmente divididos entre direita e esquerda o que restaria desta última, pois a realidade imediata, aquela que cada pessoa com um mínimo de bom senso e honestidade consigo mesma consegue perceber mostra que o discurso da esquerda não tem lastro na existência, é uma enorme empulhação para criar benefícios para uns poucos privilegiados. Só com muito propaganda para tamanha impostura prosperar.



[1] Técnica muito bem documentada por Ali Kamel em seu indispensável "Não Somos Racistas". No caso, o elemento "mutante" são os pardos. Eles são considerados negros para evidenciar uma maioria negra no país, no entanto são excluídos na hora de se considerar determinados aspectos que contrariam a idéia do preconceito racial no país.

domingo, maio 30, 2010

Mrs Dalloway (Virginia Woolf)


Mrs Dalloway é a esposa de um político de certo sucesso na Londres pós I Guerra Mundial. Com uma vida confortável, sem nunca ter passado nenhuma privação em sua vida, ela prepara-se para dar uma festa em sua casa para um grupo de convidados. Ao longo do dia da festa, Virginia Woolf acompanha instantes de vários personagens, mostrando sua visão da sociedade de sua época.

Além de Clarissa Dalloway, uma mulher que optou pela segurança do casamento com Richard ao invés do passional Peter Walsh e que guarda a lembrança de um beijo da amiga Sally, 34 anos atrás. Clarissa é a típica pessoa que reflete sobre uma decisão do passado e sua vida atual, procurando responder para si mesma se fez a melhor escolha.

Trata-se de um romance existencialista, onde os diversos personagens passam por momentos que os fazem questionar suas vidas e descobrir um pouco de si mesmos. Além de Clarissa, Septimus Warren Smith, veterano de guerra, enfrenta o trauma do pós-guerra, talvez por nunca ter superado a perda de seu comandante, Evans, em nova sugestão de homossexualismo pela autora.

Eu esperava mais do livro. Algumas situações me pareceram inverossímeis, como o suicídio de Septimus. A crítica que faz do cristianismo, através de Miss Kilman, também me pareceu sem muito propósito. Para Virginia Woolf, o cristianismo só tinha sentido como um escape para o fracasso pessoal, como forma de dar vazão ao enorme ressentimento pelo fracasso pessoal.

No entanto, o romance tem seus méritos, como o talento da escritora em usar acontecimentos corriqueiros de uma vida pessoal para fazer reflexão sobre seu significado e a investigação da própria personalidade.

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Now playing: Budgie - Breaking All the House Rules
via FoxyTunes

segunda-feira, maio 24, 2010

O problema da incerteza

Um dos meus interesses de estudo é como se divide a humanidade em termos de idéias. O ponto de partida clássico é a questão de esquerda x direita, o que de cara impõe alguns problemas.

Primeiro é que a direita não existe. Ela é um rótulo dado a todos que se colocam em campo oposto a ideais socialistas. Não existe, e nunca existiu, uma organização internacional para conquista de poder e implantação dos valores que são associados pelos "esquerdistas" à direita. As pessoas que são classificadas pelos socialistas em direitista ou conservadores são simplesmente pessoas que desejam controlar as próprias vidas.

Outro problema é que os esquerdistas assumiram o monopólio do uso da linguagem. Qualquer um que perceba as contradições do pensamento socialista fica sem palavras para expor o próprio pensamento. Um exemplo simples é o monopólio da expressão "justiça social". Ser de direita é automaticamente ser considerado contra a justiça social e por extensão contra os mais pobres. Como argumentar que não há injustiça social maior do que condenar milhões de pessoas à eterna pobreza como se fez no século XX em diversos países? A idéia da igualdade como um fim a ser alcançado é um absurdo completo pois pode significar tanto uma igualdade na riqueza (uma impossibilidade econômica pela escassez de recursos) quanto uma igualdade na pobreza (uma realização prática de todos os governos comunistas da História).

Rejeitando a classificação esquerda X direita, como se divide o mundo em termos de idéias? É possível usar dois rótulos em oposição, uma dialética humana?

Parece-me que existe na verdade uma grande questão em jogo, o problema do livre arbítrio e, por extensão, da responsabilidade individual. E qual o problema livre arbítrio? A sua maior consequência, a incerteza.

Existem pessoas que não conseguem viver com a perspectiva de um futuro incerto, com a idéia de que o futuro não dependa de si próprias. O livre arbítrio é a origem de todo o problema pois se o homem pode escolher livremente seu destino então pode decidir entre o bem e o mal; mais ainda, é responsável por suas decisões individuais.

