quarta-feira, outubro 19, 2011

A grande ameaça

Estou acompanhando desde 2008 as discussões sobre crise econômica mundial e seus desdobramentos. Com raríssimas excessões, ninguém está tocando em um problema que pode estar na raiz de tudo que está acontecendo. Não se trata de mera especulação pois os dados são fáceis e muitas conclusões praticamente matemáticas. Estou falando da demografia.

Quem primeiro me chamou atenção para o problema foi Spengler, do Asia Times. Desde então tenho dedicado um pouco do meu tempo livre a essa questão, cada vez mais me convencendo de que a grande ameaça do nosso século é a demografia. Particularmente a queda das taxas de natalidade ao redor do mundo.

“the dominant factor for business in the next two decades, absent war, pestilence or collision with a comet, is not going to be economics or technology. It will be demographics.”
(Peter Drucker, 1997)





Esqueçam aquela imagem de uma África faminta ou de uma Tóquio superpovoada. Isso ainda existe, mas não é uma ameaça global. O fato de pessoas morrerem de fome no continente africano é lastimável sob todos os aspectos, ainda mais porque o mundo consegue produzir alimento para todos. Só que ninguém boa parte das pessoas não são afetadas pessoalmente pelo fragelo.

A queda da taxa de natalidade, por outro lado, é um evento global e já está tendo repercussões em todo mundo. O grande problema, que poucas pessoas percebem, é que esse fenômeno tem outro consequente: o rápido envelhecimento populacional. Aí a coisa pega.

As consequências do envelhecimento de uma população são2: aumento dos custos sociais (saúde e previdência principalmente), sobrecarga sobre a população ativa (menos pessoas para pagar impostos e trabalhar), crise fiscal pelo desequilíbrio entre produção e gastos sociais, diminuição na capacidade de inovação, menos pessoas dispostas a assumir riscos e recessão econômica pela contração do consumo. Exatamente o que estamos vendo hoje no chamado primeiro mundo1.

Para piorar ainda mais a situação, não são apenas os países ricos que estão envelhecendo, o fenômeno é praticamente global. Países emergentes como Brasil, China e México estão indo pelo mesmo caminho e vão enfrentar os mesmos problemas, mas com muito menos dinheiro para fazer ajustes. Esses países estão envelhecendo antes de ficar ricos.

Observem os acontecimentos e associem com a demografia. A conexão vai saltar aos olhos de tão clara. Claro que existem inúmeras outros problemas ligados ao envelhecimento populacional: aumento da imigração, segurança do estado, segurança interna e outros.

Nos anos 70 e 80 ficamos apavorados com a imagem de um mundo superpovoado, seguindo ainda ecos das previsões Malthusianas. A ameaça agora é um mundo contraído, com a fundamental ausência de jovens. Deveríamos, ao invés de ler pensamentos inspirados no apocalipse de Malthus, ler um livro muito mais antigo que dizia simplesmente: crescei e multiplicai-vos. É a receita para um mundo são.




1 Não dá para levar a sério Paul Krugman e Mirian Leitão depois disso não é?

2 Sobre esse assunto, ler esse relatório.

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