terça-feira, novembro 02, 2010

Certas coisas

Certas coisas são bastante representativas de nosso tempo. Existe uma doxa que o sucesso econômico de um país está intimamente ligado a sua evolução cultural. Assim, a Holanda seria um país mais civilizado, por exemplo, do que o Brasil. Este argumento é levantado muitas vezes para defender um procedimento que é adotado na Europa, no Japão, no EUA, mas que não é adotado no Brasil. Outro dia a revista Veja, tida como direitista, fez uma matéria com o mapa onde o aborto era amplamente permitido, destacando que esse mapa coincidia com justamente os países mais ricos do mundo, sugerindo que permitir amplamente a prática seria uma evolução.

Bem, não vou discutir aborto, ateísmo, casamento gay e etc. A referência que fiz ao aborto foi só para mostrar o ponto que estava me referindo. É a representação do contexto para uma pequena cena que vivi hoje.

Estou em uma pousada em Penedo curtindo uns dias de folga com a família. Estava sozinho tomando café com a Heloísa no colo assistindo um desenho na televisão. Foi quando chegou um casal japonês, na faixa dos 30 anos. Sem cerimônia, o japonês foi até a televisão e trocou para um canal de notícias. O detalhe é que tinha constatado ontem que nem ele nem a moça que estava com ele falavam português. Acho que muitas pessoas já colocaram no automático o hábito de tomar café assistindo noticiário, o que eu particularmente odeio.

Fiquei pensando naquilo, meio revoltado com a falta de educação e desconsideração comigo e com minha pequena. O que fazer em uma situação dessas? Como não gosto de discutir, mudei de lugar e fiquei de costas para a televisão. Foi quando começou uma entrevista com esta coisa que foi eleita presidente do Brasil. Aí foi demais. Levantei-me imediatamente e saí com a Heloísa para o pátio da pousada esperando acabar o que estava passando. Do lado de fora dava para ver a imagem do que estava passando e depois de uns dois minutos o turista, acho que se tocou, levantou e mudou para um canal de variedades. Imediatamente retornei e sentei para prosseguir com meu café.

São pequenas coisas, eu sei. Mas são coisas do nosso tempo e se as pessoas começarem a reparar vão perceber que são acontecimentos bem mais frequentes do que imaginamos.

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