quinta-feira, dezembro 29, 2011

Em viagem, com minha família (o mais importante de tudo)

Fim de ano, férias, uma boa hora para viajar com a família.

Lembro nitidamente da minhas férias com meus pais quando era criança; principalmente quando acampávamos. O mais importante era estarmos todos juntos e ao mesmo tempo distante desse dia-a-dia que consome tanto o nosso tempo; muito por culpa nossa, confesso. Aquele velho problema das prioridades. Se tudo é importante, nada é importante. Quando viajamos, deixamos tudo isso para trás e, principalmente quando visitamos lugares novos, sozinhos, ganhamos um tempo precioso para nós como grupo, como família.

Chesterton estava certo, como sempre. Quem foge da própria família, foge do mundo. É muito fácil conviver com quem sempre concorda contigo, que tem os mesmos pensamentos. Imaginem como seria fossemos colocados, por acaso, no meio de um grupo estranho, com interesses e aptidões muito diversas. O que faríamos? Tentaríamos conviver ou sairiamos correndo?

Pois isso aconteceu conosco no dia que nascemos. Fomos colocados em um grupo aleatório, com diferentes personalidades, pelo menos aparentemente. Nossa família nada mais é do que uma amostra da humanidade, com muitas das suas virtudes e pecados. Quer ser tolerante? Conviva com sua própria família, pois estará convivendo com o mundo. Fugir dela é a mesma coisa que dar as costas à humanidade; pior ainda, de fugir de nós mesmos, pois no fundo sabemos que ninguém é mais difícil de enganar do que quem nos acompanhou desde a infância, que viu o que temos de melhor e de pior.

A primeira grande alieanção que uma pesso tem é se isolar da sua família. Tudo que vem a partir daí é um enorme conto de fadas. Ou pesadelo. Depente do ponto de vista.

Pensem a respeito.

E boas férias!


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domingo, dezembro 18, 2011

Cultura que liberta

Minhas Tardes com Margueritte (FRA, 2010)


Margueritte: você tem uma excelebnte memória auditiva.
Germain: Não, é que eu lembro tudo o que ouço.

Germain é um homem de 50 anos, criado sem afeto de sua mãe, que enfrentou a educação com sofrimento. O resultado é uma falta de cultura que se reflete em um vocabulário chulo e limitado; assimo como sua capacidade de compreender as situações reais do dia a dia. De bom coração, atrai ao mesmo tempo bons amigos e outros que gostam de ridicularizá-lo.

Sua vida começa a mudar quando conhece Margueritte, uma simpática velhinha que passa a dividir com ele, todas as tardes em uma praça, sua paixão pela literatura. Um novo mundo abre para Germain, o do poder de sua imaginação e, sobretudo, de sua capacidade de expressão.

Não pude deixar de lembrar da polêmica do início do ano em que uma professora, discípula do tal Marcos Bagno, escreveu um livro didático que defende a tese estúpida que não existe uma gramática correta, que a pessoa deve escrever da mesma forma que se expresssa. Tudo derivada das idéias escravizantes de Paulo Freire, em que o homem se transforma em uma espécie de prisioneiro de sua cultura local, pendendo sua capacidade de transcender o espaço e o tempo.

Margueritte dá um tapa na cara de toda essa gente ao mostrar para Germain que o desenvolvimento de sua capacidade de imaginação e de expressão, fruto de uma cultura literária, é um poderoso instrumento de ordenação de nossa existência na sociedade e no mundo. Só conseguimos pensar o que conseguimos expressar, coisa que os filósofos antigos já ensinavam há muito tempo. Limitar o homem ao seu contexto social é torná-lo prisioneiro de sua situação particular e garantir que nunca irá ultrapassá-la. Essa idéia simplesmente criminosa de alguns ideólogos fizeram da educação no Brasil essa coisa eu temos hoje, com consequências nefastas para a capacidade de entendimento da realidade por parte de grande parte de nossa sociedade. O Brasil é a reunião de um monte de Garmains, e não estou falando de pobreza. Temos Germains em todas as camadas da sociedade, e isso inclui, infelizmente, a falsa intelectualidade que existe no país.

Outro tema interessante do filme é a relação de Germain com sua mãe, uma mulher amarga incapaz de demonstrar qualquer afeto pelo filho, fazendo-o acreditar que jamais fora amado. Existem pessoas que realmente possuem enorme incapacidade de demonstrar empatia com os outros, o que não necessariamente significa um sentimento de animosidade. Na verdade, Germain também é prisioneiro de um círculo de agressão mútua que se formou, tornando-se incapaz de se aproximar dela. Curiosamente, os dois expressam da mesma maneira o que verdadeiramente sentem, a mão quando o amante agride Germain, e ele quando um amigo fala mal ela.

Minhas tardes com Margueritte é um belo filme que retrata como a compreensão da realidade é o ponto de partida para que uma pessoa possa transcender as limitações do espaço e o tempo, ordenando sua vida de acordo com princípios mais estáveis e corretos que já carregamos dentro de nós. Germain não se torna uma pessoa boa pela cultura, isso ele já carregava com ele; o que encontra é a possibilidade de dar a correta expressão de seus sentimentos morais e com isso dar sua parcela de ajuda aos que convivem com ele, tornando a sociedade um pouco melhor do que era.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

André Petry e suas bobagens

Leitores da Veja, se querem acompanhar o que acontece na política americana fujam da própria revista. É impossível entender o que está acontecendo por lá tendo o André Petry como correspondente. Prefiram até a CNN, aquele orgão de propaganda do Partido Democrata, do que o nosso glorioso "enviado especial".

Na Veja dessa semana, ele assina três reportagens.

Na primeira, ele analisa a campanha republicana e, em especial, a disparada de Newt Gingrich nas pesquisas. Seus argumentos:
  1. "Só a desoladora falta de opções explica a montanha-russa em que se transformaram as primárias do Partido Republicano". Sim, a falta de opção pode causar esses movimentos, mas existem inúmeros outros que também poderiam explicá-lo. Nas eleições brasileiras de 2002 Roseana Sarney também disparou na corrida e foi abatida pela foto de uma montanha de dinheiro; depois foi Ciro Gomes com uma série de declarações pouco felizes. Lula acabou eleito. Ninguém jamais disse que aquelas alterações foram devidas a "uma desoladora falta de opções". Está acontecendo mais ou menos isso nos EUA: Rick Perry derrapou feio em vários debates e passou a imagem que seria facilmente batido por Obama; Cain se enrolou todo para tentar se explicar na questão de assédio sexual e foi ainda pior quando começou a falar de política externa. Pode ser falta de opções? Pode, mas não é a única explicação possível. Petry escolheu a mais conveniente e, logicamente, não apresentou justificativa.
  2. "empurrou o partido para o abismo quando insistiu no impeachment de Clinton". Petry esqueceu de dizer que os republicanos ficariam com o controle da casa até 2006, sendo que o impeachment foi em 1998. Pior, pesquisas mostraram que embora os americanos tenham se dividido sobre o impedimento, a imagem de Clinton foi arrasada, impedindo-o de trabalhar por Al Gore em 2000, o que pode ter levado Bush à presidência.
  3. "... por causa das travessuras sexuais". Mentira. Clinton recebeu o impedimento na Casa porque cometeu perjúrio ao mentir sob juramento, uma coisa que os americanos levam a sério. Também recebeu o impedimento por obstrução à justiça.
  4. "é por isso que os democratas de Obama estão torcendo para que Gingrich seja o adversário em 2012". Humm. Se os democratas, e Petry, estivessem achando realmente isso, não estariam dizendo em voz alta, não é?
Na segunda matéria, ele fala da condenação do ex-governador do Illinois a 14 anos de prisão. Sabe como saber o partido dele? Fácil. Petry não diz na matéria, então só pode ser democrata. Fui conferir, bingo! Afinal, se fosse republicano, estaria no lead. Jornalista de esquerda é tão previsível. Não é à toa que o mensalão tem nome de mensalão e existe uma coisa chamado mensalão do DEM. Alguém ouviu a expressão mensalão do PT na imprensa? Ou do Lula?

Na última, ele fala da perda do cargo do chefe da aviação civil americana por dirigir embriagado. Petry aproveita para fazer um paralelo com Aécio Neves. Quem me conhece sabe que não tenho simpatia nenhuma pelo mineiro, a quem atribuo parte da responsabilidade da permanência do PT no governo. Só que a lei brasileira é clara quando diz que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Não vejo nenhum problema em emendar a constituição e tirar mais esse instrumento para proteger criminosos, mas enquanto isso não é feito, Aécio não infringiu lei nenhuma e nem pode-se dizer que estava embriagado.

André Petry só desperta minha curiosidade por sua capacidade de ver tudo torto. Quanto estou na dúvida de algo, sempre procuro saber o que pensa. Dá um clareada e tanto nos meus pensamentos!

sábado, dezembro 03, 2011

Irma La Douce

Direção: Billy Wilder
Com: Jack Lemmon, Shirley Maclaine
EUA, 1963

Um policial honesto, e um tanto ingênuo, recebe o encargo de patrulhar uma rua de prostituição em Paris onde as prostitutas, cafetões, clientes e polícia vivem em perfeita simbiose. Nestor acaba fora da polícia, se torna cafetão de Irma e se apaixona por ela, inventando um cliente inglês rico, o L
ord X, para tira-la das ruas.

Divertida comédia que trata, com muita sensibilidade, sem moralismo, das prostituição. Sim, trata-se de uma visão romanceada, que evita as partes espinhosas da profissão, mas que foca na relação entre duas pessoas que estão em campos opostos da sociedade. A tensão entre o caráter rigidamente honesto de Nestor e a justificativa moral de Irma acaba levando-o a inventar o Lord X. Moustache, o dono do bar, pontua todos os acontecimentos, funcionando como uma espécie de alter ego do autor. Sua descrição econômica do fluxo do dinheiro na prostituição é por si só um achado.

Em um tempo em que os diálogos eram a grande arma de um autor, Irma La Douce é especialmente feliz por conta com diálogos afiados, além de um excelente trabalho de Lemmon e Maclaine, que talvez nunca tenha estado tão linda em um filme. Definitivamente um filme que vale a pena assistir.





