segunda-feira, setembro 20, 2010

O papel do crédito na formação do Império Britânico

Estou lendo Império, de Niall Ferguson. Trata-se de uma investigação sobre a formação do Império Britânico e principalmente sobre seu legado. O primeiro capítulo trata de como a Inglaterra saiu atrasada na colonização e de piratas dos mares acabaram por ser a grande potência do século XIX. A resposta que sempre me veio a cabeça foi o seu poder naval, a opção de dominar os mares.

Só que outras nações, como a Espanha, também lutavam pelo domínio dos mares. Além do mais, a França era cerca de duas vezes mais rica do que a Inglaterra. Onde se deu a mudança?

Ferguson traz um argumento interessante. Quando a Inglaterra se associou à Holanda, ela incorporou a principal invenção dos holandeses, o sistema de crédito. Esse fado deu aos britânicos uma grande vantagem nas guerras do século XVIII, quando conquistou o domínio marítimo. Enquanto os países continentais, como França e Espanha, ficavam limitadas a sua quantidade de recursos disponíveis, os britânicos captavam recursos da própria sociedade através de uma espécie de emissão de dívida pública. Em outras palavras, gastava para pagar depois. Desta forma, conseguia a colaboração voluntária da própria população (talvez até de estrangeiros), enquanto que seus inimigos eram obrigados a tomar a força, o que não devia ser muito fácil em relação à nobreza e a burguesia que se estabelecia. Não é ilícito supor que muita gente escondia seu ouro, muitas vezes em nações estrangeiras (Suiça?).

Enfim, no século XVII os ingleses aprenderam com os holandeses que ter dívida não era de todo ruim, desde que os juros ficassem dentro do orçamento anual. Se for verdade, é mais uma demonstração que fatos econômicos costumam ter grande influência em acontecimentos históricos, o que não quer dizer que sejam os únicos fatores. A economia não é tudo, como imaginava Marx.

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