segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Radicalismos


Uma das coisas que tenho observado nas discussões da internet, cartas de jornais, blogs e outras formas de manifestação de opiniões é que estamos cada vez mais radicalizando nossas opiniões. Se estamos caminhando para uma sociedade mais evoluída, tolerante e esclarecida, por que isso está acontecendo? Por que as tonalidades cinzas estão se perdendo e as coisas estão cada vez mais na dicotomia preto e branco?

Uso a primeira pessoa do plural porque eu também me incluo nesse tipo de comportamento. Outro dia mesmo uma pessoa muito querida me disse que minhas opiniões estavam muito radicais e depois de um momento de autodefesa automático, eu parei para pensar no que ela disse e cheguei a conclusão que ela tinha razão. Foi quando uma percepção se firmou como um raio no meu pensamento, não será exatamente isso que está faltando?

Falo da capacidade de parar e pensar no que a outra pessoa disse e nos desagradou. Colocar-se um pouco no lugar dela e refletir em seus argumentos, será que ela não tem razão? Será que não posso estar errado? E se estiver, qual o problema em reconhecer? Vou me diminuir por causa disso?

Pode ser exagero meu, mas acho que toda vez que uma pessoa se recusa a levar em consideração os argumentos do outro, de se colocar um pouco no lugar deste e refletir sobre o que lhe foi dito, no fundo demonstra a falta de respeito para seu interlocutor. Cada vez mais estamos mais preocupados em provar que estamos certos e não que podemos construir juntos um entendimento melhor do que está acontecendo. Estamos nos tornando cada dia mais dogmáticos e intolerantes.

Basta ver o que escrevemos e o que falamos. Quantas vezes usamos o ponto de interrogação ou a palavra mágica "acho" ? Olhe para seus textos e reflita, até que ponto você está aberto para outra opinião ou pelo menos para respeitar a opinião de quem está dialogando com você?

Talvez um dos fatores que têm contribuído para essa radicalização seja a internet e principalmente a criação das redes sociais. Através dela, as pessoas estão cada vez mais se conectando os que pensam de maneira semelhante e se juntando em grupos de opiniões fechadas. Há algum tempo atrás alguém comentou que 99% de seus amigos na internet tinham a mesma posição política que ele. Natural dizem uns, buscamos as pessoas que temos mais afinidade. O problema é que perdemos a capacidade de discutir seriamente os assuntos que dizem respeito a vida humana com pessoas que pensam diferente de nós e com isso ter percepções que muitas vezes estão escondidas de nós mesmos.

Digo isso porque o contato que tenho com a maioria dos meus amigos é pessoalmente. Praticamente nenhum deles eu conheci por minhas opiniões ou idéias; o destino nos colocou juntos e a partir daí construímos nossas amizades ou relacionamentos. Discordamos de muitas maneiras e nem por isso jamais nos deixamos de respeitar, mesmo que saiam algumas rusgas ocasionais. O principal é que nenhum de nós quer doutrinar o outro ou mudar sua opinião, apenas tentamos mostrar nossos modos de pensar e tentar entender os argumentos em contrário. Muitas vezes essas conversas me deram muito o que refletir e me fizeram pensar melhor sobre muitos pontos.

Agora esse tipo de amizade se torna impossível quando a pessoa não respeita seu direito de ter opiniões contrárias, jamais pensa sobre seus argumentos e prefere morrer do que admitir que você pode ter razão e ela errada; encara tudo sobre a óptica de uma disputa de opiniões em que precisa vencer a qualquer custo e provar sua superioridade intelectual. Nesse caso é melhor se afastar e evitar qualquer discussão. Aristóteles já ensinava que só se pode discutir quando a outra pessoa está empenhada em buscar, com você, respostas para questões que o mundo nos coloca.

Estou longe de ser uma pessoa perfeita e com certeza tenho muito que aprender nessa vida. Só que quando uma pessoa me diz que estou sendo radical eu sempre estaco como se levasse uma bofetada e penso a respeito. Será que ela tem razão? Invariavelmente tem e fico um bom tempo me recriminando e prometendo a mim mesmo não repetir meu comportamento.

Pelo menos eu identifico minha doença e tento sinceramente me curar dela. Já é muita coisa, pois o radical dificilmente pensa que é radical. Na maioria das vezes se acha uma pessoa iluminada, capaz de ver o que o outro é incapaz de ver. Pior, se acha uma melhor pessoa justamente pelas opiniões que tem. Se suas opiniões fazem bem para seu ego, tome muito cuidado. É grande a chance de ser um radical de carteirinha.

Enfim, o radicalismo está a vista de todos. Está em cada votação no congresso, em cada opinião política, em cada debate, em cada eleição. O que virá disso? Imagino que uma humanidade menos solidária e desconfiada, o que para mim é o justo oposto de progresso.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Top 5: Bandas superestimadas

Sabe aquela banda ou artista que quase todo mundo adora mas você não consegue engulir? As vezes você até acha legal e tal, mas não vê tanta coisa assim. Todo mundo tem a sua lista e aqui vai a minha:

5. Ozzy Osbourne - Adoro os primeiros discos do Sabbath e tenho os dois primeiros do Ozzy, mas nunca achei o vocalista tão bom assim. Mesmo a tal atitude nunca me convenceu muito; sempre me pareceu meio pastelão demais para meu gosto. Nos primeiros discos até que dava para passar, mas depois o cara ficou uma gigantesca mala sem alça. Para piorar, ainda fez uma baita sacanagem com Lee Kerslake e Bob Dasley tentando apagar da história a melhor banda que montou.

4. Cazuza - O cara só conseguiu gravar porque era filho de um produtor musical. Não sabia cantar, vendia drogas, tinha uma vida promíscua e letras no máximo razoáveis. Morreu como um grande nome da música brasileira. Vai entender.

3. Roger Waters/Sting/Bono - Mais do que um indivíduo, esta trinca representa um tipo de artista que a partir de meia dúzia de leituras ralas acham que são doutores em política e passam o show fazendo pregação. Posam de intelectuais mas no fundo são um bando de idiotas úteis.

2. The Doors - Confesso que tentei gostar dos caras, mas não deu. Não sei se é por falta de um baixista ou simplesmente porque a maioria das músicas são muito chatas mesmo. Para mim, o Doors se resume a 2 ou 3 boas músicas. Foram salvos pela morte do Jim Morrison, antes que a decadência começasse.

1. U2 - Aqui não tem convesa. A banda tem até algum talento, mas virar a grande banda de rock dos últimos 10 anos com estádios lotados e filas gigantescas para comprar ingressos para suas apresentações. Façam-me o favor! É para escutar de vez em quando e só. Se repetir muito enjoa.


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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

O poder do cristianismo

Sempre que estou agitado, revoltado com as diversas situações, com o caminho que a humanidade está trilhando e paro para pensar em minha fé, para ler as mensagens cristãs, tudo se acalma e vejo despertar aquele imenso sentimento adormecido que tanto caracteriza um verdadeiro cristão, a esperança.

Quando tudo parecia perdido, quando nenhuma salvação parecia possível, os cristãos se refugiavam na maior arma que possuiam, a esperança da salvação. Foi assim desde os primeiros dias da Galiléia, no imenso martírio em Roma, nas invasões bárbaras e muçulmanas, nos totalitarismos modernos e ainda é nos dias de hoje quando a ameaça é mais sedutora e perigosa, e atende pelo nome de materialismo.

O marxista apressado _ e que nunca leu uma página de Marx _ já corre gritando: é o capitalismo! E conclui, como já escutei de um, que Jesus foi o primeiro socialista. Pois Jesus disse, dai a César o que é de César. O mundo material, a forma de governo, a organização social, nada disso o interessava. Sua pregação não era para resolver os problemas dos homens, mas para salvar sua alma. Uma das lições de Criste era que a humanidade só seria melhor quando o homem também o fosse.

Mas fez um importante alerta: ao homem sempre deveria ser preservado o direito de escolha. Ele deveria se converter e não ser convertido, deveria escolher o bem e não ser obrigado a fazer as escolhas certas. Pois acredito nisso, que o livre arbítrio é um presente que Deus deu ao homem. Talvez o maior deles.

São os atos individuais marcados pelo egoísmo e pelo orgulho que resultam em todos os males e não sistemas ou formas de organização social e não é reformando o mundo que se obterá um mundo melhor, mas pela reforma íntima de cada um. Esta é a mensagem cristã e seu verdadeiro poder.