Quotes:


Moustache: To be overly honest in a dishonest world is like plucking a chicken against the wind... you'll only wind up with a mouth full of feathers.

Moustache: Shows you the kind of world we live in. Love is illegal - but not hate. That you can do anywhere, anytime, to anybody. But if you want a little warmth, a little tenderness, a shoulder to cry on, a smile to cuddle up with, you have to hide in dark corners, like a criminal. Pfui.


Irma: This is nota a job, its a profession



sexta-feira, dezembro 02, 2011

O homem não é produto do meio, já ensinava um grande romancista inglês

Oliver Twist
Charles Dickens, 1938

Um orfão é criado em um ambiente de pobreza e opressão, por fim passa a viver com um grupo de ladrões, que procuram iniciá-lo em uma vida de crimes. Sem nenhuma referência positiva, sem perspectiva de futuro, que escolha tem ele? Nada mais natural e justificado que se transformasse em um criminoso.

Mas aí não seria Dickens; não seria um autor em contato com a essência da alma humana, com a realidade das coisas. Para Dickens, essa essência se traduz na capacidade de tomar decisões morais, de não ser escravo das situações em que se está vivendo, em transcender o espaço tempo. Isso acontece quando temos fidelidade à realidade, quando temos respeito pelos fundamentos eternos que não estão sujeito a época em que se vive.

Oliver Twist tem sua fonte de moral na Bíblia e nos princípios cristãos, mesmo que ensinado por religiosos hipócritas. A mensagem é mais poderosa do quem a transmite. Para o garoto com 12 anos, roubar era um pecado e quando percebeu em que estava se metendo ficou horrorizado e negou-se a participar. A alma de uma pessoa é seu último refúgio, seu santuário diante da opressão que se está sujeito. Para um cientista moderno, a atitude de Oliver é inconcebível, pois aceitá-la seria negar a hipótese da origem social do crime, esse terrível engano que está na origem na explosão de criminalidade em muitos lugares no mundo. Fica claro que Dickens rejeita a princípio do homem como produto do meio. O meio tem grande influência, mas não define o caráter de uma pessoa. O homem é um ser capaz de transcender sua situação concreta atual e se posicionar no plano da eternidade. Dickens acredita que existem verdades universais imutáveis, que valem desde o início dos tempos e estarão conosco enquanto durar o mundo.

Alguns personagens memoráveis habitam as páginas do romance. Do lado bom, o Sr Brownlow, Rose, Sra Beldwin, Harry. Do lado ruim, Silkes, Brundle e, principalmente, um dos melhores vilões já criados, o judeu Fagin. Sua presença é demoníaca e domina cada cena que aparece. Impossível esquecê-lo. Dickens o descreve com uma riqueza de detalhes tão grande que a sua imagem ficar marcada na mente de um leitor atento. E, por fim, a personagem mais ambígua, e talvez por isso mesmo mais fascinante, Nancy.

Dickens também rejeita a luta de classes. No livro existem ricos bons e ruins; pobres bons e ruins. Por duas vezes Oliver é confundido com um bandido, nas duas vezes suas vítimas não só o perdoam como se tornam seus protetores. Ao descrever a situação miserável dos orfanatos paroquiais, faz uma crítica às leis dos pobres, como ficaram conhecidas, leis que supostamente protegiam os mais desafortunados mas acabavam por criar indústrias de exploração da pobreza, como fica evidenciado pela incrível fazenda de orfãos mantida pela inefável Sra Mann. Como se percebe, Dickens tinha muito a ensinar para os governos atuais.

Oliver Twist foi o segundo romance do autor, que já demonstrava todo o talento que o tornariam um dos melhores romancistas da história. Seu testemunho das condições inglesas da revolução industrial é tudo que Karl Marx achava estar fazendo. A diferença é que Dickens retratava o mundo real, em suas condições materias históricas e na forma permanente do espírito humano. Marx retratou um mundo imaginário. Em um desses paradoxos, Dickens é considerado um autor de ficção enquanto que o outro é quase um profeta para uma intelectualidade corrompida pela ideologia.

A abertura do homem à transcendência, sua capacidade de superar o momento histórico-cultural, demole um princípio que joga toda teoria materialista no ralo e mostra que um grande romancista pode ensinar muito mais do mundo em que vivemos do que uma intelectualidade completamente desconectada do mundo, imersa em seus sistemas fechados, coerentes e completamente errados. Quer entender a revolução industrial? Leia Dickens de cabo a rabo, depois leia os historiadores. Se começar pelos últimos, pode entrar em um mundo de fantasia que aprisionará sua mente.

Esse é o poder da grande literatura. E grande literatura é, entre outros, Charles Dickens.

segunda-feira, novembro 28, 2011

Uma teoria sofre a filosofia da história e da política

Anamnese - Eric Voegelin
É Realizações

Um dos principais problemas da História, e também da política, é saber onde está a verdade. Mais do que isso, saber se é possível conhecer a verdade. Ou ainda mais, se a verdade efetivamente existe. Em torno dessa problemática, filósofos discutiram ao longo de séculos e a questão continua aberta para muitos. Não para Eric Voegelin que na década de 60 formulou sua teoria "provisória" sobre a história e a política.

Para ele, o cerne estava na consciência do indivíduo; a chave para uma teoria da história e política estava na teoria da consciência, alcançável a partir de método proposto por Platão, o da recordação (anamnese). Voegelin acreditava que a tensão do indivíduo em direção ao fundamento do ser, através de um processo noético, era a base para compreender os fenômenos da ordem do homem na sociedade e na história.

O livro se divide em três partes:

1. Recordações: trata-se da como e quando os problemas da filosofia da consciência primeiro se colocaram para Voegelin. A partir de recordações da infância, em que situações do espaço e tempo se colocaram, o autor passa pela análise dos insights de Husserl e formula a problemática da relação da consciência com a ordem.

2. Experência e História: trata-se de vários estudos intermediários que abordaram problemas que seriam fundamentais para a formulação da teoria final de Voegelin, em que problemas da consciência se colocaram na análise histórica que foram feita de determinados acontecimentos, mas que revelam uma séria de inadequações dos diversos autores aos fundamentos da realidade. O problema da ideologia se coloca e estabelece-se a tensão moderna entre a filosofia noética e a filosofia não-noética, de tipo ideológico, que culmina no fenômeno da segunda realidade, com os trágicos efeitos no século XX.

3. A ordem da consciência: Voegelin trata da formulação de sua filosofia da consciência e como se relaciona com a ordem em uma sociedade no espaço e no tempo. Para ele, encontramos a ordem de nossa existência como seres humanos na ordem da consciência, através do símbolo platônico da recordação, que se realiza pela tensão para o fundamento divino. Trata-se de nos livramos dos detritos de símbolos de revolta contra esses fundamentos, as ideologias, o positivismo, o ceticismo, etc, para encontrarmos em nossa própria consciência, através de um processo de iluminação e diferenciação, o fundamento transcendente do ser.

Eric Voegelin mostra a conexão necessária entre o homem e a realidade do mundo, através de um processo de iluminação, onde se compreende o que se sabe a partir de um tensão na consciência em busca dos fundamentos do ser. Através desse processo, é possível se livrar do lixo simbólico acumulado, seja do dogmatismo ideológico, teológico, positivista, etc, mas que obscurecem a visão da realidade ao criar imagens falsas do fundamento. Seguindo o insight de Platão da formação da sociedade através dos indivíduos reais que a constituem, base para sua filosofia, Eric Voegelin estabelece um método de estudo em que a base está na fidelidade à realidade, ampliando as iluminações de uma noese clássica através da incorporação de novos conceitos que não se colocaram para Platão e Aristóteles, que viviam a experiência das pólis e não chegaram a tratar dos impérios ecumênicos e da formação das massas.


Cada parágrafo do livro teve para mim o poder de um despertar, de uma iluminação, mostrando na prática, na minha experiência real, as idéias que se colocavam. O sentimento que aquilo não só é a verdade, mas como uma verdade que eu já conhecia mas era incapaz de formular, deixaram uma marca em minha consciência. Voegelin construiu um pensamento consistente, aplicando à própria teoria, os conceitos que organizou, mostrando que a fidelidade ao mundo real é a base para uma teoria do conhecimento e que nossa consciência, individual e concreta, é o fundamento para o entendimento no espaço (política) e no tempo ( História).

Os símbolos de dogmatismo ideológico que dominam o pensamento contemporâneo nas sociedades ocidentais expressam não a realidade do conhecimento, mas uma revolta contra ele. Não tentam levar os homens à participação pela persuasão; ao contrário, são desenvolvidos na forma de uma linguagem obsessiva desenhada para prevenir o contato com a realidade pelos homens que se fecharam contra o fundamento.


Não creio que seja capaz de observar os fenômenos políticos e as análises histórias como antes. Trata-se de uma dessas obras que nos transformam interiormente e nos abrem para novos patamares, como chega a afirmar em seu livro em relação ao surgimento da especulação filosófica. Se antes tinha uma intuição que a capacidade de filosofar era essencial para uma compreensão dos fenômenos históricos, que agora entendo como fenômenos da ordem, agora tenho a absoluta certeza que as análises histórias e políticas de nosso tempo são completamente insuficientes, e na maioria das vezes falsas, da realidade da relação do homem com o a sociedade, o mundo e a transcendência.

domingo, novembro 27, 2011

Mensagem para Paulo Freire


De tempos em tempos nos deparamos com uma verdade tão cortante, tão direta, que não conseguimos formulá-la adequadamente. Compreendê-la é um trabalho filosófico, é o buscar em nossa consciência o que já sabemos. Uma das tensões existenciais é conseguir explicar o que ainda não compreendemos direito mas sabemos ser a verdade. Nesses casos, só nos resta repetir essa verdade e torcer para que tenham a mesma iluminação que tivemos.

Hoje me deparei com um pensamento de Constantin Noica. É exatamente o que gostaria de dizer a Paulo Freire. A Piaget. A muita gente que já conheci que pretente saber tudo sobre ensino. Que acha que descobriu os meandros da mente humana.


Antes havia a sofística. Ensinavam às pessoas como pensar sobre o que quer que fosse e responder a quem quer que fosse. Depois, por séculos inteiros, ensinou-se retórica. Ensinavam às crianças como falar, quais são as partes de um discurso, e como dizer algo, mesmo quando não tem nada a dizer. Hoje já não se ensina sofística nem retórica. Mas algo tem que ocupar-lhe o lugar. A humanidade não renuncia assim tão fácil a seu direito de mudar o ensinamento vivo em ensinamento morto. O que lhe tomou o lugar? Acreditei durante muito tempo que era o direito. Não, é a pedagogia.

domingo, novembro 20, 2011

Julgando um livro pela capa


A colecionadora (La Collectionneuse, 1967)
De Eric Rohmer

Adrien se isola anualmente em uma casa à beira mar com o amigo Daniel para praticar a ociosidade, dentro de um ideal de contemplação. Dessa vez, os dois têm que dividir a casa com uma jovem, Haidée, que encarna a nova mulher liberada que surgia no final da década de 60. Com vários amantes em sucessão, a moça aproveita cada minuto das férias para fazer o que mais gosta, colecionar homens. Aos poucos, uma tenção se estabelece entre Adrien e Haidée e a estória gira em torno de um jogo de sedução feito por ele, um experiente colecionador de arte.

A Colecionadora é o quarto filme de Rohmer da série 6 contos morais. A temática dos contos é o dilema de um homem comprometido, Adrien é noivo, diante do surgimento de uma garota atraente e cheia de vida. Adrien se acha um homem bem resolvido, que usa suas férias para ficar sem fazer nada e contemplar o mundo, como se fosse uma espécie de estereótipo de filósofo greto.

Mas Adrien não é nada disso; é um pretensioso e arrogante, duas qualidades que têm origem na vaidade, a mãe de todos os pecados na teologia Cristã. Não é sequer capaz de ficar ocioso, como cobra Daniel, esse sim bem mais autêntico e com menores pretensões intelectuais. O protagonista precisa ficar lendo livros intermináveis, todos da doxa intelectual chique, como Rosseau, para não ter que lidar com os próprios pensamentos.

Nem por um minuto imagina que Haidée, uma jovem sexualmente ativa, colecionadora de homens como diz, poderia resistir a seus encantos se resolvesse seduzi-la. É o que acaba por fazer ao iniciar jogos indiretos de sedução, sempre com uma atitude superior, recorrendo muitas vezes a outros homens, como Daniel e um amigo negociante.

Só que Haidée não é uma jovem qualquer. Um dos erros de Adrien é achar que pelo comportamento dela, a moça seria uma pessoa fútil e de fácil conquista. Muito mais autêntica que os dois homens maduros, ela chega até a ser racional em suas atitudes e acaba dando duras lições em Adrien. O mais interessante é que o sedutor maduro acaba apelando para atitudes e gestos vulgares, enquanto que a jovem permanece serena, chegado algumas vezes ao enfado com os jogos de Adrien.

Rohmer, através de Haidée, dá um tapa na cara em homens como Adrien, que se julgam superiores a mulheres que se mostram liberais em sua vida afetiva. Julgando o livro pela capa, deduz que tratam-se de mulheres fáceis, uma diversão passageira para superar o tédio. O cineasta mostra que a vida é mais complexa do que sugere os lugares-comuns, onde as sutilezas do espírito se mostram presentes nos sentimentos e atitudes das pessoas. Mais um belo filme do grande cineasta francês, o homem que soube como ninguém construir filmes sobre pessoas reais com dilemas reais.

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Now playing: Uriah Heep - July Morning
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sábado, novembro 12, 2011

Uma lição econômica na parábola do trabalhador da última hora

Disse Jesus: "O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada, a fim de assalariar trabalhadores para sua vinha. Tendo convencionado com os trabalhadores que pagaria um denário a cada um por dia, mandou-os para a vinha. Saiu de novo à terceira hora do dia e, vendo outros que se conservavam na praça sem fazer coisa alguma, disse-lhes: - Ide também vós outros para a minha vinha e vos pagarei o que for razoável. Eles foram. Saiu novamente à hora sexta e à hora nona do dia e fez o mesmo. Saindo mais uma vez à hora undécima, encontrou ainda outros que estavam desocupados, aos quais disse: - Porque permaneceis aí o dia inteiro sem trabalhar? Disseram eles : - E' que ninguém nos assalariou. Ele então lhes disse: - Ide vós também para a minha vinha. Ao cair da tarde, disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: - Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros. Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais, porém, receberam apenas um denário cada um. Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família, dizendo: - Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós, que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum. Não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? À primeira vista, pode parecer que Jesus, nesta parábola, esteja consagrando a arbitrariedade e a injustiça. De fato, não seria falta de equidade pagar o mesmo salário, tanto aos que trabalham doze horas, como aos que trabalham dois terços, a metade, um terço, ou apenas um duodécimo da jornada? Sê-lo-ia, efetivamente, se todos os trabalhadores tivessem a mesma capacidade e eficiência. Tal, porém, não é o que se verifica. Há operários diligentes, de boa vontade, que, devotando-se de corpo e alma às tarefas que lhes são confiadas, produzem mais e melhor, em menos tempo que o comum, assim como há os mercenários, os que não têm amor ao trabalho, os que se mexem somente quando são vigiados, os que estão de olhos pregados no relógio, pressurosos de que passe o dia, cuja produção, evidentemente, é muito menor que a dos primeiros. Uma vez, pois, que o mérito de cada obreiro seja aferido, não pelas horas de serviço, mas pela produção, que interessa ao dono do negócio saber se, para dar o mesmo rendimento, um precisa de doze horas, outro de nove, outro de seis, outro de três e outro de urna? Malgrado a diversidade das horas de trabalho, a remuneração igual, aqui, é de inteira justiça. Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos “ (Mateus, 20:1 a 16).


A parábola do trabalhador da última hora diz muito sobre as discussões econômicas dos últimos séculos.

O trabalhador da primeira hora não se revolta pelo que recebeu, mas pelo fato de ter recebido tanto quanto aquele que chegou depois. Muitas lições advêm desse episódio.

A primeira é a visão que o salário deveria ser função do trabalho que se teve para produzir um bem. Trata-se da visão que começou com Adam Smith, se aprofundou com Ricardo e atingiu seu ápice com o marxismo.

Jesus rejeita essa teoria até certo ponto racional, pois em tese duas pessoas estariam recebendo o mesmo por esforços diferentes, contrariando a regra da proporcionalidade. Só que na parábola, assim como na vida real, o salário foi fruto de uma livre negociação entre empregador e o empregado, um valor combinado no início do dia.

Outra lição é a revolta pelo recebimento do outro. Os libertários advogam que o livre comércio gera ganho para todos os participantes. Em uma negociação, ou um empreendimento qualquer, uma parte que tinha 10 moedas pode ganhar mais 10; enquanto que uma parte que tinha 100 pode receber 50.

É fácil ver que proporcionalmente o que tinha menos ganhou mais, só que a diferença de posses entre eles aumentou. Racionalmente é possível argumentar que a queixa do primeiro é injusta já que ele dobrou o que tinha. Mas, felizmente, as pessoas não são abstrações matemáticas e sim seres providos de sentimentos, muitas vezes irracionais. A angústia diante da diferença de renda é real e gera o que os economistas chamam de externalidades. O liberalismo não tem solução para isso e nem é seu propósito solucionar todos os problemas de uma sociedade. Deve-se evitar o erro de considerá-lo uma filosofia, como se fosse a antítese do socialismo. A única coisa que o liberalismo defende é que a prática do livre comércio permite a maximização do uso dos recursos por uma sociedade. O problema é que mesmo que essa maximização seja alcançável, não quer dizer que seja ideal.

Jesus repreende o trabalhador pelo sentimento de inveja. O que foi combinado não foi cumprido? Por que a comparação? Em uma visão simplista pode-se dizer que Jesus estava defendendo o liberalismo econômico.

Só que há uma lição subtendida em todo episódio. Uma poderosa lição de caridade.

Fosse o empregador um liberal, teria pago ao trabalhador da décima hora o décimo do salário que pagou ao primeiro. Estaria sendo justo no sentido aristotélico de dar a cada um o que lhe compete, ao usar o critério da proporcionalidade. Estaria sendo razoável. E seria insuficiente.

Quando o empregador dá ao último o mesmo salário que o primeiro, sem precisar fazê-lo, contra qualquer princípio racional, ele está praticando a caridade, está superando o liberalismo e entrando no cristianismo. Aí está o caminho da salvação; aí o cristianismo se mostra em sua amplitude e supera todas as teorias econômicas juntas.

Os governos do mundo podem fazer planos econômicos a cada nova crise, podem buscar soluções globalistas, podem buscar a forma ideal de controlar a economia mundial. No fim, será tudo insuficiente pois as coisas essencialmente racionais são sempre insuficientes.

Apenas quando houver a prática universal da caridade, por ricos e pobres, surgirá a verdadeira solução para os problemas econômicos do mundo. Essa é a resposta que Cristo trouxe e poucos compreendem.

Quer dizer que o mundo tem que se tornar cristão? Não necessariamente, mas tem que praticar essas virtudes paradoxais trazidas por Jesus Cristo, independente da religião que se queira professar. Ninguém precisa ser cristão para ser caridoso, ao contrário. Nos tornamos cristãos ao praticá-la, mesmo que não percebamos.

Utopia? Impossível? Bem, aí temos outra virtude cristã, a esperança. Ela surge exatamente quando se espera o impossível e é mais intensa quanto maior for a impossibilidade.

Os liberais e materialistas vão argumentar, com propriedade, não nego, que isso tudo não é razoável. Que o mundo não funciona dessa maneira. A minha resposta para esses á a terceira virtude cristã: a fé. Acreditar em algo sem uma comprovação científica ou racional é ter fé.

Essas são as três lições que o cristianismo trouxe para resolver os dilemas humanos: fé, esperança, caridade.