Estas pessoas querem decidir o mínimo possível e não ser responsabilizadas por suas decisões. O problema é que a vida é uma sequência de tomadas de decisões e se ela não quer tomar uma decisão, alguém terá de fazê-lo. Surge então a figura salvadora do Estado. O que for possível passar para sua tutela, melhor.

No fundo, o pensamento dos esquerdistas é um pensamento cômodo. Sempre se pode culpar alguém pelas desgraças humanas, desde que não seja o indivíduo.. O problema de culpar alguém pelo mal praticada significa reconhecer que também está sujeito a praticar o mal e isso é uma idéia aterrorizante para uma mente esquerdista. Uma pessoa não mata pela ação do mal, mas pela imposição da sociedade. Uma pessoa não fracassa por decisões erradas, mas pela injustiça do sistema capitalista. No limite, chega a colocar culpa em determinadas pessoas (Bush, o Papa, etc), mas desde que fique claro que é uma pessoa completamente oposta de si própria, uma impossibilidade e no fundo é utilizada para representar seus próprios demônios imaginários.

O esquerdista sente-se feliz por suas idéias, pois elas os libertam da responsabilidade por seus atos. Sentem-se superiores em uma missão de iluminar a humanidade.

Os chamados conservadores ou direitista ou qualquer outro adjetivo substantivado que os socialistas gostam tanto, ao contrário, sentem-se infelizes com suas próprias idéias porque percebem que o destino do mundo está em cada ato individual, inclusive do seu próprio. Por isso esse ser tão odiado é por vezes visto como um pessimista, até por si mesmo, pois a sua visão de mundo o deixa angustiado. O esquerdista é um otimista por natureza, com a tranquilidade que não tem responsabilidade por nada que possa acontecer. Ele não tem que lidar com a culpa, este sentimento de humildade tão caro para os que não acreditam nas teses socialistas. Estes sentem culpa o tempo todo pois sabem que ao praticar o mal fazem o mundo pior.

Um conservador, um termo ainda inapropriado, quer apenas ser deixado em paz com suas culpas e seu pessimismo. Um direito que um esquerdista não aceita pois sua visão é universal. Aceitar o destino incerto de uma única pessoa é aceitar a incerteza para si mesmo. Seu principal desejo existencial é a certeza, para o próximo e, principalmente, para si mesmo. Por isso aceitam a igualdade, mesmo com ineficiência. O que não podem é algumas pessoas conseguirem sucesso e outras não, pois ao medo que esteja neste último grupo é para elas insuportável.

sexta-feira, maio 14, 2010

A Mão e a Luva

Machado de Assis, 1874

Em suas primeiras obras, Machado ainda estava influenciado pelo romantismo, muito embora já mostrasse traços do realismo e da fina ironia que iria permear sua obra posteriormente. Pode-se dizer que A Mão e a Luva é uma obra romântica, ou quase.

Este quase vai pelo toque de Machado. Sua horoína não é perfeita. Embora tenha uma natureza boa, ele não deixa de apontar-lhe os defeitos. Depois da declaração de Estevão, um pretendente, Machado descreve: "Guiomar não tinha um coração tão mau, que lhe não doessem as mágoas de um homem que acertara ou desacertara de a amar". A moça gostava que lhe admirassem, mas que mantivessem a distância e não se declarassem.

Estevão por outro lado, era o típico herói de romance. Bom amigo, apaixonado, eloquente, disposto a conquistar o coração de sua amada. Só que ele não é o herói de Machado. Pelo contrário, seu destino é a frustração de não conseguir o amor de Guiomar.

Trata-se de Luís Alves, o amigo rico que deseja ser deputado, o verdadeiro herói de Machado. Para ter uma idéia do caráter do rapaz, sobre a amizade com Estevão, Machado afirma que era menos do que de Estevão para ele, o mesmo que afirma do amor entre ele e Guiomar futuramente. Luís Alves era um bom rapaz, mas retribuía sempre menos do que recebia.

Essa é estória de amor entre Luís Alves e Guiomar, ele um rapaz ambicioso que deseja carreira na política, ela uma jovem um tanto frívola que pretende ficar acima dos homens. Não foi o amor e a paixão que fizeram Luís Alves conquistar a moça ao mesmo tempo que estava a serviço de Estevão sondando-lhe o coração, mas o puro cálculo psicológico e a percepção que estava diante de uma futura esposa adequada para suas pretensões de vida.