O cristão sabe que o homem, a começar por ele mesmo, é falho e constantemente tentado pelo mal. Mas sabe, ou deveria saber, que está a seu alcance a chave para a conversão e este pode ser resumida nas três virtudes pregadas por Jesus, as virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

É uma gigantesca ilusão, fonte de incontáveis desgraças, a crença espalhada no ocidente de que pode-se obrigar um homem a ter virtudes, a se comportar de uma maneira considerada correta. O resultado é todo um estado mental que culmina no absurdo poder do estado e suas leis cada vez mais severas e espartanas, com o principal objetivo de tirar do homem o poder de fazer suas escolhas pessoais.

Chesterton já advogava que um de seus principais direitos como homem, e que nunca abriria a mão, era o de se obrigar. Pois reinvidico esse mesmo direito, o de me obrigar a ser uma pessoa melhor. Não quero que me obriguem a fazer o que sei que deveria fazer mas que por algum motivo não faço. Essa escolha é minha e indelegável. Essa mente privilegiada também afirmava que aos governos deveriam ser deixados apenas as coisas sem importância como economia, policiamento, defesa, administração da justiça, mas que as coisas realmente importantes deveriam ficar longe das mãos dos governantes, que ele resumia em escolher o cônjugue, decidir sobre o nascimento dos filhos e como educá-los. Justamente o que estamos deixando nas mãos das pessoas que menos confiamos, nos políticos!

Diante de tudo isso, o que nos resta?

A esperança cristã. A fé que o homem ainda vai aprender que amar ao próximo é o maior dos mandamentos, junto com amar a Deus, e que precisa ter compaixão pelo seu semelhante. O resultado será a verdadeira caridade, não essa de simplesmente distribuir esmolas, mas a de efetivamente colaborar para ajudar os que sofrem.

Apenas a caridade salvará o mundo.

Ontem fui para a palestra de abertura dos estudos doutrinários da casa espírita que frequento e como sempre sai de lá bem mais tolerante e paciente. No meio da apresentação do coral me toquei de algo precioso, tudo que eu acredito, todas as minhas dúvidas, tudo que estudei só tem sentido pela chave do cristianismo. É a luz que deixa tudo claro e evidente, que me mostra sempre o caminho. Quem não entende os valores que estão associados as lições de Jesus dificilmente entenderá o que estou dizendo aqui e o mundo como realmente se apresenta.

Infelizmente são justamente essas pessoas que estão conduzindo nossos destinos.

Não se assustem se um dia tudo isso mudar.


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Fla na final, Corinthians ressurge

Flamengo e Botafogo fizeram um jogo equilibrado, como já é normal nos últimos anos em que ambos dominam o futebol carioca. Nos penaltis, mais uma vez deu Flamengo, muito pelo péssimo aproveitamento das cobranças alvinegras. Com a eliminação surpreendente do Fluminense, o rubro-negro é o favorito para levar mais uma Taça Guanabara. O problema é que não jogou até agora um futebol que deixe sua torcida segura para a final. É bom abrir o olho.

Como erram passes a dupla Fernando e Williams! O segundo já tem esse mal fundamento como marca registrada, compensando com o seu extraordinário aproveitamento no desarme e na marcação, mas Fernando surpreendeu pois era tido que sua principal qualidade era justamente a saída de jogo. Pois conseguiu errar mais do que o colega! Várias oportunidades de contra-ataque morreram aí, no início, em passes fáceis evidenciando a falta que faz Maldonado que consegue pelo menos sair jogando com tranquilidade e fazendo bem a famosa transição entre a defesa e o ataque.

Outro ponto interessante foi o Negueba. O garoto entrou e de cara já colocou uma bola no meio das canetas do uruguaio. Mais um dible e pronto, toda vez que pegava na bola ficavam 2 ou 3 botafoguenses na marcação, sem dar o primeiro bote. É o maior respeito que um atacante pode ter do seu marcador, ficar esperando seu movimento dando vez aquela imagem bonita da bola parada, os jogadores parados, esperando quem vai dar o primeiro movimento. Só que o garoto ainda tem que aprender a tocar a bola na hora certa. Não precisa tentar o drible todas as vezes e acabou comprometendo pelo menos 2 contra-ataques com a defesa do Botafogo toda exposta.

Em São Paulo, agora que o Corinthians voltou a jogar com 11 jogadores, o timão ressurgiu em um grande jogo. Se tinha vencido o Palmeiras em um jogo em que foi dominado na maior parte, ontem não ficaram dúvidas da justiça da vitória. Neymar decepcionou novamente, mostrando que pode ter se acustumado mal com o sub-20.

domingo, fevereiro 20, 2011

Antes do Amanhecer

Before Sunrise (1995)




Um daqueles exemplos de como nossa percepção muda com nosso amadurecimento pessoal. Quando assisti este filme uns 15 anos atrás, achei chato. Um filme onde duas pessoas passam um dia inteiro conversando sobre os mais variados assuntos? Como gostar de uma coisa dessas?