Uma última palavra. Nada disso justifica a crença da esquerda que o governo deve realizar a distribuição de renda para alcançar o que chamam de justiça social, que nada mais é do que o igualitarismo. A caridade só existe se praticada livremente. Ao invés de expropriar o que não lhe pertence, os governos deveriam promover ações que incentivassem a prática da caridade. É muito mais eficaz. E barato.

A parábola do trabalhador da última hora, como todas as parábolas de Jesus, possuem camadas diversas de entendimento. No plano econômico, a mensagem é que ricos e pobres devem praticar a caridade uns com os outros. Infelizmente insistimos em caminhar no sentido contrário e dar ouvidos ao trabalhador da primeira hora em sua ira, bastante racional, mas injusta, para com o seu próximo. Por isso Jesus disse: ouçam os que tiverem ouvidos para ouvir.

sábado, novembro 05, 2011

Top 5 - Uriah Heep Albuns

  1. Magicians Birthday: sempre foi meu favorito. Foi a maturidade da formação clássica da banda com Byron, Hensley, Kerslake, Box e Thain. Começa com a maravilhosa Sunrise, ainda tem a minha favorita, Blind Eye, a balada definitiva, Rain, e a grandiosa faixa título.
  2. Demons and Wizards: difícil diferenciar de Magicians, foi o primeiro album com a formação clássica e do mesmo nível do seu sucessor. Escolher entre os dois albuns é apenas uma questão de gosto. Tenho uma interpretação toda peculiar de The Wizard. Prestem atenção para os versos "He was the wizard of a thousand kings ", "He told me tales and he drank my wine ", "So spoke the wizard in his mountain home". Um mágico de mil reis, vinho, montanha. Sacaram?
  3. Sweet Freedon: Forma a trinca de ouro com MB e DW, embora em um patamar ligeiramente inferior. Destaques para Dreamer, Stealin', Sweet Freedon e Pilgrim.
  4. Look At Yourself: Tem July Morning. Só por isso já merecia um lugar na lista.
  5. Wonderwold: Último com o melódico baixista Gary Thain. Fim da era de ouro da banda.

terça-feira, novembro 01, 2011

Lula e o câncer

Os últimos dias tem sido interessantes para diagnosticar e estudar o estado patológico da discussão política no Brasil. O ponto inicial foi a divulgação que o ex-presidente está com câncer. A partir daí, abriram uma verdadeira caixa de pandora onde entrou um pouco de tudo: exploração política, ressentimentos pela internet, associação da doença com o fumo, vingança dos deuses, o papa, a formação do mito, sus, direito de expressão, etc.

Até agora fiquei bem quieto no meu canto, até porque realmente não tenho muito o que dizer. Mais um indivíduo enfrenta o problema de uma doença grave e terá um longo caminho pela frente. Sim, não é um indivíduo qualquer, é o ex-presidente da república, um quase mito, um herói da esquerda e etc. Mas no fundo, tirado todos adjetivos, resta um ser humano diante de si mesmo.

Acho que a vida política de Lula, culminando com os longos 8 anos na presidência, foi um profundo mal para o país e que levaremos algumas gerações para consertar o estrago. Não tanto o econômico e político, inclusive os danos à uma democracia que ainda se consolida e que recuou sob comando do lulismo, mas na alma do brasileiro. Lula aprofundou no espírito brasileiro a idéia da aversão ao conhecimento, o direito ao assistencialismo, o ressentimento diante do sucesso do outro. Isso não vai acabar de uma hora para outra: é a principal e mais danosa marca de sua gestão. Infelizmente ainda vamos passar algum tempo mergulhados na ilusão da luta de classes marxista, vivendo o século XXI com a cabeça no XIX.

O cristianismo é um paradoxo, como dizia Chesterton. Ao mesmo tempo que o pecado deve ser combatido com vigor, o pecador deve ser perdoado infinitamente. Um dia Lula terá que acertar as contas de tudo que fez e deixou de fazer com o enorme poder que teve nas mãos, mas não cabe a ninguém acertar essas contas com ele. Não se deve odiar a sua pessoa, da mesma maneira que não se deve odiar a ninguém. Mas sua obra pode ser condenada, e odiada, com todas as forças; ele vai responder por elas.

Não adianta pedir que ele e seu bando não usem a doença como dividendos políticos. Não há nada que o petismo não use para reforçar sua causa. Foi assim com Dilma, será com Lula. Nesse instante algum grupo no partido está fazendo a gestão dos ativos que poderão ser extraídos da " luta" do nosso guia. Faz parte do DNA dos ideólogos e no fundo o petismo-lulismo é isso mesmo, uma ideologia. Claro que boa parte do jornalismo, formados naquele ambiente que estamos vendo na USP e se reproduz Brasil a fora, das ciências sociais, vai entrar no jogo ajudando a reforçar a imagem de mito de Lula. A nota sobre a oração do papa já demonstra isso.

Aliás, o que queriam que o papa fizesse?

Por coincidência, o novo embaixador brasileiro no Vaticano tinha uma audiência com o papa logo depois do anúncio. Diante da informação da doença do brasileiro, o que o papa poderia ter dito de diferente? Meus pêsames? Problema do Lula? Quero que arda no inferto? Fez a única coisa que poderia ter feito, disse que oraria por ele. Um bom cristão deve orar por qualquer um, é o cerne da doutria, amar ao próximo como a si mesmo. O dia que um papa disser que deseja o mal de alguém, a Igreja pode fechar as portas porque é uma Igreja morta.

Lula está doente. Que seja uma melhor pessoa na doença do que foi na saúde. Esse é meu desejo para o ex-presidente. Talvez a doença o ensine a ser mais humilde, talvez não, mas com certeza vai mostrá-lo que todos temos nossos limites. Até mesmo um mito.

sábado, outubro 29, 2011

Pensamentos sobre o Pan

  1. Ok, a cada pan melhoramos um pouquinho, até porque temos algum investimento para isso. O nosso problema não é saber o que fazer com o atleta, mas gerar um conjunto maior para poder escolher esses atletas, o que se faz com massificação. Não acho que a solução para isso seja colocar educação física como disciplina obrigatória na escola; isso já foi feito antes e não deu resultados. O nosso desempenho esportivo representa apenas o valor que a sociedade dá para o esporte no Brasil. Só vejo uma mudança no futuro quando essa importância mudar e temo as soluções "científicas", geralmente o modelo soviético ou cubano, para essa questão, que não sei nem se é problema. Afinal, qual é o problema de não ser uma potência olímpica?
  2. O pessoal da Globo deve estar morrendo de ir. A Record está mostrando na prática porque a emissora dos bispos não pode se meter com transmissões esportivas de grande porte. É tudo um fiasco só. Não estou nem falando da qualidade, um eufemismo, para seus narradores esportivos, mas pela estratégia toda da coisa. A emissora é incapaz de dar uma parada na transmissão de um jogo de duas horas para mostrar uma prova de atletismo que dura menos de um minuto em que o Brasil está brigando pela medalha de outro. Colocar uma "janelinha" no canto da transmissão? Nem pensar! Sem contar que no domingo praticamente ignora toda a programação para passar sua grade normal. E reclamavam que a Globo comprara os direitos e mostrava pouco!
  3. Cuba? Fala sério. Ainda tem gente que acha que uma prisão pode ser um exemplo de competência esportiva. Chico Buarque e cia fizeram realmente uma bagunça danada na cabeça dos brasileiros. É o que dá confundir sambista com poeta.
  4. Sim, alguns brasileiros favoritos perderam a medalha de ouro, assim como alguns que não eram a ganharam. Por isso é esporte; há uma competição. Aí vem aquela ladainha toda sobre amarelar na hora de decidir. Como se os atletas de ponta tivessem o pan-americano como sua prioridade no ano.
  5. Parabéns a todos os atletas que competiram. Só temos que ver o pan-americano como realmente é e não nos iludirmos, como sempre fazemos, para as olimpíadas. Lá é outra estória.


quarta-feira, outubro 19, 2011

A grande ameaça

Estou acompanhando desde 2008 as discussões sobre crise econômica mundial e seus desdobramentos. Com raríssimas excessões, ninguém está tocando em um problema que pode estar na raiz de tudo que está acontecendo. Não se trata de mera especulação pois os dados são fáceis e muitas conclusões praticamente matemáticas. Estou falando da demografia.

Quem primeiro me chamou atenção para o problema foi Spengler, do Asia Times. Desde então tenho dedicado um pouco do meu tempo livre a essa questão, cada vez mais me convencendo de que a grande ameaça do nosso século é a demografia. Particularmente a queda das taxas de natalidade ao redor do mundo.

“the dominant factor for business in the next two decades, absent war, pestilence or collision with a comet, is not going to be economics or technology. It will be demographics.”
(Peter Drucker, 1997)





Esqueçam aquela imagem de uma África faminta ou de uma Tóquio superpovoada. Isso ainda existe, mas não é uma ameaça global. O fato de pessoas morrerem de fome no continente africano é lastimável sob todos os aspectos, ainda mais porque o mundo consegue produzir alimento para todos. Só que ninguém boa parte das pessoas não são afetadas pessoalmente pelo fragelo.

A queda da taxa de natalidade, por outro lado, é um evento global e já está tendo repercussões em todo mundo. O grande problema, que poucas pessoas percebem, é que esse fenômeno tem outro consequente: o rápido envelhecimento populacional. Aí a coisa pega.

As consequências do envelhecimento de uma população são2: aumento dos custos sociais (saúde e previdência principalmente), sobrecarga sobre a população ativa (menos pessoas para pagar impostos e trabalhar), crise fiscal pelo desequilíbrio entre produção e gastos sociais, diminuição na capacidade de inovação, menos pessoas dispostas a assumir riscos e recessão econômica pela contração do consumo. Exatamente o que estamos vendo hoje no chamado primeiro mundo1.

Para piorar ainda mais a situação, não são apenas os países ricos que estão envelhecendo, o fenômeno é praticamente global. Países emergentes como Brasil, China e México estão indo pelo mesmo caminho e vão enfrentar os mesmos problemas, mas com muito menos dinheiro para fazer ajustes. Esses países estão envelhecendo antes de ficar ricos.

