quarta-feira, julho 27, 2011

Incoerências sobre a tragédia da Noruega

O 11 de setembro trouxe muitos ensinamentos. Um dos aspectos que mostrou foi mais uma evidência de como funciona a mente de um ideólogo, de como ele pensa.

Um dos problemas de um sujeito refém de uma ideologia é que só consegue enxergar o mundo através de uma lente, de uma camisa de força que construiu para si mesmo pela obediência cega a uma explicação que julga racional para o funcionamento do universo. Chesterton matou a charada em Ortodoxia quando mostra que o seu mundo é completamente coerente, mas é um mundo menor, que rejeita tudo que não consegue explicar. Muitos entendem que quando ele se referia aos loucos, ele estava falando dos que estavam dentro do hospício. Em uma pequena parte sim, mas a maior parte dos loucos estavam do lado de fora e nem se viam como loucos, nem a sociedade também os via assim. A maior parte dos loucos estavam ocupados com suas ideologias. E continua assim.

Voltando ao 11 de setembro, quando a coisa começou a se esclarecer e ficou claro que radicais muçulmanos estavam por trás dos atentados, a mente dos ideólogos entrou brevemente em parafuso. Como condenar um grupo que atacou o principal símbolo do odiado (e amado secretamente) capitalismo? Que atacou os odiados (e amados secretamente) americanos? Rapidamente encontraram a resposta: não condenaram. A culpa eram dos americanos. Mais ainda, correram para condenar qualquer associação de Bin Laden e sua turma com o verdadeiro islã. Mesmo com atentados terroristas acontecendo o tempo todo, é preciso não associar a prática com a pacífica religião de Maomé. E acredito que realmente seja pacífica. Até porque se uma parte razoável dos seus fiéis resolvessem seguir de fato o exemplo do saudita, o mundo seria infinitamente pior.

Agora vem o caso da Noruega. Depois de momentos de perplexidade fica-se sabendo que o louco é um norueguês. Melhor ainda, que usa uma visão torta do que seja direita para justificar suas ações. E aí vem a incoerência.

Os mesmos que condenavam a associação de Bin Laden com o islã, são os primeiros a exigir a associação do louco com a direita em geral, como se todos os que tem idéias conservadoras fossem parecidos com esse pobre diabo que desgraçou sua alma com o crime odioso que cometeu. Querem que o partido que ele admirava seja proibido. Não percebem que com isso dão razão ao próprio assassino que queria praticamente a mesma coisa pelos mesmos motivos, no caso o banimento dos muçulmanos do ocidente.

Que vão para o diabo! Quem justifica uma espécie de terrorismo não pode querer condenar uma outra. Não existe essa de terrorismo do bem e do mal, o terrorismo em si é um mal. Não pode votar na dona Dilma, uma "ex" terrorista, que participou de grupos que matavam inocentes, e se julgar moralmente em condições de ditar regras. Não pode quem usa foto do Che Quevara na camisa querer condenar esse infeliz. Ou se condena o terrorismo e os terroristas, ou convivam com suas escolhas.

Eu escolhi o meu caminho e minha divisa moral. Não compactuo com o terrorismo, nem muito menos com terroristas. O homem planta o que pode, mas colhe o que plantou. Esse infeliz norueguês escolheu o caminho do mal e vai pagar amargamente por cada vida que tirou. Ninguém é obrigado a fazer o que não quer. O que assusta os loucos racionalistas é que o homem pode LIVREMENTE escolher o mal. No fundo, não querem responsabilidades pela condução de suas vidas. Preferem acreditar que todos somos conduzidos pelo meio em que vivemos, que a culpa é sempre de algum ente abstrato que nos conduz como marionetes.

O 11 de setembro e o episódio da Noruega mostra que são contraditórios por natureza e que só conseguem ser coerentes dentro das amarras de seus mundos limitados e asfixiantes. O homem são escolhe a liberdade e com ela a responsabilidade de escolher o certo. O louco acha que não faz escolhas e alguns chegam ao ponto desse louco em especial. Abraçam o mal.

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