terça-feira, fevereiro 08, 2011

Um dia triste

Hoje o dia terminou bem triste.

Quando cheguei na escola para buscar minha filha, fiquei sabendo que uma menina de 2 anos havia falecido durante a aula de natação. Mais tarde soube que morava aqui na minha quadra e que estava brincando próxima da minha caçula há três dias atrás.

Uma das coisas mais impressionantes do ser humano, e que nos torna diferente dos animais, é a incrível capacidade que temos de nos colocar no lugar de outras pessoas e sentir suas dores e alegrias. É justamente essa capacidade que quando falta produz os homens capazes das piores atrocidades e não é a toa que muitas vezes os chamamos de desumanos.

Não quero dizer aqui que consigo experimentar a dor de um pai que perde uma filha nesta idade, mas acho que consigo pelo menos imaginar o tamanho dessa dor e é o suficiente para me deixar bastante triste. Coloquei-me no lugar de outras pessoas, como os professores de natação. O que estarão sentindo neste momento? Como superar um acontecimento desses? Como entender a dimensão de uma tragédia desse tamanho?

O fato da menina ser do idade da minha pequena, de ser um militar como eu, torna a coisa mais próxima e mais dolorosa. A vida é uma dádiva, mas pode acabar a qualquer instante.

Quando cheguei no colégio haviam várias emissoras de tv fazendo entrevistas com pais que deixavam a escola. Achei que era uma dessas reportagens sobre início de aulas. Depois de saber o que aconteceu, na saída, vi que tinham se agrupado em volta de uma mãe que saía com o filho. Perguntei-me o que os teriam levado até aquela pessoa em particular. Vi que chorava e então a ficha caiu. Era a primeira entrevista que conseguiam lágrimas para tentar exibir no noticiário.

Naquele momento coloquei-me também no lugar daqueles repórteres e senti uma imensa vergonha. Aquilo não tem nada a ver com informar, trata-se apenas de conseguir matérias para impactar o expectador e ganhar audiência. Trata-se de ganhar a vida com a exploração de tragédias como aquela, de pessoas que ganham a vida caçando lágrimas.

Hoje dois pais vão tentar dormir pela primeira vez sem a filha. Eu tratei de abraçar bem forte a minha quando cheguei em casa, pois sei quanto é preciosa cada criança que colocamos no mundo. Não há como explicar para quem nunca teve filhos o significado de cada filho que criamos, por menos tempo que seja. Basta imaginar a dor de quem se despede dos seus.

Que Deus receba esta criança de volta e que seus pais encontrem forças e fé para seguir em frente pois a vida tem que continuar. Apenas a fé e a esperança cristã pode fazer alguma coisa por eles agora. O resto é com o tempo.



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Um comentário:

Fábio Viana disse...

Caro amigo...

Li o que escreveu. De fato, apenas pais podem entender o que significa a perda de um filho. A dor é tão grande, talvez, por não fazer parte da ordem natural do mundo (os pais deveriam partir antes dos filhos). Por isso é tão triste saber sobre a morte de uma criança. Como disse você, que os pais dessa criança encontrem em Deus força para continuarem vivendo.

Um abraço,

Fábio Viana.