quinta-feira, novembro 18, 2010

Pedagogia... da ideologia!

Pedagogia da Autonomia
Saberes necessários à prática educativa
Paulo Freire, 1996
Editora Paz e Terra

Paulo Freire foi um dos mais influentes educadores brasileiros e publicou este pequeno livro um ano antes de sua morte. Pernambucano, dedicou sua vida ao estudo dos problemas da educação sob a ótica da pobreza e da indignação com as injustiças sociais.

Pedagogia da Autonomia é sua palavra final sobre o processo educativo de maneira geral, tanto para crianças quanto para jovens e adultos. É sua tentativa de dar um fecho ao seu pensamento, tentando colocar quais seriam os pontos para a prática educativa, que envolve tanto discentes quanto docentes. Sua mensagem é dirigida particularmente para o que denominou "professores progressistas", justamente aqueles que estariam empenhados na busca de um novo mundo através da revolta constante contra as injustiças sociais e o domínio das elites econômicas. Seu alvo é o chamado "professor reacionário" que estaria preocupado em transmitir conhecimentos estéreis como forma de manter a população na ignorância para não alterar o status quo.

Para Freire, não há docência sem discência. Professor e aluno são igualmente sujeitos no processo ensino aprendizado e o grande papel do professor não seria transmitir conhecimento, mas ensinar o aluno a pensar certo. Para tanto, deveria estimular no aluno e em si mesmo a curiosidade que levaria de uma ingenuidade inicial para um estado de dúvida metódica ao dedicar-se com rigor à busca dos saberes de cada objeto. Outro ponto importante é que os saberes do educando deveriam ser respeitados e que seria fundamental o reconhecimento e a assunção da identidade cultural tanto do professor quando do aluno. O aluno teria que tomar consciência de que era explorado por um cultura neoliberal e que tinha um papel ativo para não só se revoltar contra o sistema injusto como para provocar uma revolução contra as elites dominantes.

Desta forma, ensinar não é simplesmente transmitir conhecimento, mas entender que o educando é sujeito de uma história em movimento, composta de processos dialéticos, condicionado por um sistema cujas principais ferramentas era o domínio midiático e o papel exercido pelos professores reacionários que transmitiam aos alunos a idéia de fatalismo deterministas, que se expressaria na constatação que a pobreza sempre existiria no mundo. A educação progressista era o instrumento para a mudança necessária à sociedade pois transmitia que a mudança era não só possível como uma questão de justiça.

Por fim, defende a especificidade humana da educação que exige segurança, competência profissional e segurança por parte do professor. Mais do que isso, exigia que o professor estivesse comprometido com o processo de transformação do mundo e que entendesse que a educação é essencialmente ideológica.

Lendo as páginas de Pedagogia da Autonomia senti uma grande tristeza pelo enorme desperdício de capacidade que a ideologia provoca em um intelectual. Freire consegue ver os grandes problemas que marcavam a prática pedagógica no Brasil. Realmente o processo ensino-aprendizado baseado inteiramente no professor e com alunos apáticos recebendo conteúdos era uma constatação de muitos casos. O grande problema de Freire, e de todos os que se deixaram levar pelos sonhos ideológicos, é que tudo que vê é filtrado pelas lentes da ideologia e o mundo que descreve começa a ficar longe da realidade.

Se lembrarmos de nossa escola, vamos perceber nitidamente que haviam professores autoritários como descritos por Freire, mas havia também uma série de bons professores e alguns deles de pefil autoritários. Longe de defender um modelo de ensino que teve sua época, e foi capaz de gerar toda a ciência moderna, a velocidade de informações do mundo moderno exige a gradual transformação da forma de ensinar, ainda mais quando se vai desvendando os processos mentais envolvidos na aprendizado; embora estejamos longe de entender realmente como conhecemos as coisas.

Ao dividir o mundo em classe exploradora e classe explorada, seguindo a utopia socialista, Freire se torna incapaz de ver o mundo e o resultado são as distorções que apresenta em Pedagogia da Autonomia. É capaz de condenar a influência da ideologia na educação, mas para ele a ideologia é o neoliberalismo; o socialismo seria apenas um grito de socorro dos oprimidos. A autonomia que defende é uma prisão mental, onde o indivíduo deixaria uma possível apatia fatalista pelas lentes ideológicas do processo revolucionário. Refletindo seriamente, qual a pior prisão?

As idéias de Freire estão na raiz da transformação que as escolas brasileiras foram submetidas nas últimas décadas a partir dos cursos de pedagogia e licenciatura: o professor autoritário e conservador que Freire enxergava foi sendo substituído pelo professor progressista cheio de boas intenções que considera ensinar português e matemática um coisa menor, o mais importante era educar para a cidadania, entendida aqui sob o ponto de vista revolucionário de inspiração marxista. Fica fácil entender como o Brasil chegou às questões do ENEM que cobra cada vez mais a visão progressista do mundo do que o conhecimento necessário para que a pessoa possa pensar por si mesma.

