domingo, setembro 25, 2011

O retrato do mundo hoje. Escrito em 1905.

Hereges


G. K. Chesterton

Em 1905, G. K. Chesterton resolveu escrever um livro sobre os hereges. Heresia, para ele, era tudo que não estava de acordo com o próprio pensamento pois sua tese central é que nada é mais importante para o homem do que sua filosofia pessoal. O problema da modernidade começava com a equivocada tese de que as questões práticas de uma pessoa era mais importante do que ela acreditava. Chesterton inverte essa equação. Para ele, as questões do dia a dia, as decisões tomadas por cada pessoa, os governos, a política, a arte, as viagens, a guerra; tudo isso era insignificante diante da visão que temos do mundo, ou seja, de nossa filosofia pessoal, também chamada de religião.

Esse conjunto de crenças pessoais, chamou de Ortodoxia e por causa disso, as crenças pessoais que estavam em desacordo com as suas chamou de heresias. Em Hereges, Chesterton apresenta escritores, políticos, poetas, artistas, enfim, vários criadores que em suas obras mostraram várias dessas heresias. Bernard Shaw, H. G. Wells, Kipling e tantos outros, muitos desconhecidos para um brasileiro do século XXI; não importa, são as heresias que dominam todo o livro.

A partir de lugares comuns defendidos por esses homens, Chesterton os virava de cabeça para baixo e mostrava os paradoxos que se escondiam nessas crenças pessoais. Para ele, a essência de uma boa filosofia é o paradoxo e ninguém como ele foi capaz de revelá-los. Longe de criticar esses homens por suas idéias práticas, ele ia na filosofia primeira, no que uma pessoa precisava acreditar para expressar certas afirmações, que nada mais eram do que consequências lógicas a partir de certas premissas. E essas premissas eram heresias.

Assim Chesterton mostra porque o homem que vive viajando conhece menos do mundo do que o que nunca saiu de sua aldeia; porque a idéia do relativismo é uma idéia absoluta; porque o vinho não deve ser bebido como remédio e sim por prazer; porque o paganismo nunca poderá ser uma evolução do cristianismo; porque um romancista ruim revela mais sobre os homens do que um bom romancista; porque a idéia de ajudar os pobres é antidemocrática; porque a família deve ser protegida por não ser pacífica, não ser agradável e não ser cordata.

São tantas a idéias grandiosas que não há como resumi-las. Cada frase de Chesterton reune uma infinidade de idéias que se uma pessoa passar o ano inteiro lendo esse livro, uma frase por dia, saberá mais do mundo moderno do que passar 365 dias acompanhando o noticiário.

Só para ter uma idéia, eu já vi muita refutação às ideologias, mas jamais vi alguém conseguir em uma única frase colocá-la na lata de lixo da história. Se as pessoas pensassem 30 segundos, seriamente, sobre o que Chesteton disse, não haveriam mais socialistas no mundo: "a fraqueza de todas as utopias é esta: tomam a maior dificuldade do homem e a supõem superável e, então, fazem uma descrição elaborada da superação das menores dificuldades".

O livro de Chesterton é tão atual, até porque em muitos pontos preveu muitas coisas, e todas se realizaram, que não é difícil enxergar várias personagens do nosso mundo de hoje. E entender o que tem por trás de cada uma delas.

Uma obra espetacular. Uma obra de gênio.




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quinta-feira, setembro 22, 2011

Sintomas de uma patologia

Poucas vezes eu vi um exemplo tão contundente de confusão mental misturada com impostura intelectual do que um artigo escrito pelo tal Alex Castro. Já li um ou outro texto deste cidadão e confesso que dessa vez ele se superou. A sua ruptura com a realidade chegou a níveis patológicos.

Ele começa sua peça com a afirmação que existe uma regra simples para avaliar a seriedade de uma pessoa ou grupo de pessoas. Se ela defende algo, alguém deve ser contra. Se é contra algo, alguém deve ser a favor.