Observem os acontecimentos e associem com a demografia. A conexão vai saltar aos olhos de tão clara. Claro que existem inúmeras outros problemas ligados ao envelhecimento populacional: aumento da imigração, segurança do estado, segurança interna e outros.

Nos anos 70 e 80 ficamos apavorados com a imagem de um mundo superpovoado, seguindo ainda ecos das previsões Malthusianas. A ameaça agora é um mundo contraído, com a fundamental ausência de jovens. Deveríamos, ao invés de ler pensamentos inspirados no apocalipse de Malthus, ler um livro muito mais antigo que dizia simplesmente: crescei e multiplicai-vos. É a receita para um mundo são.




1 Não dá para levar a sério Paul Krugman e Mirian Leitão depois disso não é?

2 Sobre esse assunto, ler esse relatório.

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segunda-feira, outubro 17, 2011

prisioneiros do erro

Uma das coisas que me cansam é uma certa mania das pessoas usarem a frase "tudo é relativo" ou uma de suas variantes "não existe verdade". Elas acreditam tanto nisso que passa a ser uma verdade absoluta, o que mostra como a frase é vazia de significado e uma impossibilidade lógica.

O que elas querem, ao dizer essa frase, é ter o direito de estarem erradas e não precisar se corrigir. Assim, não existem verdades, apenas ponto de vistas.

O pior é que essa barbaridade é ensinada nas escolas e está na raiz do pensamento moderno; o que mostra que o pensamento moderno tem problemas muito sérios.

Mais do que direito a estar errado, deseja-se o direito a continuar no erro e persistir na ação. Talvez isso seja novo na humanidade. Saber que está errado e mesmo assim estar no direito de considerar-se certo.

Essas inversões conceituais são os principais problemas do nosso tempo. Economia, política, sociologia, tudo mais derivam da falsa liberdade de se pensar o que quiser. Com isso torna-se na verdade prisioneiro.

Prisioneiros do erro.

sábado, outubro 15, 2011

Encaixando quadrados em triângulos




O grande fenômeno do século XX, que prossegue no XXI, foi a hipertrofia do estado moderno e a consequente diminuição do indivíduo. Muitos ainda acham pouco, defendem que esse estado seja ainda mais poderoso e absoluto.

Esse aumento do poder do estado não teria como acontecer não fosse pela tecnologia, pelo avanço científico, principalmente dos processos de gestão. Passo a passo com o aprimoramento da administração privada, os governos foram adquirindo instrumentos para garantir a ampliação de seu papel na sociedade. O resultado é o estado que temos hoje, onde um ferramental tecnológico sem paralelo na história permite que se caminhe a passos largos para um controle absoluto sobre indivíduos e empresas. Algo parecido com o que Huxley visualizou no cada vez mais indipensável Admirável Mundo Novo.

Um dos tipos desse pesadelo moderno, cheio de boas intenções, é o super-tecnocrata. É um funcionário público, honesto, capaz de usar todos esses instrumentos de controle e que conhece a legislação no detalhe; sabe citar artigos e legislações pelo nome, no caso, pelo número. Ele realmente acredita que um sistema criado pelo homem (a legislação) baseado em uma visão de um processo perfeito (como a compra de um bem) pode ser aplicado bastanto seguir o que está previsto.

O que ele não sabe é que nada criado pelo homem é perfeito. A perfeição não foi um dos dons que o homem recebeu. Todos nascemos falhos e esse é um dos sentidos do que os cristãos chamam de pecado original.

O tal processo perfeito não existe pois os processos são reais. Tentar tratar um caso real como se fosse este caso perfeito e até certo tempo utópico, é querer encaixar uma peça quadrada em um triângulo.

Não esto dizendo aqui que deve-ser ignorar a legislação por não ser possível aplicá-la na prática. A grande questão é que mais um sistema limitante constituída de proibições, uma lei deve conter os princípios que devem nortear os atos humanos, todos falíveis. Reconhecer que o bom senso deve ter um espaço na análise de qualquer ato e recordar uma das grandes lições de Tomás de Aquino é fundamental para se conduzir uma administração pública.

Que licão é essa? A de que toda norma é geral e toda situação é particular e concreta. A arte do sábio é saber aplicar a primeira na segunda, ou seja, encaixar um quadrato em um triângulo. Aquino se referia aos 10 mandamentos e as normas morais; mas o mesmo princípio vale para qualquer legislação. As situações são particulares e devem ser julgadas como tal.

Esse princípio não entra na cabeça do super-tecnocrata. Para esse existe realmente um mundo perfeito regido por leis perfeitas. Confia segamente em leis e regulamentos e qualquer ato em desacordo com o previsto deve ser penalizado o infrator. Tudo é dano ao erário, independente se o tal erário é danificado ou não. Não tem compreensão verdadeira do que seja bom senso pois, para ele, o bom senso é o extrito cumprimento de uma norma lega. Os números dos artigos e leis são os cânones que usa para fazer seus julgamentos. No fundo, é um fanático como qualquer falso religioso que quer tratar as leis gerais independente das situações particulares.

A simples existência de pessoas assim mostram um sistema doente. Esse é um dos motivos que o estado deve ser visto como um mal necessário e deve ter seu poder limitado. O indivíduo deve ter um certo grau de liberdade, podendo errar ou acertar, mas sempre sendo julgado por seus motivos e sua grau de responsabilidade e não pelo simples cumprimento de um dispositivo legal.

A pretenção de querer ser perfeito é a pretenção de querer ser Deus. O fruto dessa idéia só pode ser a desgraça e o sofrimento.




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quarta-feira, outubro 12, 2011

Fidelidade ao mundo

Right Turns - Michael Medved (2004)




O grande problema das ideologias é a atitude diante da realidade. Um bom ideólogo, ao verificar que sua teoria não encaixa no mundo em que vive, tenta mudar o mundo para se adequar ao sistema mental que tem em sua cabeça. O homem são reflete e modifica suas idéias diante do que está vendo.

Michael Medved é um exemplo da atitude sensata de um homem diante do mundo real. Na juventude um liberal convicto, colega de Hillary Clinton, a ponto de fazer campanha para candidados democratas e estar a poucos metros de Bobby Kennedy quando este foi assassinado. O problema é que Medved foi fiel não a suas idéias, mas ao mundo em que vivia; e esse mundo estava em contradição com suas próprias convicções políticas.

Em Right Turns, ele conta como gradualmente se afastou das idéias de esquerda e foi se tornando o que é hoje, um dos radialistas conservadores mais influentes nos Estados Unidos. O processo não foi estantâneo, muito menos indolor, mas a pessoa que estava ao lado dos Kennedys nos anos 60 terminou ao lado de Reagan nos 80. Medved virou para a direita.

O livro é interessante não só por expor suas reflexões pessoais, mas como um painel do que aconteceu no seu país a partir de meados da década de 60. As agitações políticas do final da década, o problema do Vietnã, o governo Carter, Reagan, Bush. Um olhar que muitas vezes contradiz a visão comum sobre alguns acontecimentos chave do período. Os estudantes americanos, por exemplo, só começaram a protestar contra o Vietnã quando Johnson suspendeu a resolução que impedia que universitários fossem convocados para a Guerra e deixaram de protestar quando Nixon os isentou novamente _ a guerra ainda duraria 2 anos.

O que Medved denuncia no seu livro é uma imensa hipocrisia que alimentava seus ideais de esquerda e continuam alimentando liberais ainda hoje. Seja na imprensa, em Hollywood, na política, liberais buscam seus interesses pessoais mas disfarçam com uma pretença idéia que estão lutando pelos outros, fazendo que se sintam bem consigo mesmos. Medved rompeu com essa círculo e resolveu encarar o mundo como realidade


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terça-feira, outubro 11, 2011

A mais antiga das questões: a morte.

O Filme dos Espíritos (2011)




Já foi dito que a questão filosófica mais importante é a morte. E como lidamos com ela. Por mais que se avance nos mais diversos campos, a questão ainda aflinge a maioria das pessoas: a morte é inevitável.

Normalmente a relação do homem com a morte se dá pela religião. Considerando que a religião expressa a nossa visão do mundo e que as explicações para a morte estão diretamente relacionadas com a visão que se tem da existência e de seu fim, o encontro é inevitável. E normalmente trágico.

A pergunta que o filme coloca é simples: se Deus existe e é soberanamente justo e bom, por que nos deixa morrer? Ou melhor, por que aparentemente a morte leva as pessoas sem nenhum motivo aparente? Por que pessoas boas morrem? Por que o homem sofre?

Essa questão fundamental, da relação da morte com a justiça divina atravessou a história da humanidade. A resposta que o filme coloca, já expressa no título, é a doutrina espírita; ou mais precisamente, a crença da reencarnação.

A visão tradicional cristã da existência após a morte pode dar um consolo para a expectativa de nossa própria morte ou da partida de um ente querido, mas claramente deixa lacunas importantes sobre a justiça de Deus. O grande problema é o julgamento único e definitivo que leva o homem para a solução eterna: céu ou inferto, ou mesmo o purgatório.

A resposta vinda dos espíritos, colocadas por Allan Kardec no Livro dos Espíritos, é que o homem vive muitas vidas e seu objetivo é um só, sua melhoria, a tal reforma íntima pregada por Jesus.

E em torno dessa mensagem que o filme se desenvolve em torno de vários personagens, todos lidando com a perda pela morte e o inconformismo com essa situação. O personagem principal, Bruno, enfrenta a dor da perda da esposa e a aparente injustiça de seu fim trágico. Outros personagens passam por situações semelhantes. A dor está por toda parte.

O filme foi muito bem costurado, com trilha sonora excelente, e uma sucessão de cenas que mostra que com talento é possível fazer um bom filme com recursos limitados; uma boa estória sempre terá apelo. Uma lição que o cinema de hoje parece ter esquecido completamente.


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segunda-feira, outubro 10, 2011

Festival de hipocrisia em Wall Street




Parece que ainda vai levar muito tempo para nos livrarmos das idéias desastrosas e perigosas de Marx e cia. Os esquerdistas resolveram ocupar Wall Street e protestar contra as grandes corporações; segundo eles, os grandes responsáveis pelos problemas que tem enfrentado.

