segunda-feira, maio 10, 2010

Grécia e crise financeira

O lugar comum é colocar a culpa da crise econômica no mercado financeiro e na sua desregulamentação. A cobiça dos grandes capitalistas teriam levado o mundo ao buraco por irresponsabilidade e ganância sem freios. Mais detalhes é só procurar no New York Times ou outro jornal progressista da atualidade. A culpa dos males do mundo é sempre do capitalismo.

A análise mais interessante que li foi de David P Goldman em sua estréia na revista First Things, relacionando a crise econômica com a demografia. Mais ainda, afirmando que a raiz da crise é a própria demografia, mais precisamente, a opção dos países mais ricos em não ter filhos. Infelizmente o artigo original não está mais disponível gratuitamente, mas um certo Winston Smith fez uma resenha dele aqui.

O próprio Goldman escreveu com o pseudônimo de Spengler, suas teses no Asia Times.

Lembro a frase de um livro do Mises que li recentemente. Ele afirma que o maior privilégio de um país rico, é agir estupidamente por mais tempo. Infelizmente, para a Grécia, este tempo acabou.

Se Goldman estiver certo, os países com baixa taxa de natalidade começarão a desmoronar pois não há mais jovens no mundo em condições de receber créditos. Sobrarão gente disposta a emprestar (40 a 64 anos) e gente disposta a gastar (acima dos 65 anos). A conta não fecha. A Grécia pode ser o primeiro caso de uma série.

Não é a toa que a mais importante medida tomada pelo governo grego foi cortar drasticamente as aposentadorias. Nenhum governo no mundo, ainda mais socialista, faz isso se não for obrigado.

Veremos os próximos acontecimentos.

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