segunda-feira, agosto 02, 2010

Relatório da CIA: Como será o mundo em 2020

Na verdade, não se trata de um relatório da CIA, mas de uma análise prospectiva do Conselho Nacional de Inteligência, responsável pela análise estratégica da comunidade de inteligência americana. De modo geral, o documento tenta visualizar como estará o mundo em 2020 para fornecer subsídios para as tomadas de decisão para políticas de longo prazo.

Nos tempos atuais é ainda mais complicado tentar imaginar o mundo do futuro, mesmo menos de duas décadas à frente. Basta retroceder um pouco no tempo e se colocar no lugar de uma pessoa em 1989 quando o muro de Berlim veio abaixo. Teria como imaginar o 11 de setembro? Um presidente americano mestiço com uma plataforma altamente socializante? Um Brasil economicamente estabilizado? Um Irã caminhando para se tornar uma nação nuclear?

Vivemos um tempo de alto grau de incertezas e prever o futuro nessas condições é altamente problemático. No entanto, pior do que imaginar um quadro confuso é não imaginar quadro nenhum. O relatório procura montar um quadro coerente com as informações disponíveis na época que foi escrito; se está certo, só o tempo dirá.

Diante das incertezas, são projetados 4 cenários extremos:

  1. Pax americana: é o mais favorável aos EUA. É o retorno ao pré 11 de setembro de 2001 com os EUA reinando como potência absoluta no planeta, como o Império responsável pelos grandes rumos da humanidade. Embora novas potências surjam, notadamente China e Índia, sua liderança tecnológica e militar o mantém ainda em um patamar sem rival.
  2. Ciclo do Medo: é o cenário mais pessimista, o caos mundial. A proliferação das armas de destruição em massa e biológica leva a uma situação de busca da segurança absoluta, com reflexos no cenário da globalização e o fechamento dos países diante de ameaças potenciais externas. Os Estados Unidos vêem sua influência desmoronar e volta-se para si mesmo, tentando proteger-se da ação de novos e antigos grupos terroristas.
  3. Novo Califado: este cenário foi montado para imaginar como se comportaria o mundo diante de um movimento global fomentado por uma identidade religiosa radical. A união de vários países islamicos em torno de um Califa causaria uma confusão não só no próprio mundo muçulmano quanto nas relações entre EUA, Rússia, Europa e China.
  4. Mundo de Davos: é uma ilustração do sucesso da globalização. Um robusto crescimento econômico, liderado por China e Índia, dá uma nova face ao processo, agora menos ocidental, transformando o palco de atuação política. Embora os EUA ainda exerçam a liderança militar e tecnológica, seu poder econômico perde importância relativa para demais nações em desenvolvimento.
O relatório faz suas projeções em cima de alguns eixos como a globalização, o combate ao terrorismo, o crescimento chinês e indiano, a mudança do perfil demográfico dos países desenvolvidos e o controle de armas de destruição em massa. Tentar confirmar ou negar as previsões a priori é quase tão temerário quanto fazê-las. No entanto, o documento tem a clara relevância de pelo menos levantar quais são os dilemas que poderão orientar as decisões mundiais nos próximos anos. Serve, pelo menos, para acompanhar os acontecimentos dos próximos 10 anos e ver até ponto foi escrito por visionários ou por homens completamente enganados pelos indícios que possuíam na época.

Se voltarmos no tempo, no início da década de 30, quem imaginaria que a Alemanha se recuperaria da pesada crise econômica que atravessava e em 10 anos teria toda a Europa a seus pés?

Embora sempre tenha existido homens capazes de prever tendências, houveram também aqueles que erraram completamente. Malthus que o diga!

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