quarta-feira, agosto 25, 2010

Um fenômeno atual e cada vez mais evidente

Auto-engano, 1999
Eduardo Giannetti, Companhia de Bolso

Eduardo Giannetti trata de um dos mais importantes fenômenos sociais de todos os tempos: o auto-engano. Promove uma investigação ao longo da história de como as pessoas enganam a si mesmas quase o tempo todo e como isso afeta a sociedade em geral, recorrendo a exemplos extraídos da literatura e da vida real.

Sua investigação começa pela natureza e o valor do auto-engano, como se processa esse mecanismo? Qual a sua origem? Depois, trata da dualidade entre autoconhecimento e auto-engano, abordando desde a técnica maiêutica, celebrizada por Sócrates, e a necessidade de fugir do autoconhecimento e enganar a si próprio. No terceiro capítulo, trata da lógica do auto-engano. Como acontece? Por fim, a parcialidade moral e a convivência humana. Como se dá a questão da moral e da ética em um ambiente de auto-engano?

Gianetti é feliz ao tratar de um dos fenômenos mais importantes de nossos dias. Não por acaso, Sócrates advertiu: conheças a si mesmo. Cristo continuou: a verdade está em cada um de nós. Por que então existe esta compulsão por enganar nós próprios sobre nós mesmos? Trata-se de uma investigação interessante, procurando abordar as várias faces do problema.

Não sei até que ponto o autor tem razão em suas conclusões, mas não vejo como duvidar da existência e atualidade desse fenômeno, talvez ainda mais ampliado em tempos de internet e redes sociais. Diante do quadro atual, no Brasil e no mundo, passei a considerar cada vez mais as questões levantadas por Gianetti. Até onde o auto-engano estaria nos levando para caminhos perigosos e ameaçando a nossa própria convivência humana?

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