Por tudo isso, A Mão e a Luva já mostrava uma tendência ao rompimento das amarras do romantismo e o leitor atento já começa a perceber as marcas que Machado consagraria em suas obras maiores. Era um autor ensaiando e polindo a própria genialidade.

terça-feira, maio 11, 2010

Começou a Copa do Mundo

Dunga anunciou sua lista.

Rápido e rasteiro. Achei uma lista medíocre.

Sim, Ganso e Neymar são jovens, inexperientes. Por isso temos 23 jogadores para uma Copa, dá espaço de sobra para arriscar. Era nossa chance de surpreender os adversários. Os europeus estão cansados de jogar contra Kaká, Robinho e cia. Além do mais, estes dois estão em péssima fase. O primeiro está brigando por espaço com o C Ronaldo, o segundo está sendo carregado nas costas pelos meninos da vila.

Será que Dunga levaria Pelé para uma copa?

O Brasil pode até ganhar a Copa. Mas com um time destes vai ser um pecado para o futebol.

segunda-feira, maio 10, 2010

Poemas de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa criou algumas personalidades para escrever suas poesias. Uma delas era o engenheiro naval Álvaro de Campos. Através dele, Pessoa mostrava a relação do homem com a modernidade, tanto na euforia quanto na desilusão.

Campos é um homem da ciência e é tomado de entusiasmo pelas maravilhas da tecnologia.

"À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
tenho febre e escrevo.
Escrevo rangando os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos."

No entanto, vai caindo em uma espécie de desilusão ao compreender as contradições, ao conflito que uma vida materialista vai gerando em relação a uma vida espiritual. A modernidade começa a encomodá-lo e o poeta não sabem bem o porquê.

Surge a crítica social:

"Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas!
Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios!
Eh-lá-hô recomposições ministeriais!
Parlamentos, políticos, relatores de orçamentos.
Orçamentos falsificados!
(Um orçamento é tão natural como uma árvore
E o parlamento tão belo como uma borboleta)."

O desalento:

" Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância..."

A desesperança:

"Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio."

A velocidade dos tempos que se iniciavam:

"Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima.."

Em muita coisa identifiquei-me com Álvaro de Campos. Não sei é uma tendência de encontrar na poesia um reflexo de nossa alma ou se realmente os poemas de Pessoa fizeram-me refletir sobre coisas que ainda não tinha pensado. Talvez aí esteja o grande talento de um poeta, fazer-nos perceber nossas próprias contradições e encontrar uma expressão para algo que nem sabíamos definir.

Grécia e crise financeira

O lugar comum é colocar a culpa da crise econômica no mercado financeiro e na sua desregulamentação. A cobiça dos grandes capitalistas teriam levado o mundo ao buraco por irresponsabilidade e ganância sem freios. Mais detalhes é só procurar no New York Times ou outro jornal progressista da atualidade. A culpa dos males do mundo é sempre do capitalismo.

A análise mais interessante que li foi de David P Goldman em sua estréia na revista First Things, relacionando a crise econômica com a demografia. Mais ainda, afirmando que a raiz da crise é a própria demografia, mais precisamente, a opção dos países mais ricos em não ter filhos. Infelizmente o artigo original não está mais disponível gratuitamente, mas um certo Winston Smith fez uma resenha dele aqui.

O próprio Goldman escreveu com o pseudônimo de Spengler, suas teses no Asia Times.

Lembro a frase de um livro do Mises que li recentemente. Ele afirma que o maior privilégio de um país rico, é agir estupidamente por mais tempo. Infelizmente, para a Grécia, este tempo acabou.

Se Goldman estiver certo, os países com baixa taxa de natalidade começarão a desmoronar pois não há mais jovens no mundo em condições de receber créditos. Sobrarão gente disposta a emprestar (40 a 64 anos) e gente disposta a gastar (acima dos 65 anos). A conta não fecha. A Grécia pode ser o primeiro caso de uma série.

Não é a toa que a mais importante medida tomada pelo governo grego foi cortar drasticamente as aposentadorias. Nenhum governo no mundo, ainda mais socialista, faz isso se não for obrigado.

Veremos os próximos acontecimentos.

Brasileirão: primeira rodada

Mais uma vez o brasileirão começou ofuscado pela fase final da Libertadores e Copa do Brasil.

De um lado, temos os clubes que começam preocupados com os jogos decisivos que terão pela frente. É o caso de Flamengo, Inter, Cruzeiro, São Paulo, Santos, Grêmio, Vitória e Atlético-GO.

Um outro grupo começa com o gosto amargo de ter sido eliminado dias antes do início da competição. É o caso de Corinthians, Vasco, Palmeiras e Fluminense.

