sexta-feira, agosto 12, 2011

Custo de Oportunidade


Na Uol:

Mais técnica que política, a presidente Dilma Rousseff quer todas as obras previstas dentro de um cronograma de metas o mais rápido possível. Dos 55 projetos apresentados para captação do dinheiro do Fundo de Garantia, via Caixa Econômica Federal, apenas 38 foram contratados. O governo federal tem R$ 7,8 bilhões para financiar as obras, mas alguns projetos estão sendo reprovados. Mesmo os projetos contratados podem ter sua abrangência reduzida dramaticamente, caso a obra não seja entregue até dezembro de 2013.


Não vou nem entrar no mérito de considerar a presidente mais técnica do que política. Na verdade é difícil definir em qual categoria ela é pior, mas deixa isso para lá.

A questão aqui é o custo de oportunidade, um dos conceitos econômicos mais importantes para compreender o que acontece no mundo atual e talvez por isso mesmo um dos mais desconhecidos.

Custo de oportunidade refere-se a custo que se tem ao empregar um recurso em uma finalidade ao invés de outra. Todo emprego de recurso é uma escolha que exclui todas as outras alternativas. Quando compro bananas, deixo de comprar peras e assim por diante. A questão do custo de oportunidade é se um recurso que emprego não geraria mais benefícios se empregado em alguma das outras alternativas disponíveis. Junte-se o custo de oportunidade com a obviedade que os recursos são escassos e temos a base para analisar as políticas públicas. A pergunta principal deve ser: considerando a escassez de recursos, estou empregando esses recursos na melhor finalidade possível?

Quando anunciou-se que o Brasil seria sede de copa do mundo, no meio de toda aquela euforia e sonhos de grandes estádios, aeroportos, mobilidade urbana e etc, observei na hora: e o custo de oportunidade?

A copa do mundo não criou dinheiro do além. A falácia de que não se usaria dinheiro público só enganou os ingênuos, e são muitos!, mas logo esse discurso foi abandonado. O que vai pagar a copa do mundo é o bom dinheiro do contribuinte, como esses 8 bilhões citados na reportagem.

Esses 8 bilhões, retirados do fundo de garantia, não teriam melhor emprego do que obras para a copa do mundo?

Essa é a pergunta que cada brasileiro deveria estar se fazendo. Quando fizermos isso, estaremos em condições melhores para avaliar políticas públicas e entenderemos finalmente que o estado não é uma máquina de fabricar e distribuir dinheiro, mas uma forma da sociedade alocar seus escassos recursos onde mais precisa.

O resto é fumaça.

Nenhum comentário: