quinta-feira, outubro 14, 2010

Um pouco de política

Em um mundo ideal, eu estaria fazendo campanha contra José Serra. Nada contra ele em particular, mas pelas idéias que estão no seu DNA e de seu partido. Em resumo, Serra é talvez hoje a maior expressão da chamada social democracia no país, aquele regime que começou a agonizar na Europa por ser insustentável a longo prazo.

No entanto, estamos longe de um mundo ideal. Não foi apresentado nenhuma opção realmente conservadora para o eleitor brasileiro e tivemos que escolher entre um social democrata, uma gangster política, uma ecochata e um comunista. Um verdadeiro campeonato de esquerdismo, alardeada pelo gangster presidente a quatro ventos. Não há liberais (no sentido econômico) ou direitista (este termo inventado pela esquerda para todo mundo que não professa suas idéias) no país. O DEM talvez seja a última esperança de uma opção conservadora no Brasil, mas está em lenta agonia. Um preço a se pagar para quem trocou a denominação liberal pela inspiração do partido democrata americano, seguindo inspiração dos Maias.

O curioso é que a imensa maioria, para desespero dos que acham ter a solução para os problemas do mundo, dos brasileiros é conservadora. O resultado é que temos um sistema político que não representa verdadeiramente sua população, o que é sempre um perigo para a democracia.

Interessante nisso tudo é que algumas máscaras começam a cair. Os progressistas, também conhecidos como beautiful people, ou pessoas maravilhosas, estão em uma contradição flagrante. Eles defendem uma espécie de cruzamento do capitalismo no campo econômico com o socialismo no comportamento e têm uma característica interessante de se acharem iluminados, realmente melhores do que os outros por terem a chave da interpretação do mundo. Olham para nós, que achamos o mundo incrivelmente complexo e de difícil solução como uma espécie de hereges, de pessoas que precisam ser guiadas em direção a salvação. Negam que sejam comunistas, o que eles desejam mesmo é a social democracia e possuem um incrível discurso padrão para as grandes questões. Se você já ouviu um progressista, acredite, não tem muito mais coisa diferente que escutará de outro.

Só que sempre desconfiei desse pessoal. Mais do que enganar os incrédulos, eles são especialistas em enganar a si mesmos. A esquerda festiva vive constantemente no auto-engano, recusando perceber que são muito menos do que imaginam e que suas idéias não os fazem melhor do que ninguém, coisa que um conservador autêntico sabe de si mesmo. Não me acho melhor do que ninguém por minhas idéias, pelo contrário, tenho mais compreensão da minha miséria e dos meus pecados. Acreditar no que acredito não me faz sentir bem, não no sentido que imaginam, mas me liberta de muitas ilusões.

Não ver que José Serra é o candidato que melhor encarna o ideal que o progressista diz defender é ser completamente cego para a realidade. O cara fez sua fama no Ministério da Saúde combatendo as grandes empresas farmacêuticas, quebrando várias patentes e criando os medicamentos genéricos. Comprou briga feia com a indústria do cigarro e implantou uma legislação em São Paulo que fica a milímetros de considerar o fumante como um criminoso. No governo FHC teve que ser colocado longe da área econômica por suas idéias desenvolvimentistas, o que implica em estado forte como principal indutor econômico. Em termos de ecologia, está bem mais próximos do que os ecochatos querem do que a candidata do governo, que foi o principal motivo de Marina ter saído do governo. Em resumo, um candidato que eu adoraria votar contra.

Dilma, por outro lado, é uma gângaster política, assim como seu padrinho. É difícil dizer que ela e Lula tenham alguma ideologia que não seja o desejo de poder e o desprezo ao jogo democrático. No fundo são dois espertalhões que viram no sindicalismo político a forma de buscarem a vitória pessoal. Não dá nem para chamá-los de comunistas.

O mesmo não se pode dizer do partido e do movimento que fazem parte. Não há como entender o PT de hoje sem ligá-lo ao Foro de São Paulo, a entidade que une partidos de esquerda, movimentos sociais, sindicatos, narco-traficantes e grupos terroristas que declaram expressamente ter o objetivo de implantar na América do Sul o que foi perdido no Leste Europeu, o comunismo soviético.

Chega a ser engraçado ver a esquerda festiva tentando justificar o voto em Dilma, uma pessoa que representa boa parte do que dizem odiar. Junto com ela estão os grandes empresários brasileiros (mamando nas tetas do BNDES e das licitações do governo), as antigas oligarquias políticas (Sarney, Calheiros, Collor, Jader Barbalho e outros gigantes morais), grande parte da mídia (exceto talvez pela Veja e os editoriais do Estadão), líderes religiosos protestantes e católicos (Edir Macedo, pessoal da teologia da libertação, pastoral da terra, a maioria dos bispos brasileiros) e que se alinha, no campo externo, em outros gigantes morais como Chávez, Morales, Correia, o maluco do Irã e qualquer ditadura sanguinária africana. Até mesmo na relação com os EUA o governo Lula se deu muito melhor com o Bush do que com o Obama!

Afinal, o que querem a esquerda festiva? Será que realmente querem social democracia? Justiça social e as outras baboseiras que dizem prezar tanto? Ecologia? Ou querem o bom e velho comunismo? Aquele que matou mais de cem milhões de pessoas em um século conseguindo matar em pouco tempo o que todas as tragédias humanas e naturais não conseguiram em toda existência do planeta? Por que eles não tem coragem de dizer para nós e para si mesmos o que desejam de fato?

Eu voto em José Serra porque é a única opção possível que tenho. Não me iludo, não o considero nem melhor ou pior do que sua vida política indica. Não me engano e não tenho ilusões.

Só espero que no dia que não houver como negar a verdadeira natureza de Dilma, Lula e tudo que representam, estas pessoas que deveriam estar pensando o mundo não digam que foram enganados. Podem até dizer que enganaram a si mesmas, mas a verdade sempre esteve escancarada na ponta do nariz de cada um. Não vê quem não quer.

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