O terceiro grupo é os dos que foram eliminados das competições a mais tempo.

Do que vi, apenas Botafogo e Santos valeu a pena.

O resto foi de uma chatice de dar dó.

domingo, maio 09, 2010

Esticando a corda


O PT continua testando os limites institucionais até onde der, mostrando mais uma vez que os limites da democracia são condicionantes que devem ser dobradas. Na essência, o partido é profundamente anti-democrático. Obedece quando não tem opção. O Brasil não é uma Venezuela porque Lula e seus sequazes não podem, não porque não queiram. Afinal, Lula sempre deixou claro que naquele país tem democracia até demais...

Ainda tenho minhas dúvidas se a intenção do presidente é ganhar as eleições. Tem horas que parece que está fazendo de tudo para sabotar a própria candidatura, como o desastre de ter uma Marcelo Branco comandando sua equipe de internet. Um homem capaz de grafar "cituação" e nem ficar corado! Só para ter uma idéia, foram capazes de colocar na rede uma "entrevista" de madame Rousseff em que a mesma afirma que Vidas Secas retrata a imigração do nordeste para o Brasil.

Abre parênteses. Tivesse José Serra dito algo semelhante, estaria execrado em todos os meios de comunicações. Obviamente trata-se de uma gafe, mas a lei no Brasil, em um torto princípio de independência, é só dar destaque a uma gafe de um candidato quando houver uma outra do adversário para contrabalançar. Claro que só vale para o candidato mais a esquerda, se o menos a esquerda soltar a gafe, este é execrado sem dó nem piedade. Fecha parênteses.

Retomando, um cidadão comum, como este escriba, não em como saber o que realmente estão tramando nossos políticos. Desconfio que coisas bem distante do que lemos dos analistas políticos. Aliás, sobre jornalistas, é bom ter sempre em mente 3 regrinhas básicas:

1. Eles sabem muito menos do que aparentam.
2. Eles constantemente erram.
3. Eles nunca são responsabilizados quando erram.

Sobre jornalismo, vale a pena ler a coluna do Olavão no Diário do Comércio onde explica porque a profissão é uma espécie de irmão menor da história e alguns problemas que decorre desta idéia.

Divaguei novamente.

Sempre tive uma intuição de que o governo entrou nesta eleição para perder. Não acho crível que se lance uma candidata tão ruim de vender, eleições é marketing, como a ex-terrorista e que se cometa tanta barbaridade junta como se tem cometido. Quer dizer que ela não pode vencer? Não necessariamente, Quero dizer apenas que ela pode ter sido lançada para perder.

Quais seriam os motivos? Um deles seria a eleição de 2014. Creio que D Lula vai querer retornar como uma espécie de salvador da pátria. É bom lembrar de algo de razoável que Marx disse no meio daquela bobageira toda que tanto seduz o incauto: a estória se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa. Junte isso com "Getulho", como gosta de escrever o "intelectual" Emir Sader, o que mostra a pobreza de nossa alta cultura, e temos aí um bom conselho para o atual imperador do Brasil. Cautela. Pois bem, Lula I estaria pensando em Lula II e por isso não estaria interessado em ver um presidente petista concorrendo a re-eleições em 2014, ainda mais com o controle da máquina.

A segunda razão que vejo para a possibilidade de ter lançado uma candidata para perder é o fato de acreditar que a eleição já esteja perdida. Tendo rifado toda liderança de seu partido, todos por envolvimento com bandidagem de tudo quanto é jeito (o Brasil é o país dos 40 ladrões, mas ninguém consegue achar o Ali Babá...), Lula I resolver lançar um candidato apenas para defender cegamente o partido. Em se tratando de cego, ninguém melhor que a ex-terrorista. Insisto na palavra, acho relevante que um candidato a presidente tenha sido terrorista um dia.

Uma outra razão, que não acredito, é que trata-se de um acordo entre as esquerdas para alternância no poder. No fundo, PSDB e PT estariam no mesmo projeto, um representando a esquerda carnívora e outra a herbívora, dentro do conceito que acho equivocado dos autores de O Retorno do Perfeito Idiota Latino-americano II. No fundo, os esquerdistas são todos carnívoros. Apenas alguns se fingem de vegetarianos, até para si mesmos.