Freire parece ignorar que uma criança encontra-se em uma posição altamente influenciável por seu professor ao defender que este aproveita a prática pedagógica para mostrar sua visão de mundo e confiar que um "debate" entre professor e aluno levará ao conhecimento através do processo "dialético" que caracteriza o processo ensino-aprendizado. O que propõe é simplesmente o estupro ideológico, com todas as consequências que vemos hoje nas escolas do país, tanto públicas quanto privadas.

Fala-se muito sobre a transformação educacional no Brasil, talvez o primeiro passo seja extirpar dela os componentes ideológicos que foram instituídos a partir de idéias como as de Paulo Freire. Existem uma série de idéias aproveitáveis de seu trabalho, o que se faz necessários é limpá-las da ideologia e colocá-las a serviço da verdadeira educação, a que não está preocupada que o aluno aprenda a "pensar certo" sobre determinada ótica, mas que consiga pensar sobre a verdadeira natureza das coisas. O que sempre será impossível para uma mente formatada pela ideologia, pelo menos enquanto não se libertar das amarras que foram impostas pela "pedagogia da autonomia".

terça-feira, novembro 16, 2010

Voltando

Confesso que o desânimo foi grande depois da eleição desta besta quadrada para a presidência da república. Embora esta frase pareça indicar uma revolta, até que estou em um momento de bastante serenidade em relação a isso tudo pois usei a expressão besta quadrada com todo rigor técnico que o termo exige.

Olhando os números e refletindo com um pouco mais de distância, tendo a achar que o resultado foi até surpreendente. Não sou dos que acham que deve-se comemorar derrotas, mas que Dilma tenha vencido no segundo turno e tenha tido 44% de votos contrários é de estranhar. Se observarmos que a campanha tucana foi sofrível de ruim, que o presidente usou sem nenhuma vergonha toda a máquina pública a favor de sua criação, que a candidata tenha mentido para valer sem uma contradição (nem mesmo de seu adversário), que o momento econômico era francamente favorável ao governo (neste sentido até a crise econômica ajudou pois segurou a expansão de 2009 para acumulá-la com a de 2010, dando a sensação que o momento era ainda melhor do que efetivamente é), em resumo, levanto estes fatores em consideração era de se imaginar que a vitória do bando que se alojou no poder seria acachapante. A frustração e constatação que Dilma era tão ruim que poderia ter perdido se os tucanos fossem um pouco mais competentes e se Serra não fosse tão ruim de combate. Não precisava ser muito inteligente, bastava seguir o contrário do que os petistas queriam.

Bem, tudo isso é passado. O fato é que em janeiro essa imbecil, novamente uso o termo no sentido técnico, assumirá a presidência aumentando ainda mais a degradação que começou com a eleição do asqueroso que a antecede.

Não dou dos que culpam o povo sem instrução pela eleição desta coisa até porque a adjetivação sem instrução já diz tudo. O que se pode esperar de quem está na base da pirâmide de Maslow tentando sobreviver? Como pensar em outra coisa que não seja o dinheiro fácil através do assistencialismo?

Não, o problema não está no Norte e Nordeste, está no coração do país, na região sudeste, mais precisamente nas camadas mais informadas. Ah, mas Serra venceu neste seguimento. É mesmo? A grande pergunta é: com que margem? Como é possível que se encontre entre pessoas que tiveram acesso a melhor educação do país grupos de 30, 40% de pessoas dispostas a votar no PT depois de toda esta roubalheira a céu aberto de 8 anos de governo Lula? Talvez esta eleição diga mais sobre a "melhor educação do país" do que sobre nordestinos e pobres. O prêmio absurdo dado a Chico Buarque, outro imbecil, mostra a que ponto chegamos. Realmente, não existem mais alta cultura no Brasil e isso está na raiz de grande parte de nossos problemas.

O primeiro passo para restaurar a sanidade da nação não é reforma política ou ganhar eleições. O primeiro passo é simplesmente restaurar a alta cultura brasileira. Há 50 anos atrás tínhamos Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Mário Ferreira dos Santos, Gustavo Corção, etc. Hoje temos o que? Chico Buarque? Marilena Chauí? Só pode ser brincadeira! E ainda se encontra que defenda a existência do Ministério da Educação! E com esse nome!

Quem não acordou para a sistemática distruição da alta cultura no Brasil deveria abrir o olho. Começou lá trás, ainda no regime militar e seus frutos são vistos agora. A destruição espiritual do brasileiro comum, a confusão mental que nosso povo é submetido por ideólogos içados a posições que nunca deveriam ocupar.