Esqueça os anos de déficit público elevado, as política econômicas liberais que incharam o estado produzindo uma enorme massa disforme e inútil, a crença que em algum lugar além do arco-íris tem um pote de ouro capaz de financiar todos os delírios de justiça social, a criação de pessoas que realmente acham que não precisam produzir pois os que produzem têm obrigação de sutentá-los. Os grandes culpados são os ricos e na prática os "hippies" do século XXI baseiam sua visão de mundo na velha e boa luta de classes. São os ricos os culpados por suas próprias situações. Aí começa o show de hipocrisia.

Os mesmos jornalistas e comentaristas que atacavam a suposta agressividade do Tea Party, agora silenciam sobre a violência dos ativistas de esquerda. Associam Wall Street e as grandes corporações com os Partido Republicano, como se a concentração econômica não fosse uma obcessão democrata. Com seus iphones nas mãos, ipods nos ouvidos e roupas da gap, tentam ser uma espécie de comuna de Paris protestando contra tudo. O que querem? E isso importa?

Estão fora do tempo e, para variar, fora da realidade. O universo paralelo que essa gente vive realmente é um lugar lindo, coerente e simples. Mas falso.

Não morro de amores pelas grandes corporações, mas sou coerente suficiente para dizer que tenho em minha casa muito do seu produto. A baixo preço se comparado pelo retorno que tenho. Os hipócritas que estão em Wall Street têm mais do que eu, a preço ainda menor e se sentem na condição de protestar.

Esse é os Estados Unidos de Obama.


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quarta-feira, outubro 05, 2011

Greve dos Correios. Uma palavrinha.

Acho que a sindicalização e o direito à greve foram importantes conquistas para os trabalhadores para negociar em melhores condições com as empresas suas condições de trabalho. Através desses instrumentos, os trabalhadores podem se organizar e negociar em conjunto buscando melhores acordos. Infelizmente, a politização dos sindicatos, que se tornaram braços dos partidos de esquerda, colocaram em segundo plano os interesses das pessoas que teoricamente deveriam representar.

Um dos grandes problemas é a greve de funcionários públicos. O fundamento de uma greve é que durante a paralização a empresa sofre prejuízos e, nos limites da lei, procura ceder na negociação buscando um acordo satisfatório para ambos. Quanto mais tempo levar a negociação e a greve, maior serão os prejuízos da empresa, forçando-a a encurtar todo o processo.

A grande questão da greve do funcionário público é que esse princípio básico não funciona. Como a estatal ou o governo não precisa de lucro para existir, nem os interesses dos gerentes são afetados pela greve, não há pressa para resolver os impasses. Afinal, quem fica com o prejuízo são os usuários do serviço público. No caso dos correios, todas as pessoas que utilizam o serviço. A não se que se acredite realmente que os patriotas do PT, PMDB e etc, que administram a empresa, estejam realmente preocupados com os infelizes que utilizam do serviço do correios.

Por isso, greves de funcionário públicos duram essa eternidade. Na prática, os grevistas usam as pessoas comuns, os consumidores, como refém na negociação e os negociadores das estatais e governos tem muito menos interesse em resolver rapidamente o problema do que uma empresa privada. Só por isso a greve de funcionário público deveria ser proibida por lei. Em caso de insatisfação com os salários, procure seu emprego na iniciativa privada. Existem salários ruins de funcionários públicos? Certamente. Mas os salários e os benefícios indiretos no mundo privado são ainda piores. Por que os funcionários públicos acham que deveriam ganhar mais do que seus colegas do mundo privado?

E ainda tem a hipocrisia de ver funcionários públicos enrolados em bandeiras do Brasil, junto com aquelas porcarias do PT, PSOL, etc, dando uma de patriotas. Uma banana para essa gente! Vão trabalhar porque no fundo estão em melhor condição do que a grande maioria dos brasileiros. Querem fazer greve? Que saiam do emprego público e deixem o salário pago pelo contribuinte, que não tem nada a ver com o salário que estão recebendo, para outro que dê mais valor. O mercado privado está de braços abertos para os competentes. Coragem!





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terça-feira, outubro 04, 2011

Os novos moralistas


Existe um certo tipo de pessoa que realmente se acha em um nível avançado em relação à humanidade. Está acima de qualquer religião porque a simples idéia de religião está atrasada. Está acima de qualquer idéia de moralidade e ética porque essas idéias são produtos culturais atrasados. Está acima da própria realidade do mundo porque essa realidade insiste em não querer acompanhar o progresso da humanidade; no caso, claro, do progresso de uns poucos uniciados. A massa ainda está acorrentada a uma série de dogmas inúteis e atrados como família, Deus, mundo real, enfim, bom senso. Uma espécie de mito das cavernas entendido por uma mente formada pela tal "escola crítica".

Esta pessoa é chamada de progressista. O principal problema é quando essa pessoa assume poder suficiente para impor o progresso a esses seres pré-históricos que se recusam a ver a luz. Ela não percebe que sua não-religião é uma religião, que seu desprezo à moral é uma moral, que sua recusa em aceitar a realidade é... bem, nesse caso é loucura mesmo.

O resultado disso tudo é achar que a propaganda da Gisele B. ofende as mulheres, que a propaganda dos poneis malditos ofendem os poneis, que as piadas do Rafinha Bastos(algumas realmente infelizes) ofendem as minorias e assim por diante. Se tudo isso viesse de um religioso, este seria chamado de intolerante, embora exista uma coerência no que um religioso acredita e a condenação a essas coisas todas. Mas o progressista? Este não vê problema nenhum com uma parada gay no meio da tarde de domingo, que uma criança espero a maioridade para definir seu sexo (?!??), participa da tal marcha das vagabundas que defendia o direito de mulher se vestir como... uma vagabunda!, acha que Israel tem que ficar quieto enquanto é atacado e que a criação do estado judeu foi um erro da ONU.

São os novos moralistas. E estão no poder.




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domingo, setembro 25, 2011

O retrato do mundo hoje. Escrito em 1905.

Hereges


G. K. Chesterton

Em 1905, G. K. Chesterton resolveu escrever um livro sobre os hereges. Heresia, para ele, era tudo que não estava de acordo com o próprio pensamento pois sua tese central é que nada é mais importante para o homem do que sua filosofia pessoal. O problema da modernidade começava com a equivocada tese de que as questões práticas de uma pessoa era mais importante do que ela acreditava. Chesterton inverte essa equação. Para ele, as questões do dia a dia, as decisões tomadas por cada pessoa, os governos, a política, a arte, as viagens, a guerra; tudo isso era insignificante diante da visão que temos do mundo, ou seja, de nossa filosofia pessoal, também chamada de religião.

Esse conjunto de crenças pessoais, chamou de Ortodoxia e por causa disso, as crenças pessoais que estavam em desacordo com as suas chamou de heresias. Em Hereges, Chesterton apresenta escritores, políticos, poetas, artistas, enfim, vários criadores que em suas obras mostraram várias dessas heresias. Bernard Shaw, H. G. Wells, Kipling e tantos outros, muitos desconhecidos para um brasileiro do século XXI; não importa, são as heresias que dominam todo o livro.

A partir de lugares comuns defendidos por esses homens, Chesterton os virava de cabeça para baixo e mostrava os paradoxos que se escondiam nessas crenças pessoais. Para ele, a essência de uma boa filosofia é o paradoxo e ninguém como ele foi capaz de revelá-los. Longe de criticar esses homens por suas idéias práticas, ele ia na filosofia primeira, no que uma pessoa precisava acreditar para expressar certas afirmações, que nada mais eram do que consequências lógicas a partir de certas premissas. E essas premissas eram heresias.

Assim Chesterton mostra porque o homem que vive viajando conhece menos do mundo do que o que nunca saiu de sua aldeia; porque a idéia do relativismo é uma idéia absoluta; porque o vinho não deve ser bebido como remédio e sim por prazer; porque o paganismo nunca poderá ser uma evolução do cristianismo; porque um romancista ruim revela mais sobre os homens do que um bom romancista; porque a idéia de ajudar os pobres é antidemocrática; porque a família deve ser protegida por não ser pacífica, não ser agradável e não ser cordata.

São tantas a idéias grandiosas que não há como resumi-las. Cada frase de Chesterton reune uma infinidade de idéias que se uma pessoa passar o ano inteiro lendo esse livro, uma frase por dia, saberá mais do mundo moderno do que passar 365 dias acompanhando o noticiário.

Só para ter uma idéia, eu já vi muita refutação às ideologias, mas jamais vi alguém conseguir em uma única frase colocá-la na lata de lixo da história. Se as pessoas pensassem 30 segundos, seriamente, sobre o que Chesteton disse, não haveriam mais socialistas no mundo: "a fraqueza de todas as utopias é esta: tomam a maior dificuldade do homem e a supõem superável e, então, fazem uma descrição elaborada da superação das menores dificuldades".

O livro de Chesterton é tão atual, até porque em muitos pontos preveu muitas coisas, e todas se realizaram, que não é difícil enxergar várias personagens do nosso mundo de hoje. E entender o que tem por trás de cada uma delas.

Uma obra espetacular. Uma obra de gênio.




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quinta-feira, setembro 22, 2011

Sintomas de uma patologia

Poucas vezes eu vi um exemplo tão contundente de confusão mental misturada com impostura intelectual do que um artigo escrito pelo tal Alex Castro. Já li um ou outro texto deste cidadão e confesso que dessa vez ele se superou. A sua ruptura com a realidade chegou a níveis patológicos.

Ele começa sua peça com a afirmação que existe uma regra simples para avaliar a seriedade de uma pessoa ou grupo de pessoas. Se ela defende algo, alguém deve ser contra. Se é contra algo, alguém deve ser a favor.