Não consigo imaginar um único assunto na face da terra que exista um consenso total. Nem mesmo da própria existência, visto que alguns loucos conseguem duvidar até disso. Por esse critério, não vejo como não chegar a conclusão de que qualquer pessoa no mundo é séria. Se ele chegasse a essa mesma conclusão, seria um daqueles casos que alguém afirma o óbvio e depois fica provando o que a grande maioria não gastaria 2 ou 3 segundos para fazer.

O mais interessante, é que ele não chegou a essa conclusão. Por um raciocínio, se é que podemos chamar assim, torto do início ao fim, chegou a brilhante conclusão que determinados protestos não são coisa de gente séria pois afirmam coisas que ninguém é contra. Para acreditar realmente nisso, ele teria que partir do princípio que existem coisas realmente consensuais na humanidade, o que ele desmente na parte final quando faz uma ladainha em defesa do relativismo, de que não existe verdade, e aquela baboseira toda que só seduz os herdeiros da modernidade.

Mas estou divagando. Retomando o fio, Alex apresenta alguns exemplos de protestos vazios.

O primeiro exemplo são os movimentos pró-vida. Segundo ele, ao pé da letra, só pode ser coisa de gente não séria pois ninguém é contra-vida. No entanto, quando considerarmos que na verdade esse pró-vida significa contra-aborto, faz todo sentido pois existem pessoas que defendem o aborto.

Pois digo que o movimento pró-vida só tem sentido por ser um dos raros exemplos de uma expressão utilizada apropriadamente. Uma pessoa não usa o termo pró-vida por ser contra o aborto; ao contrário, é contra o aborto por ser a favor da vida. Pode-se discutir muita coisa sobre o aborto: se o feto tem consciência, se não seria melhor poupá-lo de um futuro tenebroso, se realmente pode ser chamado de feto. Uma coisa, entretanto, não pode haver discussão, que trata-se de uma vida. Pode-se até duvidar que seja ainda uma pessoa, mas qualquer um que já viu um ultra-som ou utilizou um microscópio vê o que a realidade mostra com toda clareza: ali há uma vida.

Não dá para dizer portando que quem defende o aborto esteja a favor da vida. Está defendendo, consciente ou não, a interrupção de uma vida. Pelo próprio critério de Castro, o movimento pró-vida, com todo rigor semântico é sério pois defende algo que algumas pessoas se colocam contra.

Depois vem com a questão da família. Não faz sentido ser a favor da família pois ninguém é contra. Até parece que não existem pessoas que afirmam que o conceito de família é algo ultrapassado, uma imposição da sociedade. Até parece que regimes totalitários nunca tentaram de todas as maneiras quebrar a estrutura familiar justamente por ser a família o maior fator de coesão social e ameaça ao domínio absoluto. Depois ainda joga a questão do homossexualismo, como se defender a família na verdade seja uma forma de ser contra os homossexuais.

Eu não defendo a família por me sentir ameaçado pelo "casamento" homossexual. Eu defendo a família porque ela está constantemente ameaçada pelo incentivo ao sexo fácil na adolescência com consequências trágicas principalmente para as mulheres pobres, pela banalização do divórcio, pela defesa do amor enquanto durar, pela glorificação do adultério, pela recusa de muitas pessoas em perpetuar sua própria família, e todo esse relativismo moral que tanto mal faz para qualquer grupo humano. Sem contar com as drogas, um verdadeiro destruidor de lares.

Sim, existem os que são contra a família. Como no caso do aborto, usam estratagemas semânticos para não reconhecer, muitas vezes para si mesmos, o que verdadeiramente acreditam.

Por fim, chega onde queria chegar, nos protestos contra a corrupção. Segundo ele, nada pode ser mais vazio do que ser contra a corrupção pois como alguém pode ser pró-corrupção?

Nem vou me ater ao óbvio de se existe corrupção, é porque alguém com certeza é a favor.

Vou falar de outras pessoas que são pró-corrupção:

Quem vota em um presidente que se mostrou corrupto porque ele está do lado certo da força.

