sábado, outubro 30, 2010

O tédio que leva ao socialismo


Esta semana conheci o Museu de Artes de São Paulo (MASP). Gostei intensamente da visita e lamento não ter ficado mais tempo; apenas duas horas. Vi todas as obras, mas algumas queria contemplar por mais tempo.

Havia diversas exposições e na que gostei menos, a pintura contemporânea alemã, achei uma obra interessante. Trata-se de um quadro do pintor Werner Turbke , parece que da década de 60, que constava com o título Brigada da Juventude Socialista.


No quadro se vê um conjunto de jovens em um luxuoso salão, com cara de entediados, entre cigarros e garrafas de vinho, mostrando uma série de contradições que faz o socialismo e o fascínio que tanto seduzia a jovem elite cultural da época, e que continua a seduzir até hoje.

Não cansa de me abismar como, ainda nos dias de hoje, pessoas tidas como inteligentes, que deveriam estar guiando a sociedade em direção à verdade e os valores que dignificam a vida, abdicam da sua capacidade de pensar com clareza e ignoram completamente a realidade, defendendo princípios que levaram milhões à morte. Esse quadro poderia bem representar o dia de hoje, com pessoas privilegiadas, e por isso talvez com sentimento de culpa, falando abstratamente de justiça social e violentando princípios universais que cada consciência carrega em seu íntimo para justificar sua simpatia a todo tipo de homens e mulheres completamente imorais. O grau de alienação que uma pessoa tem que ter para votar em Dilma Rousseff, por exemplo, mostra que nos encontramos em tempos muito difíceis e de certa forma, uma época de completa doença espiritual.

Quando vejo este quadro de Turbke, vejo a mediocridade e a razão de muitas mazelas de hoje, principalmente no Brasil. A elite cultural está doente, e isso é um problema maior do que a doença das outras elites, seja política, econômica, religiosa, militar, etc. A força que impulsiona uma sociedade, ao contrário do que pensam muitos, não é a economia ou a história, mas a pura e simples ação humana. Por trás de cada decisão política ou econômica está uma decisão tomada por uma pessoa real, não um ente abstrato qualquer e a expressão da ação humana por excelência é a cultura. Quando as pessoas que deveriam perceber e traduzir para os demais os mecanismos de funcionamento de uma sociedade estão alienados e incapazes de interpretar o mundo real, porque estão muito preocupados em impor suas opiniões o tempo todo, os resultados são apenas uma questão de tempo. O lulo-petismo não começou com a sedução das pessoas humildes, mas das elites culturais brasileiras. A inversão de valores não é culpa da imensa massa de brasileiros semi-analfabetos ou pobremente educados, são obra exclusiva dessas mesmas elites que a cada dia descem um pouquinho mais na imoralidade.

Vejo em cada rosto o tédio que tentam disfarçar na empolgação com coisas absolutamente sem importância, pois as coisas que realmente importam, as que estão no coração de cada sociedade, como a maternidade, a família, a simplicidade, a vida, a humildade, a cooperação voluntário, o humor, a ironia, tudo isso é para elas um motivo de tédio e de falta de sentido. O que importa são os grandes temas da sociedade de hoje: justiça social, preocupação com meio ambiente, luta contra o imperialismo, exploração econômica, multiculturalismo e etc. Estão tão preocupadas em enxergar longe que são incapazes de enxergar o que está ao lado e salta às vistas.

São essas pessoas que estão na tela de Turbke que são responsáveis pela cegueira espiritual da sociedade contemporânea. São elas que devem se curar e ninguém pode fazer isso por elas. Apenas torcer para que tenham coragem e humildade para entender o tamanho de sua cegueira e abrir-se para a verdade do real. Enquanto isso não acontecer, estaremos representados por elites política-econômicas corruptas eleitas por um povo mantido na ignorância

2 comentários:

Alexandra disse...

Estamos completamente de acordo. O que realmente importa na vida é a relação entre as pessoas, a simplicidade, a vida, a humildade, a cooperação, a cultura. Acho que onde parecemos discordar é que vc vê isso como o oposto (ou algo diferente de) justiça social, preocupação com meio ambiente, luta contra o imperialismo, exploração econômica, multiculturalismo e etc. As forças que mantêm a injustiça social, ou promovem o capitalismo e consumismo desenfreado como um valor ideal, semeam o conflito, a discórdia, as divisões... A vida é fundamental mas a nossa qualidade de vida depende diretamente da nossa conexão com o meio ambiente. Aliás, isso não é uma opção. Nós vivemos NO meio ambiente. Depredar o meio ambiente, é depredar a nossa casa. E por aí vai...

O que me confunde muito no que vc escreve é que por um lado você promove valores familiares, humanos e por outro condena políticas sociais que na verdade mantêm esses valores. Um exemplo simples: eu ouço muito a crítica do bolsa família como sendo uma coisa negativa, uma esmola, que fará os pobres parar de trabalhar. Eu parei pra pensar na situação de um casal pobre com filhos pequenos. Os dois trabalham longas horas - a mulher provavelmente sai de casa antes das 6 da manhã pra pegar 3 onibus pra chegar na casa onde trabalha como empregada ou babá. Os filhos ficam sozinhos ou no máximo o casal pede pra algum vizinho ficar de olho. A mãe quase nunca vê os filhos. Que vida familiar essa família tem? Vamos dizer que essa família agora recebe meio salário mínimo através do bolsa família. Essa família agora tem umas opções a mais. A mãe pode até decidir que não vale a pena ela abandonar os filhos das 6 da manhã até as 9 da noite por um salário mínimo. Pode ser que ela resolva ficar em casa ou trabalhar só meio período. Pode ser que essa ajuda possibilite que ela ou o marido escolham um emprego que pague menos mas que seja mais proximo de casa. Ganha ela, ganha os filhos, ganha a comunidade.

(continua...)

Marcos Guerson Jr disse...

Você ainda não me entendeu. Eu não discuto com ideólogos. Ponto.

Sigo o que recomendou Aristóteles: só vale a pena discutir com quem está sinceramente empenhado em descobrir a verdade sobre as coisas.

Simples assim.