Não consigo imaginar um único assunto na face da terra que exista um consenso total. Nem mesmo da própria existência, visto que alguns loucos conseguem duvidar até disso. Por esse critério, não vejo como não chegar a conclusão de que qualquer pessoa no mundo é séria. Se ele chegasse a essa mesma conclusão, seria um daqueles casos que alguém afirma o óbvio e depois fica provando o que a grande maioria não gastaria 2 ou 3 segundos para fazer.

O mais interessante, é que ele não chegou a essa conclusão. Por um raciocínio, se é que podemos chamar assim, torto do início ao fim, chegou a brilhante conclusão que determinados protestos não são coisa de gente séria pois afirmam coisas que ninguém é contra. Para acreditar realmente nisso, ele teria que partir do princípio que existem coisas realmente consensuais na humanidade, o que ele desmente na parte final quando faz uma ladainha em defesa do relativismo, de que não existe verdade, e aquela baboseira toda que só seduz os herdeiros da modernidade.

Mas estou divagando. Retomando o fio, Alex apresenta alguns exemplos de protestos vazios.

O primeiro exemplo são os movimentos pró-vida. Segundo ele, ao pé da letra, só pode ser coisa de gente não séria pois ninguém é contra-vida. No entanto, quando considerarmos que na verdade esse pró-vida significa contra-aborto, faz todo sentido pois existem pessoas que defendem o aborto.

Pois digo que o movimento pró-vida só tem sentido por ser um dos raros exemplos de uma expressão utilizada apropriadamente. Uma pessoa não usa o termo pró-vida por ser contra o aborto; ao contrário, é contra o aborto por ser a favor da vida. Pode-se discutir muita coisa sobre o aborto: se o feto tem consciência, se não seria melhor poupá-lo de um futuro tenebroso, se realmente pode ser chamado de feto. Uma coisa, entretanto, não pode haver discussão, que trata-se de uma vida. Pode-se até duvidar que seja ainda uma pessoa, mas qualquer um que já viu um ultra-som ou utilizou um microscópio vê o que a realidade mostra com toda clareza: ali há uma vida.

Não dá para dizer portando que quem defende o aborto esteja a favor da vida. Está defendendo, consciente ou não, a interrupção de uma vida. Pelo próprio critério de Castro, o movimento pró-vida, com todo rigor semântico é sério pois defende algo que algumas pessoas se colocam contra.

Depois vem com a questão da família. Não faz sentido ser a favor da família pois ninguém é contra. Até parece que não existem pessoas que afirmam que o conceito de família é algo ultrapassado, uma imposição da sociedade. Até parece que regimes totalitários nunca tentaram de todas as maneiras quebrar a estrutura familiar justamente por ser a família o maior fator de coesão social e ameaça ao domínio absoluto. Depois ainda joga a questão do homossexualismo, como se defender a família na verdade seja uma forma de ser contra os homossexuais.

Eu não defendo a família por me sentir ameaçado pelo "casamento" homossexual. Eu defendo a família porque ela está constantemente ameaçada pelo incentivo ao sexo fácil na adolescência com consequências trágicas principalmente para as mulheres pobres, pela banalização do divórcio, pela defesa do amor enquanto durar, pela glorificação do adultério, pela recusa de muitas pessoas em perpetuar sua própria família, e todo esse relativismo moral que tanto mal faz para qualquer grupo humano. Sem contar com as drogas, um verdadeiro destruidor de lares.

Sim, existem os que são contra a família. Como no caso do aborto, usam estratagemas semânticos para não reconhecer, muitas vezes para si mesmos, o que verdadeiramente acreditam.

Por fim, chega onde queria chegar, nos protestos contra a corrupção. Segundo ele, nada pode ser mais vazio do que ser contra a corrupção pois como alguém pode ser pró-corrupção?

Nem vou me ater ao óbvio de se existe corrupção, é porque alguém com certeza é a favor.

Vou falar de outras pessoas que são pró-corrupção:

Quem vota em um presidente que se mostrou corrupto porque ele está do lado certo da força.

Quem vota para presidente em uma pessoa que foi do núcleo duro de um governo corrupto porque esta pessoa está do lado certo ou porque é do sexo certo.

Quem defende que a corrupção é valida desde que seja para fortalecer um projeto de poder.

Quem acha que a corrupção é aceitável se isso gerar dinheiro público para seus cofres, sejam esses cofres de estudantes, sindicalistas ou falsos camponeses.

Quem acha que se usar o dogma da "justiça social" pode-se botar as mãos no dinheiro público, esse nome que o Brasil achou para chamar o dinheiro que foi tomado da população.

Quem não vê problema nenhum em um presidente da república vir a público negar que esteja fazendo uma faxina, que esteja expulsando os corruptos de seu governo.

Alex Castro não é bobo, longe disso. Seu problema é ser esperto demais e achar que é o único. Não é difícil perceber porque nunca estará em um protesto como os que aconteceram desde o 7 de setembro.

Basta ver a citação que faz da presidenta, como prefere dizer na sua gramática relativista. Para Dilma, combater a corrupção são ossos do ofício para um político honesto. Pensem em todas as vezes que usam a expressão ossos do ofício e perceberão o ato falho da mandatária, e do infeliz que a segue.

Por fim, pois já me alonguei demais, uma última palavra, sobre ideologia.

Ideólogo é aquele que monta uma explicação do mundo, simples pois nós humanos não conseguimos fazer coisa melhor, e tenta encaixar o mundo nessa visão. É o famoso louco de Chesterton que tenta colocar o mundo na própria cabeça. Um anti-ideólogo é aquele que faz o contrário, tenta colocar a cabeça no mundo pois acredita que sua explicação do mundo deve estar errada quando constata a realidade.

Não, Alex Castro, não somos todos ideólogos pelo simples motivo que existem pessoas que fazem uma reverência toda especial, uma reverência à realidade. Que sabem que você pode duvidar de tudo, menos do real. Que sabem que são pessoas como você que fazem pessoas de bem ir à rua para defender o que deveria ser óbvio. Mas que não é.

domingo, setembro 18, 2011

Orgulho

Chesterton argumentava que o orgulho era uma das coisas curiosas do mundo. Quando uma pessoa não tem nenhum motivo pessoal para ter orgulho de algo, é uma virtude. Quando ela realmente tem o mérito, ter orgulho é um pecado. Só podemos ter um orgulho saudável, quase que virtuso, por coisas que não tivemos mérito nenhum; o contrário, quando temos orgulho de algo que merecemos, esse orgulho se transforma em vaidade, no pai de todos os pecados como já ensinava Paulo apóstolo.

É fácil perceber isso em nossa vida real. Quando temos orgulho de nossos pais, de nosso país, do mundo, da conquista de um filho, estamos falando de algo profundamente saudável e místico, pois não temos mérito nenhum nessas coisas. Estamas expressando gratuitamente nossa consideração e nosso amor. Agora, imaginem uma pessoa que fez algo notável, como tirar 10 em uma prova. Essa pessoa vira para os amigos e diz: estão vendo como sou bom aluno? Tirei 10! Sou realmente muito inteligente, dedicado aos estudos. Ele está realmente dizendo a verdade, ele se esforçou, tirou sua boa nota, mereceu. Só que dificilmente deixaremos de perceber que esse orgulho demonstra sua vaidade, seu sentimento de superioridade em relação aos demais. Esse orgulho é um pecado, um conceito desvalorizado nos dias de hoje, mas que realmente expressa sua natureza, o de ser contrário às leis de Deus.

É como a humildade, uma das mais importantes virtudes cristãs, talvez a maior de todas. Chesterton também argumentava que as virtudes cristãs tem essa curiosidade, elas só são virtudes enquanto não percebidas. No exato momento que percebemos que a temos, deixamos de tê-la. Uma pessoa pode realmente ser humilde, mas no instante que olha para o espelho e diz para si mesma: nossa, como sou humilde! Já não é mais.

Uma pessoa pode realmente ter orgulho de muitas coisas: de sua aparência, de suas realizações, da maneira como criou seus filhos, da vida que levou. Mas esse orgulho só poderá existir se não pensar nele. No instante que percebe suas próprias realizações e sente orgulho por elas, foi conquistado pela soberba, pela vaidade, pelo mal que existe no coração dos homens. Um homem saudável, diante dessa coisas, sente que não as merece, pois conhece a impureza de seu coração e tem a intuição que foi ajudado; mais do que qualquer orgulho, sente uma imensa gratidão pela ajuda que recebeu.

Por tudo isso, sempre que alguém falar em ter orgulho por algo, deve-se fazer a seguinte reflexão: essa pessoa tem orgulho por algo que atribui como uma realização, uma escolha, uma vitória sua? Se assim for, muito provavelmente deveria estar quieta e agradecendo, e não bradando esse orgulho para si mesmo e para os outros. No fundo, só mostra desprezo pelos que não tem seu grau de iluminação e isso, como ensinou Cristo, é a essência de todos os pecados, a violação do maior dos mandamentos de um homem para outro: amar ao próximo como a si mesmo.


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terça-feira, setembro 13, 2011

E o governo decide o que tenho que assistir na minha televisão

Quando digo que prefiro os políticos roubando do que legislando acham que estou exagerando. Sinceramente acho que eles dão menos prejuízo e colocam menos a mão no meu bolso quando estão ocupados saqueando o dinheiro público do contribuinte do que quando resolvem trabalhar. É aí que o bicho pega.

Ontem a mandatária assinou a lei que obriga os canais de tv a cabo a reservar inacreditáveis 3 horas e meia para produção nacional nas 6 horas de horário nobre.

A Tv por assinatura é um acordo entre o provedor de serviços e o ASSINANTE, que paga caro para fugir da mediocridade da tv aberta para tentar assistir o que gosta. O que o governo tem a ver com esse acordo? Nada.

Só que agradar as minorias ruidosas cada vez é melhor negócio para os governos em tempos de exposição intermitente na mídia. Artistas e intelectuais são pessoas extremamente ruidosas, bons de se agradar. A maioria silenciosa dos assinantes são dispersos, sem organização suficiente para protestar contra mais uma intromissão indevida do estado nas suas coisas particulares. Tudo em nome de defender a produção nacional.