Semana passada assisti novamente. Achei um excelente filme, um retrato da juventude perdida em uma década de 90 que começou com a esperança de um mundo livre da tirania socialista mas que rapidamente se transformou em um mundo sem sentido, estranho e sem sabor.

Com esse cenário no fundo um jovem americano e uma francesa se conhecem e de maneira absolutamente franca discutem sobre a vida e como se relacionar com ela. Um romance de muito bom gosto, com cenas memoráveis e uma bonita imagem de Viena. O amor pode nascer da franqueza e da honestidade, sem necessidade jogos e convenções sociais ou mesmo de turbulentas emoções. Basta que duas almas se abram um para o outro, como fazem Jesse e Celine no filme.

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O que foi pela semana

O governo conseguiu uma vitória contudente na aprovação do mínimo do mínimo, uma como o anterior poucas vezes conseguiu. De cara conseguiu algo impensável, 100% do PMDB (sempre que esse partido se une, cuidado!). Motivos para felicidade? Nem tanto. A presidentE anda soltando os cachorros contra os infiéis. Quer obediência absoluta. Pode até roubar, como atestam sua escolha de ministério e reabilitação de mensaleiros, mas sem traição!

Parece que o esporte do PC do B no Ministério era o bom e velho colocar a mão no dinheiro público, mais conhecido no Brasil como dinheiro sem dono. Como sempre digo, comunista gosta mesmo de dinheiro. Mais do que qualquer capitalista.

A novela Kassab continua. Parece-me que a turma dos Maias no DEM perdeu um pouco de poder diante da ameaça real de debandada de uma parte do partido. Uma fusão com o PSB? Pode ser. Qualquer coisa é melhor do que esse quadro de hegemonia petralha e oposição de mentira. Melhor até não ter e evidenciar logo a ditadura cultura, ou qualquer outro nome que queiram.

No Egito descobrimos que não é só paz e amor que a multidão queria, ou uma outra versão de paz e amor. Ainda assim, ninguém sabe o rumo que o país tomará. Gente mais inteligente do que eu acredita na revolução espontânea e na vontade do povo. Gostaria sinceramente de acreditar nisso. Teríamos realmente um mundo melhor se uma democracia se implantasse em uma posição chave do Oriente Médio.

Continua o silêncio sobre as perseguições a cristãos no Oriente Médio. Ninguém quer tratar do tema para não ser politicamente incorreto. Essa praga.


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sábado, fevereiro 19, 2011

Taça Guanabara

Este fim de semana começa a semi-final da Taça Guanabara.

Na verdade os campeonatos estaduais viraram torneios preparatórios para o campeonato brasileiro e uma grande armadilha para os treinadores.

O time que encarar o estadual como pré-temporada e colocar como objetivo aprontar a equipe para o restante do ano corre o sério risco de ir mal nos estaduais o que pode significar a cabeça do próprio treinador, como aconteceu ano passado com o Andrade no Flamengo. Diga-se de passagem nem foi mal assim, perdeu apenas para o Botafogo nas duas decisões que fez, resultado perfeitamente normal.

Por outro lado, time que buscar o título a qualquer custo, corre o risco de conseguir seu objetivo. Com o custo de entrar no brasileirão com a pré-temporada comprometida e passar o campeonato com lesões e preparo físico aquem das outras equipes.

Uma verdadeira sinuca de bico.

O Fluminense deve passar com certa tranquilidade pelo Boavista, embora possa sofrer alguns sustos. Já Botafogo e Flamengo é imprevisível.

A melhor frase que escutei esta semana foi que o Flamengo tem obtido resultados bem melhores que suas atuações. É toda verdade. Pelo que jogou, já deveira ter deixado uns pontinhos no caminho.

Domingo, Ronaldinho e cia tem seu primeiro teste.

Mas independente do resultado, vitória ou derrota, não dá para imaginar o que será do ano, apenas o tamanho do trabalho que terá pela frente.

Por fim, este torcedor é completamente céptico sobre a capacidade do Luxemburgo em montar uma boa equipe. Faz tempo que o treinador perdeu a mão e nada indica que vá recuperá-la. Torce para estar errado.


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quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Roll The Bones - Rush


De volta ao bom caminho

Os anos 80 foram complicados para os canadenses do Rush. Depois do grande sucesso de Moving Pictures (1981), Geddy Lee resolveu mudar sua direção artística e privilegiar os sintetizadores, em alguns momentos liderando, a tendência da época que marcou o rock nessa década. Na verdade, as grandes bandas dos anos 70 ficaram meio perdidas no ambiente cultural da nova década e andaram buscando uma nova identidade. Particularmente, eu tenho uma teoria. Quando estouraram Nirvana e o Guns, fazendo justamente o som que estas banda tinham deixado para trás, elas perceberam que o desejo por um som mais "moderno" era mais produto de suas imaginações do que um desejo do público. Era hora de corrigir rumos.

Para o Rush, esta correção começou depois do lançamento do ao vivo Show of Hands, que marca o registro da época dos sintetizadores. Em 1989, Presto começa a dar a volta aos rock que marcou a banda. Em 1991, veio o Roll The Bones e a prova que o Rush tinha voltado ao seu verdadeiro caminho.

O disco é excelente. Desde os primeiros acordes de Dreamline já se percebe que o rock voltava a circular nas veias de Lee e cia. Bravado é uma beleza só, com Peart mais uma vez mostrando como colocar magistralmente uma bateria em uma música mais lenta. Roll the Bones mostra que a introdução de novas tendências deve ser feita como experiência de laboratório, em ambiente controlado e em pequenas doses. Se em The Spirit of Radio já tinham acertado no Reggae, Tom Sawyer nos sintetizadores _ sim, eles! _ agora era a vez de um trecho de Rap que cai muito bem na faixa. Ponto para Lee!

Destacam-se também as excelentes Heresy, Big Wheel e Ghost of chance. Peart estava inspiradíssimo nas letras tratando sobretudo da morte e suas incertezas. Volta ao tema da liberdade de escolha que já tinha abordado em Freewill. E nos traz versos como "Well, who would hold a price/On the heads of the innocente children/If there's some immortal power/To control the dice?".

Em Heresy, mostra que é um atendo observador da conjuntura política percebendo o que viria a seguir da queda do muro de Berlim:

The counter-revolution
People smiling through their tears
Who can give them back their lives
And all those wasted years?
All those precious wasted years
Who will pay?

Era bom ver o Rush retornando aos trilhos.

Cotação: ✭✭✭✭

Testando

Novo aplicativo.

E no Egito...

Pois é, o presidente egípcio renunciou e os militares assumiram o poder. Parece que vão governar até as eleições em outubro mas ninguém sabe como será esta transição, se é que realmente vai ter.

Sou septico em relação à chance do estabelecimento de uma democracia no país. Ainda mais com a irmandade muçulmana andando por lá como se não quisesse nada.

No fim, o Egito pode acabar pior do que quando começou. Revoluções tem dessas coisas, começam prometendo o céu e terminam oferecendo o inferno. É assim desde a Revolucão Francesa.

É sua natureza.

Por isso não confio em massas. Seja de pessoas nas ruas, seja de jornalistas e intelectuais. Quando estão juntos, são capazes das maiores atrocidades. E na grande maioria das vezes são idiotas úteis manipulados para se conseguir objetivos que nem imaginam _ ou mesmo justamente os que acham combater.



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Hoje tem Copa do Brasil

Comeca hoje a Copa do Brasil.

O torneio já teve seu auge mas hoje encontra-se diminuído pela decisão infeliz de deixar os times que disputam a Libertadores de fora. Certamente haveria uma fórmula de incluir estas equipes em fases posteriores da disputa, o que enriqueceria a competição.

Não tem bobo na CBF. Se deixam assim é porque há interesse e a qualidade do terneio não é um deles. Acredito que esta fórmula serve mais para aumentar a possibilidade de zebra, como tem acontecido nos últimos anos, e fazer política com os importantes votos das equipes de menor expressão e com as federações estaduais fora do eixo RJ-SP-MG-RS.

Não sou contra o fortalecimento de equipes de outros estados, ao contrário. Só acho que deveriam fazer seu caminho duelando com todos os grandes e não ter tê-lo facilitado pelo afastamento das melhores equipes brasileiras, justamente as que estão na Libertadores.

