quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Egito e outras Considerações

O Egito domina o noticiário nesses dias, parece que temos mais uma revolução em curso. É como muitas vezes termina uma ditadura; outra, muito comum, é quando caem de podre, como aconteceu no Chile e na União Soviética e como deve acontecer em Cuba.

Como sou pela democracia, acho que todo povo deve escolher livremente como deve ser governado, até porque, e os governos sabem disso, o povo é mais forte que qualquer governo. Se realmente resolver se mobilizar em massa, não há quem segure. Por isso os governos ditatoriais se empenhavam tanto no controle da opinião pública, sabiam que precisavam enganar para continuar no poder.

Acredito na democracia porque é o único regime que conheço que garante direitos à minoria como um dos seus pilares básicos, embora a esquerda deseje cortar este item, entre outros, quando se trata de opiniões contrárias ao seu canône, normalmente anti-família. Mas essa é outra estória, ou não.

O fato é que o ditador do Egito já era, agora ou depois ele será trocado. O que não implica necessariamente na mudança de regime, que pode até ficar pior. A passagem do Egito para o fundamentalismo islâmico é uma das maiores possibilidades, incluindo a irmandade muçulmana. A coisa não é tão simples quanto nos fazem crer os jornalistas. A democracia me parece a solução mais remota, até porque é uma construção ocidental e assenta-se em valores... cristãos! Difícil crer que chegarão nela. O mais importante é que o povo egípcio possa escolher sua forma de governo, e o mundo que se entenda com ela.

Outro dia um desses colunistas idiotas do NYT, uma espécie de propaganda oficial da esquerda americana (e se perguntam porque perdem assinantes todos os dias), lançou a formidável tese que se os Estados Unidos não tivessem apoiado o governo egípcio na repressão aos terroristas islâmicos _ para essa gente terrorista deve ser deixado em paz e tratado com muito carinho _ as torres gêmeas estariam em pé. Em seu raciossímio torto, já que os terroristas não puderam agir livremente no Egito, explodindo um pirâmide ou duas, resolveram escolher outro alvo. Sentados um dia em um Habib's qualquer, entre uma esfirra e outra, tiveram a brilhante idéia de atacar o grande satã do norte. Já que atacar uma ditadura é tão difícil, por que não uma democracia? Afinal, aqueles dois símbolos fálicos do capitalismo selvagem americano eram aterradores para pequenas almas perseguidas e atormentadas.

Não ocorreu ao brilhante colunista se colocar a seguinte pergunta. Se um bando de terroristas conseguiram fazer o que fizeram sem praticamente qualquer apoio governalmental, com possível excessão do Afeganistão, o que teriam sido capazes com o apoio de um país como Egito? Ou do Iraque?

E esse é realmente o problema com essas revoltas no Oriente Médio. Não defendo ditadores, mas o que fazer quando a opção de uma ditadura é outra ditadura?

Duas ditaduras são particularmente odiosas. Uma delas é a fundamentalista islâmica e o Irã está aí para provar. Outra, ainda pior, é a socialista, a única capaz de assassinar seu próprio povo em massa, tudo para construir o tal novo homem. União Soviética, Alemanha nazista, Vietnã, China, Cuba, exemplos não faltam. A esquerda mundial gosta de ambas. Quando não pode ter a última, ficam satisfeitas com a primeira. Tudo contra o grande mal da humanidade: o capitalismo!

Pobre Egito. Que seu povo tenha sabedoria na troca. Nada é tão ruim que não possa piorar.


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