Quem vota para presidente em uma pessoa que foi do núcleo duro de um governo corrupto porque esta pessoa está do lado certo ou porque é do sexo certo.

Quem defende que a corrupção é valida desde que seja para fortalecer um projeto de poder.

Quem acha que a corrupção é aceitável se isso gerar dinheiro público para seus cofres, sejam esses cofres de estudantes, sindicalistas ou falsos camponeses.

Quem acha que se usar o dogma da "justiça social" pode-se botar as mãos no dinheiro público, esse nome que o Brasil achou para chamar o dinheiro que foi tomado da população.

Quem não vê problema nenhum em um presidente da república vir a público negar que esteja fazendo uma faxina, que esteja expulsando os corruptos de seu governo.

Alex Castro não é bobo, longe disso. Seu problema é ser esperto demais e achar que é o único. Não é difícil perceber porque nunca estará em um protesto como os que aconteceram desde o 7 de setembro.

Basta ver a citação que faz da presidenta, como prefere dizer na sua gramática relativista. Para Dilma, combater a corrupção são ossos do ofício para um político honesto. Pensem em todas as vezes que usam a expressão ossos do ofício e perceberão o ato falho da mandatária, e do infeliz que a segue.

Por fim, pois já me alonguei demais, uma última palavra, sobre ideologia.

Ideólogo é aquele que monta uma explicação do mundo, simples pois nós humanos não conseguimos fazer coisa melhor, e tenta encaixar o mundo nessa visão. É o famoso louco de Chesterton que tenta colocar o mundo na própria cabeça. Um anti-ideólogo é aquele que faz o contrário, tenta colocar a cabeça no mundo pois acredita que sua explicação do mundo deve estar errada quando constata a realidade.

Não, Alex Castro, não somos todos ideólogos pelo simples motivo que existem pessoas que fazem uma reverência toda especial, uma reverência à realidade. Que sabem que você pode duvidar de tudo, menos do real. Que sabem que são pessoas como você que fazem pessoas de bem ir à rua para defender o que deveria ser óbvio. Mas que não é.

domingo, setembro 18, 2011

Orgulho

Chesterton argumentava que o orgulho era uma das coisas curiosas do mundo. Quando uma pessoa não tem nenhum motivo pessoal para ter orgulho de algo, é uma virtude. Quando ela realmente tem o mérito, ter orgulho é um pecado. Só podemos ter um orgulho saudável, quase que virtuso, por coisas que não tivemos mérito nenhum; o contrário, quando temos orgulho de algo que merecemos, esse orgulho se transforma em vaidade, no pai de todos os pecados como já ensinava Paulo apóstolo.

É fácil perceber isso em nossa vida real. Quando temos orgulho de nossos pais, de nosso país, do mundo, da conquista de um filho, estamos falando de algo profundamente saudável e místico, pois não temos mérito nenhum nessas coisas. Estamas expressando gratuitamente nossa consideração e nosso amor. Agora, imaginem uma pessoa que fez algo notável, como tirar 10 em uma prova. Essa pessoa vira para os amigos e diz: estão vendo como sou bom aluno? Tirei 10! Sou realmente muito inteligente, dedicado aos estudos. Ele está realmente dizendo a verdade, ele se esforçou, tirou sua boa nota, mereceu. Só que dificilmente deixaremos de perceber que esse orgulho demonstra sua vaidade, seu sentimento de superioridade em relação aos demais. Esse orgulho é um pecado, um conceito desvalorizado nos dias de hoje, mas que realmente expressa sua natureza, o de ser contrário às leis de Deus.

É como a humildade, uma das mais importantes virtudes cristãs, talvez a maior de todas. Chesterton também argumentava que as virtudes cristãs tem essa curiosidade, elas só são virtudes enquanto não percebidas. No exato momento que percebemos que a temos, deixamos de tê-la. Uma pessoa pode realmente ser humilde, mas no instante que olha para o espelho e diz para si mesma: nossa, como sou humilde! Já não é mais.