O resultado é que faltam à Copa do Brasil o principal, os grandes jogos. Parte culpa de alguns clubes que ficam pelo caminho precocimente, parte por ação da CBF. Os clubes acabam pagando o preço de começar o torneio muito cedo, quando ainda estão formando suas equipes e em plena pré-temporada.

Pouca chance de mudanças enquanto o ditador Ricardo Teixeira continuar no comando. A não ser que os grandes clubes resolvam finalmente se unir e defender seus interesses, o que não parece muito perto de acontecer como evidenciou ontém o presidente do São Paulo ao comprar uma briga idiota com o Flamengo.


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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Top 5 2010: Livros de ficção

5. O Homem que foi Quinta Feira - G. K. Chesterton

Uma crítica política? Uma fábula moderna? Um tratado teológico? Um romance policial? Uma grande aventura? Uma reflexão sobre o homem? Uma grande charada? Talvez tudo isso ao mesmo tempo. Ainda estou tentando desvendar todos os mistérios que Chesterton deixou nas páginas deste curioso livro e provavelmente ainda levarei alguns anos para chegar lá.

4. O Enforcado - Georges Simenon

2010 foi o ano que comecei a entender Simenon. O que me parecia um Agatha Christie menos talentoso transformou-se em um escritor original e com uma imensa capacidade de tratar de temas da existência humana no meio de investigações policiais. Dentre os diversos que li este ano, O Enforcado foi o que mais me impressionou. O assunto do livro é a culpa e as várias maneiras de lidar com ela. Coisa de gênio.

3. As Horas de Katharina - Bruno Tolentino

Sem palavras para Bruno Tolentino. Os poemas que Katharina, uma jovem que se transforma em freira para fugir do seu passado é um primor. A peça, que joga luz sobre o que se escondia por baixo dos versos é de ficar de queixo caído, é tudo que Ibsen poderia ter sido. Uma reflexão moral como só uma alma grandiosa conseguiria fazer.

2. Don Quijote - Miguel Cervantes

Depois de um ano de leitura (ler em espanhol ainda me é meio penoso) cheguei ao fim da obra-prima de Cervantes e talvez da literatura ocidental. Mais do que a estória de um velho maluco que entra em diversas aventuras e seu inesquecível escudeiro, uma reflexão primorosa sobre a condição humana e todo o mal que a época moderna traria ao homem. Cervantes percebeu que uma vida sem valores morais sólidos e transcedentes só poderia levar ao inferno na Terra. E levou.

1. Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens

Direto para meu top de todos os tempos. Um dos melhores livros que já li em minha vida, de ficar de boca aberta em toda última parte. Não há como ver a Revolução Francesa do jeito que nos conta os livros de história da escola ou da visão que predomina no imaginário popular. Uma estória de redenção e sacrifício, da afirmação do valor do indivíduo e da importância de cada alma humana.

Mensão Honrosa: Neste ano que passou dei prioridade à literatura pois percebi que é nossa maior fonte de cultura. Ela tem o alcance que nenhum livro de filosofia, história, política e etc jamais terá pois consegue dialogar com todas as áreas do saber humano e reflete as grandes correntes de pensamento da época de cada obra. Acabaram ficando de fora grandes livros como:
- O Avesso da Vida - Philip Roth
- A Inocência de Padre Brown - Chesterton
- O Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
- O Feijão e o Sonho - Orígenes Lessa
- Conto de Inverno - Shakespeare


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terça-feira, fevereiro 08, 2011

Um dia triste

Hoje o dia terminou bem triste.

Quando cheguei na escola para buscar minha filha, fiquei sabendo que uma menina de 2 anos havia falecido durante a aula de natação. Mais tarde soube que morava aqui na minha quadra e que estava brincando próxima da minha caçula há três dias atrás.

Uma das coisas mais impressionantes do ser humano, e que nos torna diferente dos animais, é a incrível capacidade que temos de nos colocar no lugar de outras pessoas e sentir suas dores e alegrias. É justamente essa capacidade que quando falta produz os homens capazes das piores atrocidades e não é a toa que muitas vezes os chamamos de desumanos.

Não quero dizer aqui que consigo experimentar a dor de um pai que perde uma filha nesta idade, mas acho que consigo pelo menos imaginar o tamanho dessa dor e é o suficiente para me deixar bastante triste. Coloquei-me no lugar de outras pessoas, como os professores de natação. O que estarão sentindo neste momento? Como superar um acontecimento desses? Como entender a dimensão de uma tragédia desse tamanho?

O fato da menina ser do idade da minha pequena, de ser um militar como eu, torna a coisa mais próxima e mais dolorosa. A vida é uma dádiva, mas pode acabar a qualquer instante.

Quando cheguei no colégio haviam várias emissoras de tv fazendo entrevistas com pais que deixavam a escola. Achei que era uma dessas reportagens sobre início de aulas. Depois de saber o que aconteceu, na saída, vi que tinham se agrupado em volta de uma mãe que saía com o filho. Perguntei-me o que os teriam levado até aquela pessoa em particular. Vi que chorava e então a ficha caiu. Era a primeira entrevista que conseguiam lágrimas para tentar exibir no noticiário.

Naquele momento coloquei-me também no lugar daqueles repórteres e senti uma imensa vergonha. Aquilo não tem nada a ver com informar, trata-se apenas de conseguir matérias para impactar o expectador e ganhar audiência. Trata-se de ganhar a vida com a exploração de tragédias como aquela, de pessoas que ganham a vida caçando lágrimas.

Hoje dois pais vão tentar dormir pela primeira vez sem a filha. Eu tratei de abraçar bem forte a minha quando cheguei em casa, pois sei quanto é preciosa cada criança que colocamos no mundo. Não há como explicar para quem nunca teve filhos o significado de cada filho que criamos, por menos tempo que seja. Basta imaginar a dor de quem se despede dos seus.

Que Deus receba esta criança de volta e que seus pais encontrem forças e fé para seguir em frente pois a vida tem que continuar. Apenas a fé e a esperança cristã pode fazer alguma coisa por eles agora. O resto é com o tempo.



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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Espalhando Democracia

O Americano Tranquilo
Graham Greene

Nestes dias em que o Egito encontra-se em convulsão popular, a questão da democracia entra novamente no debate. Estariam os egípcios caminhando para um novo regime, democrático? Ou seria uma revolução para substituir uma ditadura por outra? Qual o papel dos países ricos, especialmente os Estados Unidos? Deve interferir ou deixar que o milenar país caminhe por suas próprias pernas?

Estas questões não são novas e Graham Greene tratou-as com maestria neste romance de 1955 que conta a estória de um correspondente de guerra inglês, Thomas Fowler, e do americano do título, Pyle, na nada trivial disputa pelo amor de uma vietnamita no meio do conflito entre tropas francesas e os comunistas do Vietnã na Indochina.

Fowler representa o imperialismo europeu, que encontrava-se em fase terminal e os tiros franceses eram o patético fim de uma era. Pyle era a nova ordem americana, jovem e vigoroso, defendendo abstratamente a democracia mas sempre pronto a se aliar a um ditador sanguinário, na figura do General Thé, desde que este fosse anti-comunista. Mais do que uma reflexão, Greene percebe que o conflito da Indochina era histórico, tratava-se da passagem de bastão de uma Europa esgotada e sem ter mais em que acreditar para um novo ator global, pronto para justificar crimes em nome de um ideal de democracia.

O que Pyle não consegue entender e Fowler tenta mostrar-lhe é que a democracia não pode ser imposta, coisa que os europeus sempre entenderam, principalmente para uma civilização oriental. O jovem americano estava fascinado pela tese da terceira força, uma liderança local que afastado tanto dos regimes decadentes quanto dos comunistas poderia assumir o controle do país com providencial apoio das grandes potências ocidentais. Não é por acaso que Pyle recusa-se a ver a imoralidade de um ato terrorista que vitima crianças e civis, em nome da democracia algumas mortes são toleráveis.

Greene tem a arguta visão do que viriam a seguir na Indochina e já previa que os aliados vietnamitas acabariam sendo abandonados pelas potências e seriam dizimados pelos comunistas, coisa que realmente aconteceu com a retirada súbita dos americanos sem que houvesse a menor garantia para com aqueles que lutaram por anos acreditando na promessa de paz e democracia do ocidente. Terminaram traídos e massacrados, sob aplausos dos hippies americanos e a grande imprensa, que fecharam os olhos para a tragédia que se seguiu ao fim da Guerra do Vietnã em um dos episódios mais tristes de irresponsabilidade de uma nação no século XX. Uma lição que os americanos querem mostrar que aprenderam, agora no Iraque.

