sábado, abril 16, 2011

Estamos em 2051!

"não é possível que, ao iniciarmos a segunda metade do século 21, ainda estejamos atrelados a formas institucionais erguidas no pós-Guerra”.

Da presidANTA da república, LENDO um discurso, mostrando que andou assistindo De Volta para o Futuro em edição pirata(lógico), no AeroDilma.

E ninguém fica com vergonha.


sexta-feira, abril 15, 2011

Direita x Esquerda

Texto original em Francês traduzido livremente para português.
Quando uma pessoa de direita não gosta das armas, não as compra.
Quando uma pessoa de esquerda não gosta das armas, quer proibi-las.
Quando uma pessoa de direita é vegetariana, não come carne.
Quando uma pessoa de esquerda é vegetariana, quer fazer campanha
contra os produtos à base de proteínas animais.
Quando uma pessoa de direita é homossexual, vive tranquilamente a sua
vida como tal.
Quando uma pessoa de esquerda é homossexual, faz um chinfrim para que
todos os respeitem.
Quando uma pessoa de direita é prejudicada no trabalho, reflete sobre
a forma de sair desta situação e age em conformidade.
Quando uma pessoa de esquerda é prejudicada no trabalho, levanta uma
queixa contra a discriminação de que foi alvo.
Quando uma pessoa de direita não gosta de um debate emitido pela
televisão, desliga a televisão ou muda de canal.
Quando uma pessoa de esquerda não gosta de um debate emitido pela
televisão, quer prosseguir em justiça contra os sacanas que dizem
essas sacanices. Se for caso disso, uma pequena queixa por difamação
será bem-vinda.
Quando uma pessoa de direita é ateia, não vai à igreja, nem à sinagoga
ou à mesquita.
Quando uma pessoa de esquerda é ateia, quer que nenhuma alusão a Deus
ou a uma religião seja feita na esfera pública, exceto para o Islã
(com medo de retaliações provavelmente).
Quando uma pessoa de direita tem necessidade de cuidados médicos, vai
ver o seu médico e seguidamente compra os medicamentos receitados.
Quando uma pessoa de esquerda tem necessidade de cuidados médicos,
recorre à solidariedade nacional.
Quando a economia vai mal, o tipo de direita diz que é necessário
arregaçar as mangas e trabalhar mais.
Quando a economia vai mal, o tipo de esquerda diz que os sacanas dos
proprietários são os responsáveis e punem o país.

quarta-feira, abril 13, 2011

Odisséia judaica em poucas palavras




A história do povo judeu está intimamente ligado a dois fenômenos normalmente opostos, a dispersão e coesão. Que uma sociedade seja capaz de se dispersar não causa surpresas, mas que depois de séculos ainda consiga manter certa coesão cultural, isso sim chama atenção. Ainda mais quando a intolerância e perseguição chegaram a níveis pouco vistos na história da humanidade.

Contar essa história, tão rica, geraria volumes. Moacyr Scliar, filho de imigrantes judeus russos, entretanto, conseguiu algo de notável, conseguiu captar na essência essa narrativa em um livro extremamente curto, A História dos Judeus, dispersão e coesão.

Com muito talento, Scliar transita pelos pontos principais da história judaica e consegue passar para o leitor os grandes marcos dessa civilização, a descoberta do Deus único, a relação muitas vezes conflituosa com esse mesmo Deus, a crença na vinda do Messias e no juízo final. Principalmente, a idéia da aliança. Ser o povo escolhido por Deus está na raiz da coesão judaica no mundo.

Não que o judaísmo seja homogênio, não o é. Scliar mostra várias correntes e concepções com que os judeus foram se dividindo no mundo, desde a estranha aliança com o comunismo até um certo secularismo contemporâneo, o que reforça a importância dessas bases históricas para o povo judeu. Se o nível de comprometimento com as leis da Torá podem ser questionadas, a aliança é a certeza que une cada judeu com a origem e a terra sagrada.

Scliar escreveu ume excelente livro de introdução à história do judaismo e deixou um exemplo de como uma narrativa pode ser contada com concisão, clareza e talento. Uma lição preciosa para muito estudioso que faz do volume o seu principal cartão de visita. Mais do que quantidade de informações, o que importa é a relevância. Uma verdadeira aula de um mestre que recentemente nos deixou.

