quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Roll The Bones - Rush


De volta ao bom caminho

Os anos 80 foram complicados para os canadenses do Rush. Depois do grande sucesso de Moving Pictures (1981), Geddy Lee resolveu mudar sua direção artística e privilegiar os sintetizadores, em alguns momentos liderando, a tendência da época que marcou o rock nessa década. Na verdade, as grandes bandas dos anos 70 ficaram meio perdidas no ambiente cultural da nova década e andaram buscando uma nova identidade. Particularmente, eu tenho uma teoria. Quando estouraram Nirvana e o Guns, fazendo justamente o som que estas banda tinham deixado para trás, elas perceberam que o desejo por um som mais "moderno" era mais produto de suas imaginações do que um desejo do público. Era hora de corrigir rumos.

Para o Rush, esta correção começou depois do lançamento do ao vivo Show of Hands, que marca o registro da época dos sintetizadores. Em 1989, Presto começa a dar a volta aos rock que marcou a banda. Em 1991, veio o Roll The Bones e a prova que o Rush tinha voltado ao seu verdadeiro caminho.

O disco é excelente. Desde os primeiros acordes de Dreamline já se percebe que o rock voltava a circular nas veias de Lee e cia. Bravado é uma beleza só, com Peart mais uma vez mostrando como colocar magistralmente uma bateria em uma música mais lenta. Roll the Bones mostra que a introdução de novas tendências deve ser feita como experiência de laboratório, em ambiente controlado e em pequenas doses. Se em The Spirit of Radio já tinham acertado no Reggae, Tom Sawyer nos sintetizadores _ sim, eles! _ agora era a vez de um trecho de Rap que cai muito bem na faixa. Ponto para Lee!

Destacam-se também as excelentes Heresy, Big Wheel e Ghost of chance. Peart estava inspiradíssimo nas letras tratando sobretudo da morte e suas incertezas. Volta ao tema da liberdade de escolha que já tinha abordado em Freewill. E nos traz versos como "Well, who would hold a price/On the heads of the innocente children/If there's some immortal power/To control the dice?".

Em Heresy, mostra que é um atendo observador da conjuntura política percebendo o que viria a seguir da queda do muro de Berlim:

The counter-revolution
People smiling through their tears
Who can give them back their lives
And all those wasted years?
All those precious wasted years
Who will pay?

Era bom ver o Rush retornando aos trilhos.

Cotação: ✭✭✭✭

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