Sim, perdemos mais uma batalha e a guerra parece definitivamente perdida também com a perspectiva de um futuro político mexicano de permanência de um único partido no poder, ganhando ou perdendo eleições.

Será que não há esperanças?

Se uma coisa dois milênios de cristianismo nos ensinou é que sempre há espaço para esperanças.

Existe um esforço para restaurar a alta cultura no Brasil, mas é melhor que continue fora dos holofotes. Há uma nova elite cultural sendo formada na surdina no país. Se a decadência começou com a perda da cultura, a restauração deve começar por ela também.

É nossa única esperança.

sábado, novembro 06, 2010

Destruindo mitos

Lituma nos Andes (1993)
Mario Vargas Llosa, Tradução de Josely Vianna Baptista

Vivemos uma época de mitos. Não por acaso, já que vivemos uma explosão nas formas de comunicação, na rapidez como uma informação se difunde de parte a parte no globo. Cada vez é mais comum escutar que está se vivendo um momentos histórico, mesmo antes da história ser feita, uma antecipação do que ainda estar por vir. Não importa a consistência do mito criado, o que conta é a sua difusão.

Mario Vargas Llosa é um escritor corajoso. Não se deixa pautar pela patrulha politicamente correta e mostra seu olhar sobre a existência humana em todas as suas faces. Não por acaso, uma de suas referências constantes é o genial escritor Albert Camus, outro que se distinguia pela integridade intelectual. Embora ambos tenham se caracterizado por fortes posições políticas, nenhum deles dedicou-se a construir obras ideológicas, ao contrário, procuravam expressar em suas obras a autenticidade das experiências reais.

Em Lituma nos Andes, obra que escreveu em 1993, depois da derrota eleitoral no Peru, o mais novo Nobel da literatura mostrou uma das faces de mitos do século XX, a face da irracionalidade. Ao acompanhar a aventura do Cabo Lituma, personagem extraído de "A Casa Verde", e de seu auxiliar da guarda civil em um pequeno posto de proteção a uma obra rodoviária no alto dos Andes, Llosa mostra que a realidade pode ser muito diferente do que se propaganda por aí.

Na década de 90, o Peru ainda sofria com um dos mais sanguinários grupos armados do continente, o Sendero Luminoso. Assim como as FARCs, sua pregação marxista seduzia e ainda seduz intelectuais do mundo inteiro, que fecham os olhos para suas atrocidades e tentam justificar a opção pela violência por uma concepção racional de sua luta política. Esta visão é destruída por Llosa neste pequeno romance.

Quando um professor francês insiste em fazer uma viagem por terra em uma região de atuação do Sendero, sonhando em mostrar para seus alunos slides de sua viagem com a namorada, pensava que sua situação de turista e simpatizante com o Peru seria seu passaporte para evitar problemas. Descobriu o ar de indiferença do jovens guerrilheiros ao seus protestos enquanto tenta fazer perguntas racionais para pessoas que agem seguindo critérios absolutamente irracionais, de ideologia pura.

O mesmo acontece com uma aldeia peruana que é atacada pelo Sendero e se une a eles no julgamento dos "opressores" e, principalmente, de suas condenações. Uma das passagens mais marcantes é de uma idosa pesquisadora européia que tenta explicar para um grupo de guerrilheiros que seu único interesse é científico, de defesa do meio ambiente, e que não se envolve em questões políticas. A frase de seu auxiliar é cortante:

"_ Escutam, mas não ouvem nem querem saber o que se diz a eles (...) Parecem de outro planeta."

Depois de contar toda sua estória a eles e mostrar suas simpatias, tentando persuadi-los pela razão, um guerrilheiro diz a ela: "Esta é uma guerra e você é um peão do inimigo de classe (...) Você nem mesmo percebe que é um instrumento do imperialismo e do Estado burguês. E ainda por cima se dá ao luxo de ter boa consciência, de sentir-se a grande samaritana do Peru. Seu caso é típico".

O principal mito que Llosa ataca não é propriamente o Sendero Luminoso, mas a crença que se pode ter uma atitude neutra diante de uma guerrilha que usa a violência como forma de atuação, uma crença arraigada nos intelectuais de esquerda e que trazem grande desgraças para os que acreditam nessas teses. Ou você faz parte do terror ou é um inimigo, não há meio termo.

Llosa também é implacável em mostrar os métodos e a crueldade da forças policiais e militares do Peru. Não assume a defesa de um grupo diante do outro, para ele, os dois lados da moeda se deixam levar pela irracionalidade e pelo completo desrespeito à dignidade da pessoa humana.