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Rápido comentário sobre a tragédia do Rio

Sobre a tragédia que aconteceu na escola de Realengo, não tenho muito a dizer. Até porque não acompanhei praticamente nada dos desdobramentos pois existem coisas que estão acima da minha capacidade de compreender até onde vai o mal na coração dos homens. O assassino, cujo nome não consigo nem pronunciar, já está acertando suas contas e sua fatura é muito alta. Sua pessoa não tem para mim o menor interesse pois sua obra foi feita.

É claro que uma multidão de estudiosos está agora especulando sobre as causas do seu ato. Não podemos esquecer que tudo isso é especulação, nada mais do que isso. Ninguém sabe o que passava na cabeça do infeliz quando fez o que fez. Portanto, temos que ter um grande cuidado com nossas conclusões.

Por fim, estou vendo pessoas querendo se aproveitar da tragédia para fazer suas políticas pessoais. O homem planta o que pode, mas colhe o que plantou. Quem se alimenta da dor de famílias destroçadas como oportunidade para se promover está mostrando seu verdadeiro caráter e assumindo as responsabilidades do livre arbítrio. É preciso ter PUDOR. Coisa que nossa sociedade materialista e divorcidada de Deus esqueceu. Para a infelicidade de todos nós.


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terça-feira, abril 05, 2011

Um país de hipocrisia

O Óbvio Ululante
Nelson Rodrigues

De uma certa forma, o nome de Nelson Rodrigues adquiriu para as novas gerações, das quais eu me incluo, um sinônimo de pornografia. Muito pelos filmes baseados em suas peças realizados nas décadas de 70 e 80, onde a apelação sexual era uma norma, e um tanto pela série da década passada, A Vida como Ela É, que deu um certo ar de erotismo chique para a obra do autor. O que poucos sabem, e me incluía nesse grupo, era que Nelson era também um cronista, e dos bons.

O Óbvio Ululante, é uma primeira parte do que Nelson chamou de confissões, e reúne um conjunto de textos publicados principalmente em O Globo, entre 1967 e 1968. E que mundo era esse? Um mundo em que o governo militar no Brasil lutava contra o terrorismo de esquerda, que os Estados Unidos se afundavam na lama do Vietnã, da revolta estudantil na França, do encantamento dos estudantes brasileiros pelo comunismo, de D Helder Câmara como um grande nome nacional e de Sartre como a grande influência cultural no Brasil.

Sem medo da polêmica, e com arguto senso de observação, Nelson Rodrigues faz picadinho de uma série de mitos que habitavam o imaginário popular no Brasil. Se existe um fio condutor nas páginas que escreveu no período, talvez seja a denúncia sistemática da hipocrisia. Sempre com extremo bom humor, inteligência e imenso talento para a prosa.

O retrato que faz, por exemplo, da esquerda festiva que frequentava o Antonio's, um reduto boêmio, é devastador. Sua síntese é um rapaz que se torna socialista e passa a dizer que vai para o Vietnã, mas seu intuito é conquistar uma patricinha de miolo mole da PUC. Os pseudo-intelectuais brasileiros são reduzidos a pó pela descrição do comportamento deplorável diante de um Sartre, visivelmente entediado, que visitava o Brasil. D Helder? Um hipócrita que fugia como o diabo da cruz das questões de fé com marxismo vulgar.

Nelson Rodrigues mostra um panorama que só se aprofundaria desde então, o da mediocridade de nossas classes mais letradas. Há de tudo, os que nunca leram um livro, os que leram demais. Sim, pois como ensina, é preciso ler poucos livros e reler muito. De que adianta ler uma multidão de livros e não reter mais do que uma lâmina de profundidade de cada um deles?

Um dos seu talentos era o dos aforismos. "O povo desconfia do que entende", "No Brasil é preciso pedir ao romancista para fazer romance, ao poeta para fazer versos", "Nada mais triste do que a nudez sem amor", "No Brasil, a glória está mais no insulto do que no elogio", "a arte da leitura é a releitura".

Por fim, Nelson Rodrigues faz uma série de referências elogiosas a um grande brasileiro, esquecido pelos pecados de ser cristão e anticomunista. Trata-se de Gustavo Corção, uma das mais inteligentes e sensíveis almas que já usou as palavras para expressar suas idéias nesse país tão maltratado por nós mesmos.

Lendo as páginas dos pensamentos de Nelson fico com uma certeza: é o óbvio ululante que nosso debate intelectual desapareceu. Talvez Olavo de Carvalho tenha realmente razão, não há alta cultura no Brasil. Com algumas exceções que só fazem confirmar a regra.


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