O que fica evidente nesta inspirada obra de Greene é que geopolítica não é coisa fácil, muito menos simples. Teses e ideias prontos não costumam ser confirmados na vida real e chega a ser um crime querer forçar os fatos a se enquadrarem na ideologia, seja ela qual for. Um livro essencial para compreender melhor o que foi o conflito no Vietnã e o grande problema da intervenção em outro país, em outra cultura. Fica claro que a jovem Phuong é um joguete nas mãos dos dois homens, o cínico Fowler e o romântico Pyle, assim como o Vietnã foi um joguete nas mãos tanto das potências ocidentais quanto dos comunistas. O resultado foi a perpetuação da miséria e do sofrimento.

Não há respostas no livro de Graham Greene, mas há muitas perguntas e pontos de partida para quem quer refletir e pensar fora das respostas pré-fabricadas que abundam na grande imprensa mundial. Cabe ao leitor saber até que ponto quer entender a realidade. Como Fowler descobriu no fim, é impossível permanecer para sempre sem se envolver. Nos momentos de grande emoção, acabamos tomando partido, cedo ou tarde.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Egito e outras Considerações

O Egito domina o noticiário nesses dias, parece que temos mais uma revolução em curso. É como muitas vezes termina uma ditadura; outra, muito comum, é quando caem de podre, como aconteceu no Chile e na União Soviética e como deve acontecer em Cuba.

Como sou pela democracia, acho que todo povo deve escolher livremente como deve ser governado, até porque, e os governos sabem disso, o povo é mais forte que qualquer governo. Se realmente resolver se mobilizar em massa, não há quem segure. Por isso os governos ditatoriais se empenhavam tanto no controle da opinião pública, sabiam que precisavam enganar para continuar no poder.

Acredito na democracia porque é o único regime que conheço que garante direitos à minoria como um dos seus pilares básicos, embora a esquerda deseje cortar este item, entre outros, quando se trata de opiniões contrárias ao seu canône, normalmente anti-família. Mas essa é outra estória, ou não.

O fato é que o ditador do Egito já era, agora ou depois ele será trocado. O que não implica necessariamente na mudança de regime, que pode até ficar pior. A passagem do Egito para o fundamentalismo islâmico é uma das maiores possibilidades, incluindo a irmandade muçulmana. A coisa não é tão simples quanto nos fazem crer os jornalistas. A democracia me parece a solução mais remota, até porque é uma construção ocidental e assenta-se em valores... cristãos! Difícil crer que chegarão nela. O mais importante é que o povo egípcio possa escolher sua forma de governo, e o mundo que se entenda com ela.

Outro dia um desses colunistas idiotas do NYT, uma espécie de propaganda oficial da esquerda americana (e se perguntam porque perdem assinantes todos os dias), lançou a formidável tese que se os Estados Unidos não tivessem apoiado o governo egípcio na repressão aos terroristas islâmicos _ para essa gente terrorista deve ser deixado em paz e tratado com muito carinho _ as torres gêmeas estariam em pé. Em seu raciossímio torto, já que os terroristas não puderam agir livremente no Egito, explodindo um pirâmide ou duas, resolveram escolher outro alvo. Sentados um dia em um Habib's qualquer, entre uma esfirra e outra, tiveram a brilhante idéia de atacar o grande satã do norte. Já que atacar uma ditadura é tão difícil, por que não uma democracia? Afinal, aqueles dois símbolos fálicos do capitalismo selvagem americano eram aterradores para pequenas almas perseguidas e atormentadas.

Não ocorreu ao brilhante colunista se colocar a seguinte pergunta. Se um bando de terroristas conseguiram fazer o que fizeram sem praticamente qualquer apoio governalmental, com possível excessão do Afeganistão, o que teriam sido capazes com o apoio de um país como Egito? Ou do Iraque?

E esse é realmente o problema com essas revoltas no Oriente Médio. Não defendo ditadores, mas o que fazer quando a opção de uma ditadura é outra ditadura?

Duas ditaduras são particularmente odiosas. Uma delas é a fundamentalista islâmica e o Irã está aí para provar. Outra, ainda pior, é a socialista, a única capaz de assassinar seu próprio povo em massa, tudo para construir o tal novo homem. União Soviética, Alemanha nazista, Vietnã, China, Cuba, exemplos não faltam. A esquerda mundial gosta de ambas. Quando não pode ter a última, ficam satisfeitas com a primeira. Tudo contra o grande mal da humanidade: o capitalismo!

Pobre Egito. Que seu povo tenha sabedoria na troca. Nada é tão ruim que não possa piorar.


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