quarta-feira, junho 22, 2011

Sabedoria da Bíblia

Nas últimas semanas tenho me dedicado a ler a Bíblia. Não sou evangélico, portanto não considero que o texto bíblico tenha que ser lido ao pé da letra, até porque um texto tão rico, poético e antigo, não pode ter uma única interpretação. Também não sou católico, o que significa que não preciso recorrer à doutrina do catolicismo para entender o que está escrito. Tudo isso para dizer que os maiores guias que tenho para ler o texto bíblico é a minha experiência , o bom senso e a minha consciência.

Não segui nenhuma ordem. Li os três evangelhos sinópticos (Matheus, Marcos e Lucas), Atos dos Apóstolos, Carta aos Romanos, Carta (ou espístola?) de Tiago e agora estou lendo Provérbios. O que me chamou atenção até agora, entre diversos aspectos, é que pode-se ler a Bíblia de muitas formas, uma delas como um livro de conselhos. Surpreendo-me até agora com a imensidade de sabedoria que estão nesses livros e descubro, com um certo espanto, que muitas conclusões que cheguei na minha vida, não sem sacrifícios e erros, já estão lá, prontinhos para o consumo. Sinto-me um pouco como Chesterton, depois de muito procurar, quando começo a encontrar minhas respostas descubro que estavam no começo, no lugar de onde parti, na tradição cristã.

Acompanhando os problemas da educação, por exemplo, sempre me intrigou porque nos lugares mais atrasados do Brasil produzia-se por vezes a melhor alfabetização. Isso vem da experiência real, fui alfabetizado no Pará, assim como meu filho. Nenhum de nós enfrentou maiores dificuldades para acompanhar boas escolas do sudeste depois, salvo uma certa vagabundagem ocasional. Conversando com amigos que vieram de Manaus, o quadro não mudou muito. Pelo menos no ensino fundamental, escolas do Norte e Nordeste apresentam resultados muitas vezes surpreendentes.

Ultimamente comecei a pensar se o grande motivo não seria justamente o fato dessas escolas serem muito mais tradicionalistas do que as do restante do país, impregnadas pela mistura ideológica de marxismo e desconstrutivismo popularizada por gente como Paulo Freire, mais preocupados em formar inconformados do que ensinar as quatro operações. Comecei a reparar vários estudiosos defendendo que a base para o aprendizado é a disciplina, justamente o grande vilão dos modernistas do ensino. Por disciplina não se entenda o castigo físico, mas o comprometimento e o sentimento de humildade que um aluno deve possuir por seu mestre, que logicamente não pode ser uma das mulas que estão por aí.

E o que a Bíblia ensina? "Quem ama a disciplina ama o conhecimento. Quem detesta as repreensões é tolo "(Pv 12,1). Não se aprende sem disciplina e não se aprende sem ser corrigido. Simples e direto. Justamente contra o que a sociedade moderna se revoltou diante de um problema real, mas que de maneira nenhuma era o padrão. Os professores que não tinham autoridade pelo conhecimento, apenas pela formalidade. Na pressa de destruir a autoridade desses impostores, destruiu-se junto a autoridade dos bons professores e sem autoridade não há como impor disciplina e nem repreender o erro. Observa-se que a repreensão é ao erro e não ao aluno. Na revolta contra os professores que repreendiam os alunos, muitas vezes com rituais de humilhação, os professores que repreendiam o erro foram trucidados juntos. Pior, com o tempo foram substituídos por uma nova geração de professores cuja maior preocupação era deixar alunos, pais e diretores satisfeitos, mesmo que o aluno não aprendesse nada.

Outro exemplo? Diz também no livro dos provérbios (12,15) "o proceder do insensato é reto aos seus olhos, mas quem é sábio atende aos conselhos". Aqui está a raiz do problema da ideologia, os ideólogos acham que estão certos! São incapazes de ver que seus atos contrariam a natureza das coisas e são muitas vezes imorais. Como podem atender aos conselhos se acham que estão com toda a razão? O mesmo vale para a insistência do homem em caminhar pelo vício, muitos acham que não são vícios ou que pelo menos o diabo não é tão malvado assim. Acabam fazendo passeatas pelo usa das drogas e colocando dinheiro nas mãos de traficantes, ilegais ou legais.

