terça-feira, agosto 24, 2010

Dilma na frente e a cabeça do brasileiro

No capítulo de introdução de Hitler e os Alemães, Voegelin diz:

o problema experiencial alemão central de nosso tempo: a ascensão de Hitler ao poder. Como foi possível?


É mais ou menos o meu sentimento depois de 8 anos de governo Lula e uma tendência do povo brasileiro de eleger Dilma como presidente. Se isso acontecer, dirá mais sobre o povo brasileiro de nosso tempo do que do petismo. Como uma sociedade de maioria conservadora, sem ódios, consegue se anestesiar a ponto de aceitar um governo de natureza socialista e revolucionário?

Culpo o povo? De jeito nenhum! O brasileiro comum é a grande vítima da manipulação que sofre todos os dias da imprensa, da mídia em geral, das instituições públicas e até mesmo do grande empresariado. Ninguém é mais socialista do que o grande empresário brasileiro! Cada vez me convenço mais que a culpa primordial está na "alta" cultura brasileira. Desculpem as aspas, mas a ironia é irresistível. Não dá para chamar aquele bando de alta cultura. Não mesmo.

A maior evidência da corrupção de nossa elite veio justamente do livro que veio para absolvê-la! Na verdade, Alberto Almeida estava tão preocupado em agradar os progressistas que não percebeu a estupidez do próprio raciocínio. Acabou acampando a tese de que o problema do Brasil seria o povo que professaria valores piores do que a elite. A solução? Simplesmente educar a população.

O que o idiota, e uso o termo com todo rigor, foi incapaz de compreender é que em qualquer lugar do mundo os valores serão melhores à medida que o grau de escolaridade é maior. O grande problema é a qualidade desta elite.

Só para exemplificar, no livro "Cabeça de Brasileiro", ele mostra que 72% dos brasileiros com curso superior consideram corrupção um funcionário público receber um presente de Natal de uma empresa que ele ajudou a ganhar um contrato do governo. Sapientíssimo ele compara com os 20% de analfabetos que consideram a prática ser de corrupção e grita, estão vendo? O analfabeto tem valores piores do que o topo da pirâmide educacional.

Almeida deixa de ver o mais gritante. Que 80% de analfabetos, que constituem os grandes bolsões de pobreza, principalmente no nordeste, não consiga ver a corrupção do ato, não acho nada demais. O que me espanta são os 28% de brasileiros com nível superior que não consigam enxergar algo tão gritante!

Pois são estes que começam o processo de disseminação de valores pela sociedade. São os professores, jornalistas, comerciantes, membros do estado. Se 100% considerassem a prática de corrupção já haveria aqueles que não veriam deste modo, mas partindo de 72%, fica tudo muito mais difícil.

O resultado só poderia ser esta coisa liderando as pesquisas e assumindo o favoristismo para ser eleita presidente da república. Um sinal evidente da pobreza de nossos tempos.

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