Como se o horário nobre das tv ABERTAS não fossem de conteúdo 100% nacional. Como se os programas de maior audiência no Brasil não fossem nacionais. O que querem mais? Por que um cidadão não pode ter o direito de assistir o que quer sem o estado se meter? Sai para lá SATANÁS!

O pior que como tudo tem custo, quem vai pagar pela BOÇALIDADE de reservar o horário nobre de canais de tv para programação de péssima qualidade é o de sempre, o CONSUMIDOR, aquele que paga a fatura. Não basta eu ser obrigado a pagar para ter aquele bando de canais vagabundos (TV Senado, câmara, justiça (o pior de todos), TV Brasil e porcarias afins) agora eu vou ter que aturar a MARAVILHOSA produção nacional, fruto da criação de nossos FANTÁSTICOS intelectuais brasileiros, dentro da minha casa e ainda PAGANDO POR ISSO. Puta que pariu!

Tem horas que não há limites para a revolta!

PUTA QUE PARIU!

Eu tenho um sonho. Sonho com o dia que o estado vai parar de se meter na minha vida.

Sonho com o dia que essas almas iluminadas, que apoiam o estado babá, parem de se meter na minha vida e entendam que não possuem o DIREITO de me impor o que as fazem se sentir melhores com elas mesmas, porque se acreditassem mesmo no que pregam, estariam assistindo essas porcarias ao invés de tentar enfiá-las goela abaixo dos outros.

CUIDEM DE SUAS PRÓPRIAS VIDAS!

É difícil entender ou tenho que desenhar?

quarta-feira, agosto 24, 2011

Uma obra rara

Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus
Evandro Affonso Ferreira


Um velho escritor sabe que está próximo do fim. Aos 80 anos, passa um domingo em uma cafeteria de um shopping. Chove. Solitário, trava diálogos telepáticos com as pessoas que observa, fugindo de seu próprio isolamento. Sua infelicidade é patente; marca de um trauma que nunca conseguiu superar, o suicídio da própria mãe quando ainda era criança. Pior, a consciência que não houve uma carta, nada, apenas a morte sem um adeus.

Em torno dessa situação, Evandro Affonso Ferreira constrói uma série de reflexões sobre a atitude do homem diante da morte, retomando um pensamento de Camus: a única questão filosófica relevante é o suicídio. O narrador teve uma vida infeliz, não acredita em Deus ou na vida futura, mas afasta qualquer tentação de "cortar a teia da própria vida" como afirma sempre. Por que? Nem ele é capaz de explicar. Um pouco do sentimento que ficou pela perda da mãe, um pouco de medo do desconhecido ou do nada absoluto.

Outros dois suicídios aparecem nos pensamentos do escritor; o da mãe de uma amiga filósofa, fazendo um contraponto ao seu próprio caso pois essa deixara uma carta; e o de uma cliente da cafeteria que teria se apaixonado pela garçonete ruiva. O foco de Evandro nem é tanto os suicidas, mas os que ficam; o abandono dos que são deixados para trás; com ou sem carta.

Utilizando uma estrutura narrativa não usual e um texto bonito, Evandro rompe com a mediocridade e a falsa literatura de pretensos intelectuais como Chico Buarque para dar uma verdadeira aula do que é ser um escritor. Além disso, foge do esquema de exaltação da pobreza e uma falsa brasilidade que se construiu nas últimas décadas, praticamente sepultando a alta cultura no país. Seu tema é universal, é a própria condição humana. O resultado é um livro maduro e de valor. Um raro alento da nossa pobre literatura.


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segunda-feira, agosto 15, 2011

Notas soltas

Lars Von Trier é aquele cineasta que foi execrado por ter declarado ter simpatias por Hitler. O problema é que seus mais feroses detratores não vêem problema nenhum em gente como Oliver Stone, um fã declarado de Stalin, Fidel e que fez um filme glorificando o porco fedorento do Che Quevara. Mais uma demonstração que a esquerda não tem problema nenhum com assassinos, desde que matem pela causa certa. Cada um com seus monstros. Eu fico com nenhum. Quem admira o comunismo não tem padrão moral para criticar o nazismo. São primos siameses.

O editorial da Veja desta semana procura mostrar os partidos da base aliada como corruptos que aproveitam qualquer oportunidade para meter a mão no dinheiro do contribuinte. Até aí tudo bem. O problema é que a revista separa Dilma, seu governo e o PT da lama pintando a presidente como uma protetora do cofre, que se defende da ferocidade "dessa gente". Como se ela não tivesse participado da montagem da pilantragem. Como seu partido não fosse a diração geral da bandalheira generalizada. Como se não tivesse sido eleita por esta podridão.

Por falar em Dilma, toda hora aparece notícia que a presidente está irritada com isso, irritada com aquilo. O que não aparece é que sua irritação é com esses aliados que se deixam apanhar com a mão na bufunfa. Pelo amor de Deus senhores! Sejam profissionais!

A crise atual só mostra que o estado do bem-estar social é insustentável. Quer dizer que morreu? Longe disso. Enquanto os eleitores continuarem acreditando que o governo os protege da ganância dos ricos, políticos irresponsáveis e populistas, como Obama, continuarão sendo eleitos e aumentando ainda mais o poder do estado. E a coisa só vai piorar. Ninguém quer saber da grande verdade: o homem tem que ser o principal responsável por seu próprio sucesso. O resto é conversa.

Antony Daniels diz nas páginas amarelas o que qualquer homem sensato sabe: prisão tem como principal finalidade tirar bandido da rua. Qualquer outra coisa é secundária. A esquerda passou décadas tentando fazer da prisão uma escola para educar marginais. O pior é que conseguiu.

O torcedor do Flamengo entende que alguém torça contra seu time. O mesmo acontece com o torcedor do Fluminense, do Grêmio, do Corinthians. Menos o do Barcelona. Esse acha inconcebível que alguém possa torcer por um time que é mais do que um time de futebol, é um verdadeiro ideal de pureza. Talvez esse seja o principal motivo para tocer contra.


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sábado, agosto 13, 2011

Eterna decadência


Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)

Uma das críticas a um pensamento conservador é que a época anterior foi melhor do que a atual, o que rejeitaria o ideal do progresso. A modernidade foi toda construída em cima da idéia de ruptura com o passado e a crença exatamente oposta, que vivemos o momento mais radiante da humanidade.

Esse é o ponto de partida para o excelente filme de Allen que faz uma homenagem a Paris e tudo que a cidade representa. Gil, um roteirista de sucesso de Hollywood personifica o ideal de uma época de ouro que ja passou e Inez, sua noiva, o ideal do presente. O problema é que a referência de Gil não é sua época, onde ganhar dinheiro é o sinônimo do sucesso, mas um passado idealizado onde a obra do artista é seu grande legado. O filme é também uma reflexão sobre a arte e seu papel no mundo de hoje.

Através da magia, Gil é transportado à meia-noite para a época que sempre glorificou, a década de 20, onde passa a se encontrar e conversar com seus ídolos e referências, casos de Hemingway, Fitzgerald, Bunel, Dali e tantos outros. Conhece e se apaixona por uma namorada de Picasso e é justamente ela que mostra a ele o grande problema de achar que a grande época está em um passado idealizado. A partir desse confronto, Gil tem que lidar com seus próprios conflitos e decidir o rumo de sua vida.

Woody também aproveita para fazer uma crítica mordaz ao intelectualmente correto, uma variante do politicamente correto, na figura do amigo intelectual, ou pseudointelectual, da noiva. Não se deve tratar a arte com exibicionismo ou ferramenta para demonstrar uma pretença superioridade cultural. O verdadeiro sentido da arte está na contemplação e na admiração.


Woody Allen acerta a mão em cheio nesse excelente filme.

sexta-feira, agosto 12, 2011

Custo de Oportunidade


Na Uol:

Mais técnica que política, a presidente Dilma Rousseff quer todas as obras previstas dentro de um cronograma de metas o mais rápido possível. Dos 55 projetos apresentados para captação do dinheiro do Fundo de Garantia, via Caixa Econômica Federal, apenas 38 foram contratados. O governo federal tem R$ 7,8 bilhões para financiar as obras, mas alguns projetos estão sendo reprovados. Mesmo os projetos contratados podem ter sua abrangência reduzida dramaticamente, caso a obra não seja entregue até dezembro de 2013.


Não vou nem entrar no mérito de considerar a presidente mais técnica do que política. Na verdade é difícil definir em qual categoria ela é pior, mas deixa isso para lá.

A questão aqui é o custo de oportunidade, um dos conceitos econômicos mais importantes para compreender o que acontece no mundo atual e talvez por isso mesmo um dos mais desconhecidos.

Custo de oportunidade refere-se a custo que se tem ao empregar um recurso em uma finalidade ao invés de outra. Todo emprego de recurso é uma escolha que exclui todas as outras alternativas. Quando compro bananas, deixo de comprar peras e assim por diante. A questão do custo de oportunidade é se um recurso que emprego não geraria mais benefícios se empregado em alguma das outras alternativas disponíveis. Junte-se o custo de oportunidade com a obviedade que os recursos são escassos e temos a base para analisar as políticas públicas. A pergunta principal deve ser: considerando a escassez de recursos, estou empregando esses recursos na melhor finalidade possível?

Quando anunciou-se que o Brasil seria sede de copa do mundo, no meio de toda aquela euforia e sonhos de grandes estádios, aeroportos, mobilidade urbana e etc, observei na hora: e o custo de oportunidade?

A copa do mundo não criou dinheiro do além. A falácia de que não se usaria dinheiro público só enganou os ingênuos, e são muitos!, mas logo esse discurso foi abandonado. O que vai pagar a copa do mundo é o bom dinheiro do contribuinte, como esses 8 bilhões citados na reportagem.

Esses 8 bilhões, retirados do fundo de garantia, não teriam melhor emprego do que obras para a copa do mundo?

Essa é a pergunta que cada brasileiro deveria estar se fazendo. Quando fizermos isso, estaremos em condições melhores para avaliar políticas públicas e entenderemos finalmente que o estado não é uma máquina de fabricar e distribuir dinheiro, mas uma forma da sociedade alocar seus escassos recursos onde mais precisa.

O resto é fumaça.