domingo, maio 09, 2010

Esticando a corda


O PT continua testando os limites institucionais até onde der, mostrando mais uma vez que os limites da democracia são condicionantes que devem ser dobradas. Na essência, o partido é profundamente anti-democrático. Obedece quando não tem opção. O Brasil não é uma Venezuela porque Lula e seus sequazes não podem, não porque não queiram. Afinal, Lula sempre deixou claro que naquele país tem democracia até demais...

Ainda tenho minhas dúvidas se a intenção do presidente é ganhar as eleições. Tem horas que parece que está fazendo de tudo para sabotar a própria candidatura, como o desastre de ter uma Marcelo Branco comandando sua equipe de internet. Um homem capaz de grafar "cituação" e nem ficar corado! Só para ter uma idéia, foram capazes de colocar na rede uma "entrevista" de madame Rousseff em que a mesma afirma que Vidas Secas retrata a imigração do nordeste para o Brasil.

Abre parênteses. Tivesse José Serra dito algo semelhante, estaria execrado em todos os meios de comunicações. Obviamente trata-se de uma gafe, mas a lei no Brasil, em um torto princípio de independência, é só dar destaque a uma gafe de um candidato quando houver uma outra do adversário para contrabalançar. Claro que só vale para o candidato mais a esquerda, se o menos a esquerda soltar a gafe, este é execrado sem dó nem piedade. Fecha parênteses.

Retomando, um cidadão comum, como este escriba, não em como saber o que realmente estão tramando nossos políticos. Desconfio que coisas bem distante do que lemos dos analistas políticos. Aliás, sobre jornalistas, é bom ter sempre em mente 3 regrinhas básicas:

1. Eles sabem muito menos do que aparentam.
2. Eles constantemente erram.
3. Eles nunca são responsabilizados quando erram.

Sobre jornalismo, vale a pena ler a coluna do Olavão no Diário do Comércio onde explica porque a profissão é uma espécie de irmão menor da história e alguns problemas que decorre desta idéia.

Divaguei novamente.

Sempre tive uma intuição de que o governo entrou nesta eleição para perder. Não acho crível que se lance uma candidata tão ruim de vender, eleições é marketing, como a ex-terrorista e que se cometa tanta barbaridade junta como se tem cometido. Quer dizer que ela não pode vencer? Não necessariamente, Quero dizer apenas que ela pode ter sido lançada para perder.

Quais seriam os motivos? Um deles seria a eleição de 2014. Creio que D Lula vai querer retornar como uma espécie de salvador da pátria. É bom lembrar de algo de razoável que Marx disse no meio daquela bobageira toda que tanto seduz o incauto: a estória se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa. Junte isso com "Getulho", como gosta de escrever o "intelectual" Emir Sader, o que mostra a pobreza de nossa alta cultura, e temos aí um bom conselho para o atual imperador do Brasil. Cautela. Pois bem, Lula I estaria pensando em Lula II e por isso não estaria interessado em ver um presidente petista concorrendo a re-eleições em 2014, ainda mais com o controle da máquina.

A segunda razão que vejo para a possibilidade de ter lançado uma candidata para perder é o fato de acreditar que a eleição já esteja perdida. Tendo rifado toda liderança de seu partido, todos por envolvimento com bandidagem de tudo quanto é jeito (o Brasil é o país dos 40 ladrões, mas ninguém consegue achar o Ali Babá...), Lula I resolver lançar um candidato apenas para defender cegamente o partido. Em se tratando de cego, ninguém melhor que a ex-terrorista. Insisto na palavra, acho relevante que um candidato a presidente tenha sido terrorista um dia.

Uma outra razão, que não acredito, é que trata-se de um acordo entre as esquerdas para alternância no poder. No fundo, PSDB e PT estariam no mesmo projeto, um representando a esquerda carnívora e outra a herbívora, dentro do conceito que acho equivocado dos autores de O Retorno do Perfeito Idiota Latino-americano II. No fundo, os esquerdistas são todos carnívoros. Apenas alguns se fingem de vegetarianos, até para si mesmos.

De qualquer modo, é algo que nunca saberemos ao certo. Lula lançou Dilma para vencer ou para perder? Sinceramente, não sei. Mas não vejo porque descartar qualquer hipótese. O que não impede que termine vencendo, o que acho improvável.

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