Uma pessoa pode realmente ter orgulho de muitas coisas: de sua aparência, de suas realizações, da maneira como criou seus filhos, da vida que levou. Mas esse orgulho só poderá existir se não pensar nele. No instante que percebe suas próprias realizações e sente orgulho por elas, foi conquistado pela soberba, pela vaidade, pelo mal que existe no coração dos homens. Um homem saudável, diante dessa coisas, sente que não as merece, pois conhece a impureza de seu coração e tem a intuição que foi ajudado; mais do que qualquer orgulho, sente uma imensa gratidão pela ajuda que recebeu.

Por tudo isso, sempre que alguém falar em ter orgulho por algo, deve-se fazer a seguinte reflexão: essa pessoa tem orgulho por algo que atribui como uma realização, uma escolha, uma vitória sua? Se assim for, muito provavelmente deveria estar quieta e agradecendo, e não bradando esse orgulho para si mesmo e para os outros. No fundo, só mostra desprezo pelos que não tem seu grau de iluminação e isso, como ensinou Cristo, é a essência de todos os pecados, a violação do maior dos mandamentos de um homem para outro: amar ao próximo como a si mesmo.


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terça-feira, setembro 13, 2011

E o governo decide o que tenho que assistir na minha televisão

Quando digo que prefiro os políticos roubando do que legislando acham que estou exagerando. Sinceramente acho que eles dão menos prejuízo e colocam menos a mão no meu bolso quando estão ocupados saqueando o dinheiro público do contribuinte do que quando resolvem trabalhar. É aí que o bicho pega.

Ontem a mandatária assinou a lei que obriga os canais de tv a cabo a reservar inacreditáveis 3 horas e meia para produção nacional nas 6 horas de horário nobre.

A Tv por assinatura é um acordo entre o provedor de serviços e o ASSINANTE, que paga caro para fugir da mediocridade da tv aberta para tentar assistir o que gosta. O que o governo tem a ver com esse acordo? Nada.

Só que agradar as minorias ruidosas cada vez é melhor negócio para os governos em tempos de exposição intermitente na mídia. Artistas e intelectuais são pessoas extremamente ruidosas, bons de se agradar. A maioria silenciosa dos assinantes são dispersos, sem organização suficiente para protestar contra mais uma intromissão indevida do estado nas suas coisas particulares. Tudo em nome de defender a produção nacional.

Como se o horário nobre das tv ABERTAS não fossem de conteúdo 100% nacional. Como se os programas de maior audiência no Brasil não fossem nacionais. O que querem mais? Por que um cidadão não pode ter o direito de assistir o que quer sem o estado se meter? Sai para lá SATANÁS!

O pior que como tudo tem custo, quem vai pagar pela BOÇALIDADE de reservar o horário nobre de canais de tv para programação de péssima qualidade é o de sempre, o CONSUMIDOR, aquele que paga a fatura. Não basta eu ser obrigado a pagar para ter aquele bando de canais vagabundos (TV Senado, câmara, justiça (o pior de todos), TV Brasil e porcarias afins) agora eu vou ter que aturar a MARAVILHOSA produção nacional, fruto da criação de nossos FANTÁSTICOS intelectuais brasileiros, dentro da minha casa e ainda PAGANDO POR ISSO. Puta que pariu!

Tem horas que não há limites para a revolta!

PUTA QUE PARIU!

Eu tenho um sonho. Sonho com o dia que o estado vai parar de se meter na minha vida.

Sonho com o dia que essas almas iluminadas, que apoiam o estado babá, parem de se meter na minha vida e entendam que não possuem o DIREITO de me impor o que as fazem se sentir melhores com elas mesmas, porque se acreditassem mesmo no que pregam, estariam assistindo essas porcarias ao invés de tentar enfiá-las goela abaixo dos outros.

CUIDEM DE SUAS PRÓPRIAS VIDAS!

É difícil entender ou tenho que desenhar?