quarta-feira, maio 05, 2010

Padres pedófilos ou pedófilos padres?

Tenho acompanhado esta confusão toda sobre a pedofilia na Igreja Católica. Na minha concepção trata-se de uma das práticas mais bizarras da espécie humana e algo indefensável sob todos os aspectos. Não deveria haver perdão neste mundo para um pedófilo, é cana para o resto da vida sem nunca mais colocar os pés para fora da prisão. Não creio que há recuperação possível para um doente deste nível e mesmo que haja, não vale o risco. Nenhum psiquiatra do mundo pode garantir que alguém está "curado" de pedofilia, no mínimo seria colocar alguma criança do mundo em risco ao soltar alguém que tenha praticado pedofilia, como se ficou bem evidente no recente e trágico caso de Ceilândia.

Feito esta introdução, o foco deste post é outro, a relação de causa e efeito que se deseja estabelecer entre a pedofilia e a Igreja Católica. Hoje li uma matéria no Globo que ilustra bem um dos problemas em se acompanhar o que está acontecendo, a relação da imprensa com o catolicismo.

A imprensa é sempre a pior fonte para se tratar da posição da Igreja Católica. Isso fica evidente, por exemplo, quando o jornalista coloca o led da matéria em "A Sociedade atual é pedófila" totalmente fora do contexto. Por que não colocaram no led "Dom Dadeus deixou claro que o abuso sexual de crianças e adolescentes é crime e deve ser punido" . Não é uma posição firme e relevante por parte de um sacerdote?

O que Dom Dadeus, que nunca ouvi falar, disse e merece ser analisado é se a banalização sexual tem relação com a pedofilia. Que a Igreja Católica tem casos de pedofilia, como existem em todos as categorias humanas, é um fato. Mas é possível afirmar que existe mais pedofilia na Igreja Católica do que, por exemplo, entre professores de educação física ou médicos?

Acho que antes de sair atirando pedras na Igreja, devemos refletir sobre algumas questões. Afinal, a Igreja tem padres pedófilos ou pedófilos padres? Parece banalidade mas é um ponto fundamental. Quantos pedófilos não entraram na Igreja justamente para ter um contato de confiança para cometer seus crimes? Querer associar de cara o celibato com a pedofilia é leviano e precipitado.

Se tem uma coisa que me chamou atenção com assustadora clareza é o fato de que 90% dos casos de pedofilia ocorridos na Igreja foram contra meninos e não contra meninas. Por que ninguém chama atenção para esta forte relação entre padres homossexuais e pedofilia? Para se ter uma idéia, o líder do movimento gay no Brasil defende abertamente a pedofilia. Quer dizer que todo homossexual é pedófilo? Claro que não. Ninguém é melhor ou pior do que o outro por ser homossexual. No entanto, é evidente que existe uma relação estatística que merece ser investigada. Por que a maioria dos pedófilos padres são gays?

Por que esta relação não recebe o foco da investigação jornalística? Por que não se chama atenção para este fato? Gostaria de saber, em geral, qual a relação da pedofilia com o sexo das crianças. Gostaria de saber se há alguma evidência que a pedofilia na Igreja Católica é estatisticamente maior do que em outros grupos sociais.

Se pensarmos com seriedade nestas questões, resta uma campanha __ mais uma __ contra a Igreja Católica. Duvido que fizessem a mesma coisa com outra religião, exceto o judaísmo. Infelizmente vivemos no mundo do politicamente correto e estas perguntas são proibidos nos cânones do mundo moderno.

Quando será a hora de discutir de verdade os cânones do mundo moderno?

5 comentários:

Alexandra disse...

O Dom Dadeus levantou um ponto importante - de que a pedofilia é crime, que existe fora da Igreja, e deve ser punida e de que padres não são necessariamente mais pedófilos que a sociedade em geral - mas escorregou feio em admitir que a Igreja tende a acobertar casos para proteger sua reputação. E é exatamente esse ângulo quem tem sido abordado por aqui quando se discute esse assunto - quem sabia, quando, e pq o padre não foi levado à justiça. O que o público geral não entende é que a Igreja sempre reservou para si jurisdição sobre seus membros, independentemente do crime, e o objetivo principal do seu sistema jurídico interno sempre foi a recuperação do criminoso ao invés da simples punição (um dos seus legados ao sistema jurídico moderno). Mas quando o crime é algo tão horripilante quanto pedofilia, a coisa se complica bem...


Outro escorregão feio foi sugerir uma possível normalização da pedofilia ao comparar a pedofilia com a homossexualidade, o que não tem absolutamente nada a ver.

Não acredito numa banalização sexual e nem no fato da pedofilia ser nada novo ou produto da sociedade moderna. A pedofilia sempre existiu - o que é novo é a conscientização sobre o tema e o fato de que casos que antes eram encobertos, mantidos em segredo devido a preocupação com reputação e honra (seja da vítima ou de sua família) ou relações que envolvem poder, agora são trazidos à tona. O mesmo ocorre com abusos sexuais dentro das próprias famílias.

Marcos Guerson Jr disse...

Sobre a comparação entre homossexualismo e pedofilia, existe uma inegável relação estatística entre os dois. Na Igreja, 90% dos casos de pedofilia foram praticados por padres homossexuais. No geral, o número não é muito diferente. Acho que essa relação deve sim ser investigada e pode revelar algo mais sobre os motivos que leva uma pessoa a abusar das crianças.

A Igreja Católica assumiu uma postura que acho discutível. Atacada desde sempre por todos os lados, é uma instituição que depende da confiança para existir. Por isso eu até entendo que ela procure proteger sua imagem em casos como estes pois um padre nunca é responsabilizado individualmente por seu crime, sempre é a Igreja como instituição que vai para as páginas dos jornais. Isso tem mudado. A orientação atual é que diante de um caso de denúncia de pedofilia, o padre seja afastado do contato com o público e seja feita uma sindicância interna para apurar a veracidade da acusação antes de envolver a polícia. Por isso o cardeal disse que é difícil cortar a própria carne.

Alexandra disse...

Bom, o fato de ser gay ou não, não tem muito a ver com a pedofilia mesmo se na igreja a maioria dos padres acusados da prática forem gays. Não é o fato de ser gay que o leva a pedofilia.

às vezes eu imagino se a igreja não atrai um número disproporcional de homens homosexuais que devido à intolerância que ainda existe por toda parte quanto ao homosexualismo, vê na igreja um refúgio. Tenho um amigo de faculdade que foi por esse caminho. Ele é claramente homosexual mas vem de uma família bem tradicional, é filho único, e nota-se que ele jamais "sairia do armário", por medo do que a família pensaria. A última vez que eu ouvi falar dele, ele resolveu ser padre. Eu espero sinceramente que ele encontre a paz que procura...

É uma pena que as pessoas tenham que se anular dessa maneira.

Mudando de assunto mas de certa forma relacionado, pessoalmente,eu acho que a igreja tinha que voltar a permitir o casamento de padres. Acho que a Igreja perde muitos padres bons, pessoas de muita fé, que poderiam ajudar muita gente e contribuir muito pra igreja pq esses resolvem se casar.

Alexandra disse...

ah - e outra coisa que acabou de me ocorrer - o que faz a igreja classificar esses padres como homosexuais? O fato de que a pedofilia foi praticada com meninos em vez de meninas? Acho que para um pedófilo, o sexo da criança não importa muito... e padres têm muito mais acesso a meninos do que a meninas...

Marcos Guerson Jr disse...

Se o sexo da criança não importa muito, por que então a maioria dos casos de pedofilia são com meninos?

Falo meninos, mas parte dos casos pega rapazes de 17 anos. Será que estes casos ainda podem ser considerados pedofilia?

Sobre o celibato, eu já tive esta opinião também. Hoje eu já acho que dificilmente uma pessoa pode ao mesmo tempo dedicar-se ao sacerdócio e a uma família. Vai acabar fazendo alguma pela metade. Prefiro evitar uma opinião sobre este assunto.

Além do mais, nunca parei para estudar os argumentos da Igreja pelo celibato dos padres. Acho que para criticar alguma coisa, no mínimo temos que estudar bem o que se trata. Falta-me muito estudo para falar sobre esta questão.