O livro, entretanto, não é apenas sobre o Sendero, mas também sobre certos mitos relacionados aos indígenas. Esqueçam o bom selvagem de Rousseau, o que aparece nos Andes retratado pelo escritor é um povo extremamente místico que vive sob constante medo dos guerrilheiros e das próprias forças estatais. A desconfiança e a falta de solidariedade são traços marcantes que Lituma logo identifica nos habitantes locais enquanto tenta ganhar-lhes a confiança. '

O fio condutor da obra é o desaparecimento de três pessoas que participam da construção da estrada e que aos poucos vai levando Lituma para um universo de supertições e antigos rituais. O ponto chave para entender o alcance do livro é o diálogo entre Lituma e um professor dinamarquês que passava as férias nas serras do Peru há 30 anos. O professor mostra um entendimento da história inca maior do que os próprios peruanos e faz referência a um antigo povo que havia sido conquistado pelos incas.

"_ Melhor dizendo, apagada pelos incas _ corrigiu. _ Eles fizeram uma boa fama e desde o século XVIII todos falam de uns conquistadores tolerantes, que adotavam os deuses dos vencidos. Um grande mito. Como todos os impérios, os incas eram brutais com os povos que não se submetiam a eles docilmente."

Mais adiante o professor acrescenta sobre os huancas:

"Claro que eram umas bestas. Algum povo da antiguidade passaria no teste? Qual deles não foi cruel e intolerante, julgado da perspectiva de hoje?"

Quando perguntam ao professor porque ele continuava a vir ao Peru, o que o país tinha que despertava esta paixão em alguns estrangeiros. O professor responde rindo: "É um país que ninguém entende. E não há nada mais atraente que o indecifrável, para pessoas de países claros e transparentes como o meu".

A um certo ponto, Lituma desiste de tentar levar a justiça os responsáveis pelo desaparecimento dos três homens, quer apenas saber o que aconteceu com eles. É advertido. Desista daquela estória, nada de bom tinha em descobrir o destino deles. Não acredita, continua procurando. Junto com o leitor descobre que aquele tinha sido o melhor conselho que respondeu na obra.

Para não dizer que Llosa fez um livro apenas sobre a violência irracional, também contou uma estória de amor irracional. Um amor altamente improvável entre uma prostituta e o guarda costas de um chefe do crime, uma estória que corre paralela, mas não no espaço e no tempo, com as investigações de Lituma. É essa estória que carrega consigo uma esperança no meio de tanto caos, uma esperança que em "A Casa Verde" Vargas não deu ao leitor.

Por mais irracional que seja o mundo, e talvez até por causa disso, o amor continua como a maior fonte de esperanças para o homem. É a mensagem final que Llosa deixa para seu leitor em mais uma excelente obra que o deixa como talvez o maior escritor da atualidade.

terça-feira, novembro 02, 2010

Certas coisas

Certas coisas são bastante representativas de nosso tempo. Existe uma doxa que o sucesso econômico de um país está intimamente ligado a sua evolução cultural. Assim, a Holanda seria um país mais civilizado, por exemplo, do que o Brasil. Este argumento é levantado muitas vezes para defender um procedimento que é adotado na Europa, no Japão, no EUA, mas que não é adotado no Brasil. Outro dia a revista Veja, tida como direitista, fez uma matéria com o mapa onde o aborto era amplamente permitido, destacando que esse mapa coincidia com justamente os países mais ricos do mundo, sugerindo que permitir amplamente a prática seria uma evolução.

Bem, não vou discutir aborto, ateísmo, casamento gay e etc. A referência que fiz ao aborto foi só para mostrar o ponto que estava me referindo. É a representação do contexto para uma pequena cena que vivi hoje.

Estou em uma pousada em Penedo curtindo uns dias de folga com a família. Estava sozinho tomando café com a Heloísa no colo assistindo um desenho na televisão. Foi quando chegou um casal japonês, na faixa dos 30 anos. Sem cerimônia, o japonês foi até a televisão e trocou para um canal de notícias. O detalhe é que tinha constatado ontem que nem ele nem a moça que estava com ele falavam português. Acho que muitas pessoas já colocaram no automático o hábito de tomar café assistindo noticiário, o que eu particularmente odeio.

Fiquei pensando naquilo, meio revoltado com a falta de educação e desconsideração comigo e com minha pequena. O que fazer em uma situação dessas? Como não gosto de discutir, mudei de lugar e fiquei de costas para a televisão. Foi quando começou uma entrevista com esta coisa que foi eleita presidente do Brasil. Aí foi demais. Levantei-me imediatamente e saí com a Heloísa para o pátio da pousada esperando acabar o que estava passando. Do lado de fora dava para ver a imagem do que estava passando e depois de uns dois minutos o turista, acho que se tocou, levantou e mudou para um canal de variedades. Imediatamente retornei e sentei para prosseguir com meu café.

São pequenas coisas, eu sei. Mas são coisas do nosso tempo e se as pessoas começarem a reparar vão perceber que são acontecimentos bem mais frequentes do que imaginamos.