"Quem anda com os sábios torna-se sábio, quem é amigo dos insensatos torna-se mau." (Pv 13, 20). O problema é achar um sábio nos dias de hoje! Estamos tão perdidos nesse mundo de extrema correria e excesso de informação que fica cada vez mais difícil encontrar os sábios, embora existam. Pelo sim, pelo não, ando sempre com um monte de sábios, debaixo do braço. Platão, Santo Agostinho, Eric Voegelin, ando sempre com eles. Marx, Foucalt, Paulo Freire? Prefiro distância. Aliás, a sabedoria da Bílbia está nos detalhes também. Para ser sábio, basta andar com o sábio, mas para se perder, é preciso ser amigo do insensato. Posso ler, como já fiz, porcarias de Marx ou de Freire, mas não terei um foto deles em minha parede para idolatrá-los, como já vi por aí.

Três singelos exemplos de textos que li esta manhã, antes de sair de casa. São versículos que traduzem sabedorias, conselhos que um pai dá ao filho todos os dias, normalmente com uma linguagem menos poética, com mais palavras pois a simplicidade é uma característica de quem muito sabe, uma característica essencialmente divina. Quer um livro de auto-ajuda? Leia a Bíblia, mas leia de peito aberto, sem preconceitos, buscando em suas linhas conselhos úteis que possam servir de orientação para nosso dia a dia. Vale a pena.

quarta-feira, junho 01, 2011

O problema da verdade

Deus dos poderes, transformai-nos; mostrai-nos vossa face e seremos salvos. (Sl 80)


Santo Agostinho explica em "A ordem" que a face de Deus é a verdade. Apenas conhecendo a verdade seremos salvos, o que coincide com a idéia do trio Sócrates-Platão-Aristóteles que o mal era resultado da ignorância dos homens. Aliás, a filosofia clássica tem por objetivo conhecer a essência das coisas, descobrir a verdade.



A modernidade rompeu com essa linha e hoje podemos dizer que nas escolas do ocidente se ensina que o mais importante é a tal da postura crítica. Temos que criticar tudo e não aceitar nada. Criticar se tornou mais importante do que conhecer o objeto que se está discutindo e a principal consequência é que se opina cada vez mais sobre o que não se sabe, configurando o que Ortega y Gasset chamou de "homem massa". Segue-se que a ignorância fica cada vez maior pois a guerra retórica é o que se vê na sociedade atual, cada um tentando provar que o outro está errado. Parece que voltamos ao tempo dos sofistas, exatamente o que Sócrates veio para superar.

Se a verdade é a face de Deus, a conclusão que se chega é que aqueles que a rejeitam, rejeitam a Deus e essa é uma das tragédias da modernidade pois abre o caminho para essa cultura da negação da vida e valorização do egoísmo como marca de sucesso. Os efeitos do relativismo são nefastos para a sociedade, principalmente para os mais necessitados e os que o promovem serão julgados por suas ações. A quem muito foi dado, muito será cobrado. É apenas uma questão de tempo.

- Posted using BlogPress from my iPad

Ato falho?

Na Folha:

Gleisi, segundo participantes do almoço com Lula, perguntou ao ex-presidente se era “estratégico” mobilizar o governo e sua base em defesa de um projeto pessoal -em referência à evolução patrimonial de Palocci. A senadora chegou a comparar o momento atual ao escândalo do mensalão. Gleisi, segundo participantes, disse que os mensaleiros cometeram erros graves em nome de um projeto coletivo. E que esse não era o caso de Palocci.


Perceberam?

Essa gente pensa sinceramente que a corrupção em pró do projeto de poder é perfeitamente válido, no máximo é um erro grave, mas só se for descoberto. É esse tipo de gente que estamos elegendo! Vamos acordar! Principalmente você que tem toda capacidade de entender essas entrelinhas. Elas estão espalhadas por todo discurso petista, venha de onde vir; é só apertar que eles confessam o que realmente pensam. Não tem desculpa nenhuma para uma pessoa instruída votar nesses estúpidos, mas tem que ser humilde para aceitar a própria cegueira em confiar nessa gente.