sexta-feira, julho 02, 2010

Pauline na Praia (1983)


"Quem fala muito prejudica a si mesmo".

Como comentei aqui antes, só fui ouvi falar de Eric Rhomer no dia que ele morreu, através do blog da revista Dicta e Contradicta. Aliás, esta revista me abriu portas que nem imaginava existir, revelando-se um interessante índice para uma iniciação cultural.

Com Rhomer aprendi a vencer o preconceito contra o cinema europeu, francês em particular. Pauline faz parte de uma série de 6 filmes que fez explorando provérbios populares. Mais do que isso, o filme faz um retrato do comportamento sexual e moral no início dos anos 80. O cineasta é retratado como um moralista e conservador, mas não faz nenhum juízo de valor em seu filme. Limita-se a retratar o que estava acontecendo e deixa para o espectador a tarefa de julgar por si mesmo.

Uma obra literária ou cinematográfica torna-se especial quando consegue captar o mundo a sua volta e transformá-lo em ficção, mas uma ficção profundamente conectada à realidade. É o que acontece com mais este belo filme de Rhomer. Através dos encontros e desencontros entre um executivo conquistador, uma mulher desiludida que deseja um relacionamento intenso, um windsurfista romântico e apaixonado (uma curiosa inversão da imagem do windsurfista e do executivo) e a jovem Pauline, que deseja um relacionamento romântico com alguém de sua idade para aprenderem juntos as coisas do amor, Rhomer faz um painel do que estava _ e está _ acontecendo na sociedade moderna.

O diálogo inicial entre estes quatro personagens em um jantar na casa do executivo é a chave para entender o que cada um deseja da vida e suas idéias de moralidade. São precisamente estas reflexões que o cineasta nos convida para realizar. Seus personagens podem ser estereotipados, mas as situações são muitas vezes dolorosamente reais. Nada do que mostrou me era estranho, algumas situações experimentei por mim mesmo, outras vi acontecer. Rhomer não nos dá respostas, não apresenta soluções. O filme simplesmente termina e ficamos com nossas perguntas e sem soluções evidentes ou fáceis, apenas o sensação que há alguma coisa profundamente errada no quadro que terminamos de ver.

A resposta só pode ser encontrada em cada um.

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