domingo, novembro 27, 2011

Mensagem para Paulo Freire


De tempos em tempos nos deparamos com uma verdade tão cortante, tão direta, que não conseguimos formulá-la adequadamente. Compreendê-la é um trabalho filosófico, é o buscar em nossa consciência o que já sabemos. Uma das tensões existenciais é conseguir explicar o que ainda não compreendemos direito mas sabemos ser a verdade. Nesses casos, só nos resta repetir essa verdade e torcer para que tenham a mesma iluminação que tivemos.

Hoje me deparei com um pensamento de Constantin Noica. É exatamente o que gostaria de dizer a Paulo Freire. A Piaget. A muita gente que já conheci que pretente saber tudo sobre ensino. Que acha que descobriu os meandros da mente humana.


Antes havia a sofística. Ensinavam às pessoas como pensar sobre o que quer que fosse e responder a quem quer que fosse. Depois, por séculos inteiros, ensinou-se retórica. Ensinavam às crianças como falar, quais são as partes de um discurso, e como dizer algo, mesmo quando não tem nada a dizer. Hoje já não se ensina sofística nem retórica. Mas algo tem que ocupar-lhe o lugar. A humanidade não renuncia assim tão fácil a seu direito de mudar o ensinamento vivo em ensinamento morto. O que lhe tomou o lugar? Acreditei durante muito tempo que era o direito. Não, é a pedagogia.

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