domingo, maio 22, 2011

Qual o valor da vida?


O Terceiro Homem (The third man)

Uma das questões que sempre me intrigaram é a exata noção do mal quando o pratica. Uma pessoa que comete um crime, por exemplo, confessa para si mesmo a extensão do mal? Ou mente para si mesmo procurando justificar-se? Nunca vi ninguém dizendo "matei porque quis, poderia ter feito outra coisa mas matei. Aliás, matei justamente porque é o mal, era isso que eu queria". Eduardo Giannetti em seu livro "Auto-engano" defende que o ser humano precisa mentir para si mesmo como forma de encarar a responsabilidade dos seus atos.


Esse é um dos temas que Graham Greene aborda no curto "O Terceiro Homem". Holy Martins (traduzido para um espantoso Rolo Martins pela L P e M) é um escritor de livros de faroeste que visita Viena no pós-guerra, quando a cidade está ocupada pelas quatro potências. Descobre que seu anfitrião, o amigo de infância, Henry Lime, acabara de falecer em um acidente de carro. Pior, que o amigo estava envolvido em atividades criminosas. Por conta própria, resolve investigar o caso e se depara com a questão do mal.


O que mais intriga Holy é como uma pessoa que se diz cristã consegue praticar algo daquela natureza. No final, um interlocutor afirma que na verdade estava fazendo um favor para aquelas pessoas pois a vida era um grande martírio. Ao mesmo tempo o horror de um mundo que acabava de sair do maior conflito de sua história era outra justificativa. Afinal, se os homens que lideravam suas nações podiam sacrificar soldados e civis daquela maneira, porque ele deveria se sentir culpado por algumas mortes resultantes de uma atividade sua?


O Terceiro Homem chama atenção para essas questões. Em um mundo em que a vida humana perdera o sentido, porque deveríamos ter tanto cuidado com ela? Em um mundo devastado por uma guerra sem sentido, qual o valor da vida?

Nenhum comentário: