quarta-feira, agosto 25, 2010

Capitalismo e Liberdade

Capitalism & Freedom, 1962
Milton Friedman

Este é um dos economistas que não se estuda em uma faculdade brasileira. Não que não tenha importância. O homem foi prêmio Nobel e a principal influência da política econômica dos governos Reagan e Tatcher. No mínimo um pensador de enorme influência. Seu pecado? Defendeu com unhas e dentes, por toda sua vida, o capitalismo e sua relação com a liberdade.

Neste livro, ele mostra como o capitalismo é um pressuposto para um regime de liberdade política, muito embora não seja suficiente. É possível ter um regime totalitário e capitalista, como foi o nazista, mas jamais haverá um regime democrático sem liberdade econômica. Daí se intui que Friedman não acreditava na associação de democracia com socialismo.

A essência do livre comércio é a produção de riquezas, o que termina por beneficiar toda a sociedade, tanto quem produz quanto quem consome. O motivo é simples: a liberdade econômica está na troca voluntária de bens entre duas pessoas. Esta troca só ocorre se ambos estiverem interessados no resultado, ou seja, se ambos ganharem.

A deturpação do livre mercado leva à restrição de liberdades e o prejuízo de indivíduos e empresas, normalmente com ação direta dos governos constituídos. Paradoxalmente, o capitalismo é mal entendido justamente pelas pessoas que termina por beneficiar. Apenas uma alta dose de mistificação e a total incompreensão de regras econômicas simples podem justificar a constante intervenção do estado na liberdade econômica. Uma intervenção que no entender de Friedman só pode levar à restrição das liberdades individuais.

O autor trata basicamente de 4 pontos ao longo de 11 capítulos:

  1. a relação da liberdade econômica e liberdade política: como o princípio básico do capitalismo nada mais é do que um principio de liberdade individual: o direito das pessoas trocarem o que produzirem.
  2. o papel do governo na economia: o que justifica a intervenção governamental? Ela é eficaz para resolver os problemas que se propõe? Quais as causas destes problemas? E se a grande causa for justamente a intervenção do governo?
  3. o papel do governo na sociedade e a promoção da liberdade: como fica a questão da licença ocupacional? Como o governo pode atuar na educação e quais as justificativas para esta atuação? Quais os campos da vida em sociedade que o governo deve intervir?
  4. a distribuição de renda e a questão da pobreza: aqui Friedman argumenta fortemente contra o pensamento igualitário e mostra a verdadeira igualdade está no tratamento desigual dos desiguais. Longe de ignorar o problema da pobreza, lembra que muitas vezes esta questão é relativa pois ignora o grande ganho das camadas mais pobres ao longo das décadas em função do livre mercado e a redução efetiva da desigualdade entre ricos e pobres, principalmente em função da redução constante do preço dos bens produzidos. A maior contribuição que uma sociedade pode fazer para mitigar a questão da pobreza é ajudar efetivamente os mais pobres como pessoas e não como integrantes de determinados grupos.
Friedman conclui chamando atenção para o convencimento dos intelectuais do ocidente que o capitalismo teria uma série de falhas e deveria ser corrigido pelos governos. Entretanto, estas falhas só ficam evidentes quando se compara os problemas reais da sociedade com o que deveria ser, ou seja, o real com o ideal. Após anos de intervenção estatal, já é possível analisar os efeitos reais da intervenção do estado na economia.

Entretanto, há um problema sério. Enquanto que os benefícios da ação estatal são visíveis, diretos e imediatos, seus efeitos nocivos são invisíveis para a grande maioria, indiretos e demoram para se fazerem sentir. Os políticos possuem incentivos claros para rejeitar os efeitos negativos e decidir em função dos efeitos visíveis, aumentando a intervenção do estado.

O grande problema das medidas governamentais para corrigir o capitalismo é que obriga as pessoas a decidirem contra seus interesses pessoais a fim de promoverem o suposto interesse geral. Como Adam Smith observou, as pessoas ao perseguirem seus interesses particulares freqüentemente promovem os interesses gerais melhor do que se assim desejassem.

Esta é a grande lição do liberalismo.

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