De qualquer modo, é algo que nunca saberemos ao certo. Lula lançou Dilma para vencer ou para perder? Sinceramente, não sei. Mas não vejo porque descartar qualquer hipótese. O que não impede que termine vencendo, o que acho improvável.

quinta-feira, maio 06, 2010

Fenix rubro-negra

O Flamengo quase pagou um preço alto por ter se negado a jogar durante boa parte do primeiro tempo. Felizmente levou dois gols logo no início. Paradoxo? Nenhum. Se virasse o jogo no 0 x 0 poderia estar fora gora. O fato é que a desvantagem no marcador forçou o time a jogar futebol, pois até então se limitara a dar chutes para a frente na esperança do tempo passar.

Fez um excelente segundo tempo e só não ganhou o jogo porque tem uma séria deficiência em conclusão. Já pagou caro por isso este ano (derrotas para o Botafogo e o empate com Universidade do Chile). Felizmente o resultado serviu e apesar da derrota, o time passou de fase.

Em tese, o próximo desafio é bem mais fácil. Na prática, o time é extremamente irregular, tem dificuldade em aproveitar as oportunidades, uma propensão por expulsões infantis e um certo grau de displicência.

Para quem esteve praticamente fora do Campeonato, torcendo por três resultados simultâneos, o que acabou acontecendo. Ressurgiu das cinzas.

quarta-feira, maio 05, 2010

Padres pedófilos ou pedófilos padres?

Tenho acompanhado esta confusão toda sobre a pedofilia na Igreja Católica. Na minha concepção trata-se de uma das práticas mais bizarras da espécie humana e algo indefensável sob todos os aspectos. Não deveria haver perdão neste mundo para um pedófilo, é cana para o resto da vida sem nunca mais colocar os pés para fora da prisão. Não creio que há recuperação possível para um doente deste nível e mesmo que haja, não vale o risco. Nenhum psiquiatra do mundo pode garantir que alguém está "curado" de pedofilia, no mínimo seria colocar alguma criança do mundo em risco ao soltar alguém que tenha praticado pedofilia, como se ficou bem evidente no recente e trágico caso de Ceilândia.

Feito esta introdução, o foco deste post é outro, a relação de causa e efeito que se deseja estabelecer entre a pedofilia e a Igreja Católica. Hoje li uma matéria no Globo que ilustra bem um dos problemas em se acompanhar o que está acontecendo, a relação da imprensa com o catolicismo.

A imprensa é sempre a pior fonte para se tratar da posição da Igreja Católica. Isso fica evidente, por exemplo, quando o jornalista coloca o led da matéria em "A Sociedade atual é pedófila" totalmente fora do contexto. Por que não colocaram no led "Dom Dadeus deixou claro que o abuso sexual de crianças e adolescentes é crime e deve ser punido" . Não é uma posição firme e relevante por parte de um sacerdote?

O que Dom Dadeus, que nunca ouvi falar, disse e merece ser analisado é se a banalização sexual tem relação com a pedofilia. Que a Igreja Católica tem casos de pedofilia, como existem em todos as categorias humanas, é um fato. Mas é possível afirmar que existe mais pedofilia na Igreja Católica do que, por exemplo, entre professores de educação física ou médicos?

Acho que antes de sair atirando pedras na Igreja, devemos refletir sobre algumas questões. Afinal, a Igreja tem padres pedófilos ou pedófilos padres? Parece banalidade mas é um ponto fundamental. Quantos pedófilos não entraram na Igreja justamente para ter um contato de confiança para cometer seus crimes? Querer associar de cara o celibato com a pedofilia é leviano e precipitado.

Se tem uma coisa que me chamou atenção com assustadora clareza é o fato de que 90% dos casos de pedofilia ocorridos na Igreja foram contra meninos e não contra meninas. Por que ninguém chama atenção para esta forte relação entre padres homossexuais e pedofilia? Para se ter uma idéia, o líder do movimento gay no Brasil defende abertamente a pedofilia. Quer dizer que todo homossexual é pedófilo? Claro que não. Ninguém é melhor ou pior do que o outro por ser homossexual. No entanto, é evidente que existe uma relação estatística que merece ser investigada. Por que a maioria dos pedófilos padres são gays?

Por que esta relação não recebe o foco da investigação jornalística? Por que não se chama atenção para este fato? Gostaria de saber, em geral, qual a relação da pedofilia com o sexo das crianças. Gostaria de saber se há alguma evidência que a pedofilia na Igreja Católica é estatisticamente maior do que em outros grupos sociais.

Se pensarmos com seriedade nestas questões, resta uma campanha __ mais uma __ contra a Igreja Católica. Duvido que fizessem a mesma coisa com outra religião, exceto o judaísmo. Infelizmente vivemos no mundo do politicamente correto e estas perguntas são proibidos nos cânones do mundo moderno.

Quando será a hora de discutir de verdade os cânones do mundo moderno?