quinta-feira, março 31, 2011

Fim do BBB

Pelo que soube, o BBB terminou ontem. A única coisa que sei é que a tal Maria venceu e que durante algum tempo não haverá uma parte fixa na página da uol com os últimos acontecimentos do programa, salvo as capas da playboy que virão por aí e as intermináveis entrevistas do Faustão.

Outro dia um colega comentou comigo que o BBB deveria ser proibido pois só trazia mensagens degradantes. Outro, que acompanhava a conversa de orelha, acrescentou que ele não assistia porque estava acima desse nível. Ainda ontem, sobre o mesmo assunto, uma amiga colocou um desabafo no facebook que assistia sim o BBB e que tinha votado várias vezes na tal Maria.

Será que discutir o BBB é tão relevante assim? Será que assistir ou não ao programa é uma questão de cunho moral como se pode entender das manifestações sobre estar no nível do programa ou ter que assistir escondido? Ou seria simplesmente um caso de gosto pessoal? Eu, particularmente, não assisto porque não gosto. Simples assim. Não me acho nem melhor nem pior do que ninguém por causa disso e nem acho que devemos colocar o programa em si no patamar da discussão moral, muito embora os atos dos participantes, e apresentadores, sejam passíveis de julgamentos.

Não gosto do programa porque o ato de uma pessoa diante de uma câmara de televisão tira para mim toda autenticidade e fica sempre a dúvida da verdadeira intenção. Tem gente que gosta desse tipo de especulação, saber se uma pessoa está agindo de uma determinada forma por desempenhar um papel ou por sua própria natureza, não é o meu caso. Sei que muita gente acredita também que estão vendo a verdadeira natureza das pessoas e esquecem que cada participante do programa está vivendo um papel, mesmo que seja o de si mesmo. São, no fundo, atores amadores tentando passar uma imagem com o objetivo de ganhar um prêmio ou simplesmente se expor.

Acho que boa parte dos jogos do programa são apelativos é há um claro desejo de explorar a sexualidade dos participantes com intuito de conseguir audiência, mas isso não o difere de muitos outros programas de televisão e da própria Arte em geral. O fato da sexualidade render audiência tem mais a ver com o público do que com a rede de televisão. Uma acaba alimentando o outro, mas a essência da questão está, como sempre, nos indivíduos e não nas estruturas abstratas como o BBB ou a emissora que produz seu conteúdo.

Enquanto houver gente que goste de assistir o BBB acho que não me cabe pedir o fim do programa como alguns estão fazendo. O verdadeiro teste da liberdade é respeitar o direito das pessoas de realizar atos que não se concorde, desde que obviamente não prejudiquem o outro ao fazê-lo.

Por fim, acho que como sociedade não perderíamos nada com o fim do BBB, mas nem tudo na vida pode ser baseado apenas na utilidade. As pessoas possuem o direito de fazer coisas sem utilidade nenhuma, o que inclui se divertir diante de um aparelho de televisão. Prefiro uma sociedade com BBB na televisão do que apenas com programas educativos ou moralmente elevados, até porque caberá a uma minoria decidir o que é educativo e o que é moralmente elevado. Entre os bons-intencionados e os desejos dispersos da sociedade, fico com os últimos.

2 comentários:

jorge leal disse...

...Que estranho, meu "bróder"; no começo do teu texto falas que não assistes ao BBB porque não gostas...Porém, estranhamente, poucas linhas após, te contradizes ao escrever que "boa parte dos jogos do programa são apelativos"...Como podes saber dos tais jogos se dizes não assistir o programa?...Como sabes de tantos detalhes sobre essa "naba" de programa, se não assites?...E não vejha dizer que ficas sabendo através de terceiros, porque ficará pior a emenda do que o soneto; ou seja, quem não assiste não pode opinar (ou não deveria)...Um abraço!

Marcos Guerson Jr disse...

O fato de não ter assistido esse último BBB não quer dizer que não tenha assistido um dia. Vi alguma coisa das primeiras edições e não gostei, simples assim!
No mais, você não precisa assistir o programa para ter alguma idéia do que está acontecendo. Toda vez que abria a página da uol, aparecia em destaque alguma coisa do programa, sem esquecer das chamadas em comerciais, no meio de jogo de futebol, etc.

Volto ao meu argumento, o fato de não assistir, não quer dizer que seja melhor ou pior do que ninguém. Aliás, o programa em si não me interessa nem um pouco, apenas procurei defender a idéia de que as pessoas tinham direito de querer assistir o que gostam e das empresas de atender esse desejo.

O fato de vc me dizer que sei tantos detalhes, apesar de não ter assistido nada, mostra que não mudou muita coisa das primeiras "temporadas" e que algumas linhas na internet já bastam para ter uma idéia do que vai acontecendo.

É o máximo que eu chego do BBB. A propósito, não gosto de reality shows. Portanto, não é nada pessoal com o programa em si.