quarta-feira, junho 01, 2011

O problema da verdade

Deus dos poderes, transformai-nos; mostrai-nos vossa face e seremos salvos. (Sl 80)


Santo Agostinho explica em "A ordem" que a face de Deus é a verdade. Apenas conhecendo a verdade seremos salvos, o que coincide com a idéia do trio Sócrates-Platão-Aristóteles que o mal era resultado da ignorância dos homens. Aliás, a filosofia clássica tem por objetivo conhecer a essência das coisas, descobrir a verdade.



A modernidade rompeu com essa linha e hoje podemos dizer que nas escolas do ocidente se ensina que o mais importante é a tal da postura crítica. Temos que criticar tudo e não aceitar nada. Criticar se tornou mais importante do que conhecer o objeto que se está discutindo e a principal consequência é que se opina cada vez mais sobre o que não se sabe, configurando o que Ortega y Gasset chamou de "homem massa". Segue-se que a ignorância fica cada vez maior pois a guerra retórica é o que se vê na sociedade atual, cada um tentando provar que o outro está errado. Parece que voltamos ao tempo dos sofistas, exatamente o que Sócrates veio para superar.

Se a verdade é a face de Deus, a conclusão que se chega é que aqueles que a rejeitam, rejeitam a Deus e essa é uma das tragédias da modernidade pois abre o caminho para essa cultura da negação da vida e valorização do egoísmo como marca de sucesso. Os efeitos do relativismo são nefastos para a sociedade, principalmente para os mais necessitados e os que o promovem serão julgados por suas ações. A quem muito foi dado, muito será cobrado. É apenas uma questão de tempo.

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Um comentário:

Dias disse...

Bom, isso se encaixa bem com o perfil do povo brasileiro, que tem preferência pela aparência, e não pela essência.